Safra e gasolina escassa derrubam o preço do álcool

Em queda. Posto já ostenta preço menor do álcool no letreiro e consumidor pode ter alternativa

Depois de passar a marca dos R$ 2 em janeiro, o preço do álcool, finalmente, começou a cair. Em uma semana, o preço médio do litro ficou 11% menor, passando de R$ 2,072 para R$ 1,84, mas já é possível encontrar o combustível por R$ 1,76, valor 15% abaixo do praticado no final de fevereiro.

A ameaça de voltar a faltar gasolina, como aconteceu em janeiro e fevereiro, é o principal motivo da redução de preços. Para "forçar" o aumento do consumo do álcool, as distribuidoras, capitaneadas pela BR, reduziram suas margens de lucro e aliviaram no preço do combustível. "A BR não está conseguindo atender aos pedidos de gasolina, então, ela abaixou o preço do álcool e outras distribuidoras fizeram o mesmo", diz o presidente do Sindicato dos Postos (Minaspetro), Sérgio de Mattos.

A queda foi possível também graças à antecipação de safra da cana de abril para março, o que aumentou o volume de combustível no mercado. A BR, que tem cerca de 40% do mercado, não quis comentar a política de preços.

Já os postos comemoram a redução. No posto Carmênia, na avenida Tereza Cristina, o reflexo foi imediato. O litro do álcool que custava R$ 2,09 baixou para R$ 1,80. Com isso, o consumo diário que estava em 500 litros, cerca de 6% das vendas totais do posto, subiu para 1.500 litros.
Na rede de postos Rodelão, que tem cinco unidades em Belo Horizonte e Betim, o preço caiu de R$ 1,99 para R$ 1,84. O gerente da rede, Cléber Fonseca, diz que o álcool representava 15% das vendas e nos últimos dias chegou a 30%. A participação do combustível nas vendas totais dos postos aumenta à medida que o preço cai.

Em dez dias o álcool deve voltar a ser o combustível mais vantajoso para os carros flex. O álcool está custando, em média, 76,6% do preço da gasolina. Segundo especialistas, o combustível vale a pena se custar, no máximo, o equivalente a 70% do preço da gasolina.

Segundo o presidente do Minaspetro. Sérgio de Mattos, quando o preço do álcool está nesse patamar, o combustível representa de 40% a 50% das vendas dos postos. Com a escalada de preços dos últimos meses, as vendas caíram drasticamente. Em janeiro e fevereiro, de cada 100 litros de combustível vendidos, no máximo dez eram de álcool.

Abastecimento de gasolina só será normalizado em abril
O abastecimento de gasolina em Minas Gerais só deve ser normalizado em abril, segundo o Sindicato dos Postos (Minaspetro). Em janeiro e fevereiro, os postos da região metropolitana de Belo Horizonte chegaram a ficar sem o combustível para vender ao consumidor.
"Ainda não está normal. A BR não está entregando todos os pedidos", diz o proprietário do posto Carmênia, Idelson Dalalba. No último domingo, o posto ficou quatro horas sem gasolina nas bombas.
O presidente do Minaspetro, Sérgio de Mattos, diz que a Petrobras não tem conseguido atender à demanda por gasolina e a situação só vai melhorar quando o consumidor voltar a comprar álcool.
A Petrobras, por meio da assessoria de imprensa, informou que vem entregando gasolina "normalmente". (APP)



Idelson Dalalba reclama do abastecimento da gasolina

FOTO: CHARLES SILVA DUARTE/ 12.2.2010
Idelson Dalalba reclama do abastecimento da gasolina
Colheita será recorde

A safra de cana-de-açúcar, que começou a ser colhida este mês, deve ser a maior da história em Minas Gerias. O Sindicato das Indústrias de Álcool e Açúcar de Minas Gerais (Siamig) ainda não tem estimativa do crescimento, mas diz que serão colhidas mais que as 56 milhões de toneladas da safra passada.

A expectativa para os próximos anos também é boa. Segundo estudo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a produção de cana em Minas Gerais irá crescer 75% até o ano de 2020. De acordo com o levantamento, o Estado vai produzir 98,1 milhões de toneladas na safra 2019/2020, consolidando a posição de segundo maior Estado produtor do país. O crescimento nos próximos dez anos será o maior entre os principais Estados produtores.

Os canaviais, que na safra passada ocuparam 679 mil hectares em Minas Gerais, terão uma área de 1,12 milhão em 2020, crescimento de 64,7%. "O Estado vem apresentando um forte crescimento na produção de cana nos últimos anos", explica o superintendente de Política e Economia Agrícola da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, João Ricardo Albanez.

Segundo ele, de 2003 a 2009, a produção mineira já cresceu 180%. Com isso, Minas Gerais passou de terceiro, para segundo maior produtor nacional de cana-de-açúcar, ultrapassando o Paraná e ficando atrás apenas do Estado de São Paulo, o maior produtor nacional. (Da Redação)

Entenda
– Em 2009, o excesso de chuva prejudicou a safra de cana, reduziu a oferta do produto e fez preço disparar.
– Com o preço alto, os motoristas passaram a usar gasolina, aumentando a demanda. A Petrobras teve dificuldades em abastecer o mercado. 
– Para colocar mais álcool no mercado, o governo reduziu a mistura do combustível na gasolina e os produtores anteciparam a safra para março. 
– Para normalizar o abastecimento de gasolina, a Petrobras chegou a importar o combustível.