“A próxima vítima” prepara apoio à Vila Paciência contra extinção de núcleos habitacionais
A Associação de Amigos do Bairro Pará (Amapará) reuniu-se na noite desta quinta-feira, 10 de dezembro, em sua sede, para tratar de temas ligados à comemoração de Natal e estudo da busca de recursos para reforma da quadra de esportes localizada na rua Santo Antônio. O terceiro assunto da pauta referiu-se à Vila Paciência, onde […]
A Associação de Amigos do Bairro Pará (Amapará) reuniu-se na noite desta quinta-feira, 10 de dezembro, em sua sede, para tratar de temas ligados à comemoração de Natal e estudo da busca de recursos para reforma da quadra de esportes localizada na rua Santo Antônio. O terceiro assunto da pauta referiu-se à Vila Paciência, onde a Vale montou um processo de aquisição de imóveis para criar a chamada “Zona de Amortecimento”. Representantes da Vila Paciência participaram do encontro e discutiram seus problemas. Foi lançada e aprovada a ideia de estudar, em conjunto com moradores de bairros próximos, estratégia mais adequada às partes como tentativa de conciliação de interesses. O pedido de socorro à cidade inteira está, também nos planos de todos.
A festa natalina foi marcada para o sábado 19, com uma série de atividades. O programa estará pronto na próxima segunda-feira, dia 14, e será divulgado por Defato Online. Sobre esse tema, foi destacado o apoio prometido pelo itabirano, diretor do jornal Fonte da Pedra, Marconi Ferreira.
A diretoria e os presentes não se entenderam sobre a reforma da quadra de esportes, que requer obras não significativas financeiramente. Falou-se que a Prefeitura não estaria disposta a investir na região, considerando que já mantém diversos espaços dessa natureza espalhados por bairros e vilas. Também foi sugerido procurar a Vale, considerando que a empresa construiu a pequena obra, mas a proposta acabou sendo abafada, por tratar-se de um pedido considerado inconveniente para o momento. “Não vamos queimar cartuchos”, disse um participante da reunião.
Sobre a extinção do núcleo habitacional, no final, em consenso, uma decisão foi registrada em ata: haverá uma reunião em fevereiro — dia 11 ou 18 — com a presença de representantes da Vila Paciência, Moinho Velho, Vila Amélia, Chacrinha e Alto da Boa Vista, além do bairro Pará, com o objetivo de ampliar o movimento de defesa de interesses itabiranos.
A reunião foi presidida por Jésus Francisco Moreira e secretariada por Sebastião Martins Fontes. Teve a presença de 30 moradores do bairro Pará, além dos representantes da Vila Paciência.
“A PRÓXIMA VÍTIMA”
A Associação de Amigos da Vila Paciência esteve representada por quatro cidadãos, liderados pelo presidente José Eduardo dos Passos Guerra. Cada um expôs o seu ponto de vista sobre a situação da Paciência. Na opinião dos líderes comunitários, o método de compra de imóveis, individualmente, não interessa à comunidade. Um dos presentes, Celino Soares, informou que todos os moradores deverão mover uma ação conjunta de pedido de indenização que deverá, segundo ele, ser proposta à Justiça nos próximos dias. Disse Celino que o processo desencadeado pela empresa, de compra de casas, já promoveu a desvalorização de todos os imóveis na região.
Nos debates foram registradas algumas frases dos participantes:
— A história de extinção de bairros de Itabira, pela Vale, incluindo os que ela própria criou, dá a entender que a mineradora avançará, em breve, sobre o bairro do Pará, o primeiro núcleo construído pela empresa em Itabira.
— Não se trata de adquirir apenas os imóveis — os restantes 117 que a Vale anuncia — mas de extinguir um conjunto comunitário de moradores, destruir seu espírito de solidariedade criado ao longo de dezenas de anos.
— A Vale contratou a Bolsa de Imóveis do Rio de Janeiro (Birj) para intermediar as negociações, diz que reavaliou os imóveis, mas, na verdade, o que a empresa está implantando é o terrorismo entre os moradores da vilas Paciência, Cisne e até mesmo o bairro do Pará.
— Faz parte do terrorismo, o ritmo lento de desmanche das casas já adquiridas. Levam-se meses para terminar esse trabalho. Parece que a Vale quer enervar a população e ganhar tempo, desvalorizando sempre mais a nossa Vila.
— Não entendemos os motivos que levam a empresa a escolher essa forma de extinguir um bairro e por que não joga aberto, não expõe um projeto a curto, médio e longo prazo, capaz de tornar mais humano o processo de expansão da mineração.
— A Vale é uma empresa poderosa e não deveria agir dessa forma.
— Vários moradores do bairro Pará foram advertidos por fontes ligadas à empresa e desistiram de executar reformas ou ampliações de seus imóveis porque sabem que, em breve, a Vale vai avançar para o bairro.
— É uma questão comunitária, coletiva, de interesse público o processo de desmanche da Vila Paciência. Os poderes públicos da cidade — Executivo e Legislativo — deveriam agir com determinação e tomar para si as dores que hoje enfrentam os moradores que, amanhã, serão também os do Pará, a próxima vítima.
— A Vila Amélia é um local da cidade que está sofrendo com a dinamitagem das minas da mineradora. A Vale estabeleceu uma área de mineração em local bem próximo ao núcleo habitacional do também conhecido bairro de Fátima.
— Se não houver uma posição de nossa parte agora, definida e firme, não chegaremos a uma solução menos dolorosa para todos, porque livrar-nos de dores será muito difícil.
VALE
A última informação que a Vale apresentou à imprensa e aos moradores da Vila Paciência contesta o processo de desapropriação. Nesse caso, segundo a mineradora, paga-se o preço mínimo para só depois discutir judicialmente os preços de mercado; garante que os valores dos imóveis foram reajustados com base nos padrões da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); mantém-se disposta a discutir em grupo, utilizando o seu programa Diálogo Social, que vem atendendo aos chamados para reuniões em locais determinados por moradores.
Sobre a opção de moradores que propõem que a Vale abra seus projetos de mineração na cidade a curto, médio e longo prazo; a respeito de propor a solução do problema coletivo na Vila Paciência, ao invés de individual, evitando-se a continuidade da desvalorização denunciada principalmente pelos moradores da região de baixo da avenida France de Paula Andrade e no que se refere a enfrentar ações judiciais, em conjunto ou separadamente, para respostas a todas essas colocações, a reportagem ainda não conseguiu falar com o setor competente da mineradora.