Vacina contra a meningite está em falta em alguns postos de Minas
Ao lado do filho Pedro Arthur, que teve a doença, Rodrigo Diniz pede mais seriedade das autoridades Depois de ter deixado traumas e medos, o vírus da gripe suína tem causado um outro problema em Minas Gerais: prejuízo para a vacinação de meningite. Pelo menos, esse é o argumento da Secretaria de Estado de […]

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| Ao lado do filho Pedro Arthur, que teve a doença, Rodrigo Diniz pede mais seriedade das autoridades |
O mal atinge em média 1,4 mil pessoas por mês em Minas e mata, pelo menos, todos os anos, cerca de 200 pessoas em todo o país. Somente este ano, já morreram 22 na Bahia. A capital registrou, de janeiro a abril, 50 casos, com duas mortes. No ano passado, foram 219 notificações da doença em BH e 37 pessoas morreram. A dose da vacina chega a custar até R$ 278 na rede privada.
Em novembro de 2009, o estado foi pioneiro no país ao disponibilizar no Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina contra meningite Meningocócica C ou bacteriana para crianças menores de 1 ano. Neste mês, o estado também colocou no SUS a dose Pneumocócica 10-valente também para menores de 1 ano. “ O que fizemos ainda está sendo implantado no Brasil”, destaca Jandira.
Ontem, o Estado de Minas procurou a vacina em postos de saúde de Belo Horizonte e soube que a dose há tempos não está disponível para os usuários. Como tem havido o déficit, o posto de Saúde do Aarão Reis, na Região Norte, por exemplo, informou que a procura tem sido grande: “Hoje temos, mas é muito pouco. Amanhã, não deve ter mais”, informou uma atendente.
“Esse tem sido um grande problema. A vacina foi implantada, mas não está nos postos”, lamenta Rodrigo Diniz, que é presidente do Instituto Pedro Arthur, único instituto do país a tratar de meningite. Foi por causa do seu filho, Pedro Arthur, que Rodrigo fundou o instituto. “Com 1 ano e seis meses de vida, ele teve a doença. Hoje, com 7 anos, respira por aparelhos e está tetraplégico . Vivo na luta para conseguir que a meningite seja encarada com seriedade pelas autoridades de saúde do estado. A prevenção que está no SUS só pode ser feita em crianças até um a três meses. Como ficam os maiores que isso?”, questiona.
A dúvida é também a de Débora Raquel Gomes, de 29 anos, que desde sábado está com o seu filho Arthur, de 4 anos, internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI ) do Hospital do Ipsemg, em Belo Horizonte, com quadro grave de meningite. “Na semana passada, vim ao hospital três vezes e me disseram que ele estava gripado. Ele vomitava muito, tossia e ninguém sequer pediu exames de urina e sangue. No sábado, pela quarta vez, insistindo que havia algo sério, um médico fez os exames e constatou a doença na forma mais grave, a meningite bacteriana. Ele foi direto para o CTI”, conta Débora. Ela diz que, quando Arthur nasceu, ela procurou a vacina no SUS, mas não havia. “Na rede privada, custa muito caro e não tenho condições para isso. A prevenção deveria ser obrigação do governo”, cobra.
Produzida pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) são 200 mil doses por mês distribuídas para as cidades mineiras. De acordo com Jandira Lemos, aumentar a faixa etária para as crianças poderá ocorrer, mas de forma progressiva, “assim como é em toda vacinação, damos preferência para os grupos prioritários”.
Segundo o Ministério da Saúde a vacina meningite meningocócica C, ou bacteriana, será incorporada ao calendário de vacinação do SUS em todo o país no segundo semestre de 2010. “Cada secretaria estadual de saúde fará a implantação da vacinação pneumocócia 10- valente, de acordo com sua disponibilidade operacional. Entre março e abril, 12 secretarias de saúde pediram vacinas para iniciar ao longo do mês. Mas não sabemos ao certo se elas já estão oferecendo. Com certeza, São Paulo e Bahia estão fazendo esse trabalho.”
A doença
A meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro, e pode ser causada por diversos agentes infecciosos, como bactérias, vírus e fungos, dentre outros, e agentes não infecciosos. Os principais sinais e sintomas são: crianças acima de 1 ano e adultos: febre alta que começa abruptamente; dor de cabeça intensa e contínua; vômitos em jato; náuseas; rigidez de nuca; podem surgir pequenas manchas vermelhas na pele. Em crianças menores de um ano, os sintomas podem não ser tão evidentes, devendo-se atentar para a presença de moleira tensa ou elevada, irritabilidade, inquietação com choro agudo e persistente e rigidez corporal com ou sem convulsões. A transmissão é de pessoa a pessoa, por via respiratória. Por isso, a principal forma de prevenção é a detecção e o tratamento precoce dos casos, evitando-se que a doença seja transmitida a outras pessoas. O tratamento é feito com antibióticos específicos.






