Brasil terá grupo de combate ao crack até o fim de março
Combate. Pedras de crack apreendidas na Grande BH; governo terá grupo de repressão à droga
O secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, anunciou que daqui a um mês será formado um grupo nacional de policiais especializado na repressão ao crack. O grupo reunirá policiais civis e militares e até guardas municipais. Cada Estado terá 15 agentes. "O crack é uma droga avassaladora. Está matando. E temos dúvidas sobre a possibilidade de recuperação, de tratamento", disse ele em palestra durante a reunião da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia realizada na sede da ONG Viva Rio.
O secretário explicou que, ao contrário do que acontece com o uso de outras drogas, o crack é vendido nas ruas. Por isso, a importância do trabalho dos guardas municipais. "Hoje não sabemos fazer isso. Do jeito que estamos trabalhando, não estamos conseguindo combater eficientemente", disse ele, para quem, por mais que "a polícia tenha boa intenção, não tem know how" para combater o tráfico do crack.
O secretário defendeu ainda um tratamento diferenciado para o pequeno traficante, que, segundo ele, nas prisões, acaba sendo recrutado pelo crime organizado. "O sujeito que é apreendido com pequena quantidade é considerado necessariamente um traficante. Essa prática não é inteligente porque no presídio esse preso vai se corromper completamente e vai engrossar as fileiras do crime".
Pacificadora. Durante a reunião, também foi discutida a implantação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas comunidades do Rio dominadas por traficantes. Ao lado de propostas de mudanças na legislação nacional antidrogas, que deverá ser apresentada para discussão no Congresso Nacional ainda neste ano, as UPPs são uma forma efetiva de combate ao tráfico pesado de drogas e ao domínio territorial de comunidades pobres por traficantes, na opinião dos especialistas presentes no encontro.
A pacificação de comunidades por meio das UPPs foi endossada pelo ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, que é ex-presidente da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia. "Fiquei muito bem impressionado com o que vi sobre essa polícia pacificadora no Rio. É algo que merece ser acompanhado", disse o ex-presidente.

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A Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia, apoiada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, deve pedir à Justiça que defina a diferença entre usuário e traficante, para que haja distinção na pena. A decisão foi tomada ontem, no Rio, inspirada em recentes posicionamentos judiciais na Argentina e na Colômbia, que descriminalizaram o uso de drogas. A atual lei de drogas brasileira autoriza que usuários sejam punidos com penas alternativas, mas não define o limite do porte de drogas para que não seja considerado traficante.
Na reunião, FHC defendeu a descriminalização de todas as drogas, e não só da maconha, como pregou a Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, da qual fez parte. “Todas fazem mal. Mas a política de guerra às drogas não está funcionando”. FHC chamou de reacionários setores da Organização das Nações Unidas que criticaram a postura latino-americana.
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A Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia, apoiada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, deve pedir à Justiça que defina a diferença entre usuário e traficante, para que haja distinção na pena. A decisão foi tomada ontem, no Rio, inspirada em recentes posicionamentos judiciais na Argentina e na Colômbia, que descriminalizaram o uso de drogas. A atual lei de drogas brasileira autoriza que usuários sejam punidos com penas alternativas, mas não define o limite do porte de drogas para que não seja considerado traficante.
Na reunião, FHC defendeu a descriminalização de todas as drogas, e não só da maconha, como pregou a Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, da qual fez parte. “Todas fazem mal. Mas a política de guerra às drogas não está funcionando”. FHC chamou de reacionários setores da Organização das Nações Unidas que criticaram a postura latino-americana.