Hospital Siderúrgica ameaça fechar as portas em Fabriciano

Com dívidas de R$ 8 milhões junto a entes públicos, fornecedores e o sistema financeiro, o Hospital Siderúrgica, em Coronel Fabriciano, no Vale do Aço, caminha para um processo de falência e pode parar o atendimento a qualquer momento. A situação econômica precária do hospital, que se arrasta desde 2007, foi novamente denunciada nesta terça-feira […]

Com dívidas de R$ 8 milhões junto a entes públicos, fornecedores e o sistema financeiro, o Hospital Siderúrgica, em Coronel Fabriciano, no Vale do Aço, caminha para um processo de falência e pode parar o atendimento a qualquer momento.

A situação econômica precária do hospital, que se arrasta desde 2007, foi novamente denunciada nesta terça-feira (27) por sua diretoria, por meio de nota ao público. Conforme o comunicado, a falência só será impedida se a instituição conseguir resolver seus problemas financeiros. Mas, até o momento, não há indício de que a solução esteja próxima.

A crise financeira do hospital – que tem 70 anos e atende particular e pelo Sistema Único de Saúde (SUS) –, se tornou pública em março de 2009, com o intuito de que fossem encontrados parceiros para ajudar a salvar a instituição.

Houve mobilização política, audiência pública e, no dia 30 de abril do ano passado, aconteceu uma reunião entre políticos de Coronel Fabriciano com o então secretário estadual de Saúde, Marcus Pestana, quando foi anunciado o repasse de R$ 1 milhão, em dez parcelas, correspondendo à metade do déficit operacional.

Ficou acertado, então, que forças políticas aliadas ao Governo federal buscassem o restante dos recursos necessários junto à União, para o equilíbrio das contas. Só que isso não ocorreu até hoje, permanecendo um déficit de R$ 100 mil ao mês, conforme afirma a nota enviada ontem pela diretoria do Siderúrgica.

Também por meio de nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que, conforme o convênio firmado com Hospital Siderúrgica, até o momento foram repassadas três parcelas de R$100 mil. A SES alega ainda que, além desse repasse, a instituição recebeu, por meio de dois outros convênios, os valores de R$300 mil, para a construção da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), e R$ 1 milhão, para a compra de equipamentos. Ambos os recursos já teriam sido entregues. Segundo a SES, para o recebimento das demais parcelas de R$ 100 mil, o hospital deve prestar conta das que já recebeu.

A diretoria do hospital afirma que, para tentar reverter a crise financeira, outras medidas foram tomadas, assim como alternativas administrativas visando melhorar as receitas e reduzir as despesas, de forma que não houvesse comprometimento da qualidade da assistência e não redução dos atendimentos aos pacientes do SUS. Neste mês, uma série de contatos com entidades envolvidas e responsáveis pela saúde na região foram iniciados pela direção do Siderúrgica.

Tabela do SUS gera déficit financeiro

Segundo a Associação Beneficente de Saúde São Sebastião, mantenedora do hospital, a “situação dramática” se intensificou nos últimos anos, devido à baixa remuneração pelos serviços prestados ao SUS, que respondem por mais de 80% dos atendimentos.

Além disso, prejudicou a não obtenção do Certificado Nacional de Assistência Social, protocolado em novembro de 2007 no Ministério da Ação Social, em Brasília, que proporcionaria imunidade tributária, desonerando despesas com impostos.

Este dois fatores seriam responsáveis por um déficit operacional mensal de aproximadamente R$ 200 mil, totalizando mais de R$ 2,4 milhões por ano. “Para se ter uma ideia, somente o serviço de maternidade, em funcionamento 24 horas, realizando, em média, 17 partos do SUS e 13 de convênios, gera um prejuízo mensal de R$ 36 mil, sendo necessários, segundo estudos, pelo menos 120 partos por mês para se ter o equilíbrio econômico da unidade”, diz a nota.

 Em função da crise, alguns médicos deixaram de atender no Hospital Siderúrgica, mas uma funcionária, que pediu para que não fosse identificada, informou que o atendimento tem ocorrido de forma tranquila. Segundo ela, os próprios funcionários têm informado, principalmente às ambulâncias, que os pacientes sejam encaminhados para outros hospitais da região, devido à situação do Siderúrgica.