Representantes da cultura itabirana reivindicam no Café com o Presidente da Câmara

Nesta quinta, 22, participaram de mais uma edição do projeto Café com o Presidente, na Câmara de Itabira, representantes do segmento cultural da cidade. Durante a reunião foram debatidas as modificações na Lei Drummond, a dificuldade de conseguir recursos por meio da Vale e a cobrança pelo espaço público se tornar inviável para sua utilização. […]

Nesta quinta, 22, participaram de mais uma edição do projeto Café com o Presidente, na Câmara de Itabira, representantes do segmento cultural da cidade. Durante a reunião foram debatidas as modificações na Lei Drummond, a dificuldade de conseguir recursos por meio da Vale e a cobrança pelo espaço público se tornar inviável para sua utilização.
 
Além do presidente da Câmara, Neidson Freitas, estiveram presentes o cantor e compositor Newton Baiandeira, Mauro Moura, Marconi Ferreira, Toninho Aribati, Júlio Reis, o também cantor e compositor Carlos Moura Andrade (Cabeça), o cartunista Laz Muniz, a produtora Miriã Fonseca, Samir Omar Brito e Cleber Camargo.
 
A Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) foi convidada para participar do encontro, mas não enviou nenhum representante. Os presentes no café notaram a ausência e criticaram a ação da Fundação.
 
Cleber Camargo, que já foi superintendente da FCCDA, disse que é de tamanha significância criar uma Secretaria Municipal de Cultura para o desenvolvimento de projetos culturais. Ele ressaltou ainda que é importante sistematizar o segmento em Itabira e sugeriu que a renda da Expoita seja destinada também para a cultura.
 
Um dos assuntos mais importantes discutidos durante o café foi o Fundo Municipal de Cultura, que já existe, mas ainda não foi implementado.
 
O clímax do encontro foi a reclamação de todos os integrantes do segmento para usufruir os espaços públicos culturais. Mauro Moura disse que para usar o espaço da Fazenda do Pontal para se fazer uma exposição é cobrada a taxa de R$ 1.900 (mil e novecentos reais) e para apresentações no teatro da Fundação é cobrado R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por dia. Ainda, segundo ele, a justifica da cobrança é para cobrir gastos com água, luz e servidores, mas 75% do valor da arrecadação da autarquia é destinada para pagamento de funcionários e custeios com infraestrutura.
 
Os dados podem ser comprovados pela portaria nº. 12, de 25 de abril de 2008, do Estatuto da FCCDA, para cobrar valores referentes à locação do teatro e demais espaços culturais administrados pela Fundação Cultural, assim como apresentações dos Corpos Artísticos Estáveis, para realização de seminários, conferências ou encontros sobre temas pertinentes à Cultura. O teatro, pontos de cultura e espaço, por exemplo, é cobrada a taxa de R$ 1.600 (mil e seiscentos reais) para até quatro horas, acima deste período o valor sobe para R$ 2.100 (dois mil e cem reais).
 
Outro ponto de reclamação durante o café foi a modificação da Lei Drummond. Segundo a produtora cultural, Miriã Fonseca, “a Lei é cheia de falhas e é necessário o suporte do legislativo para criar emendas”.
 
Já Júlio Reis ressaltou a dificuldade de conseguir recursos tanto do incentivo público quanto o privado. Para ele, a Vale é uma das empresas que mais oferecem esta dificuldade. “Não conseguimos conversar com a pessoa que cuida dos patrocínios da Vale. Sempre somos encaminhados para uma, duas ou três, mas nunca a indicada para cuidar do assunto”.
 
Entre outros temas citados, Carlos Cabeça falou sobre a demolição do Clube Atlético Itabirano (CAI). Para ele, o clube deveria ser tombado como patrimônio histórico.
 
Toninho Aribati falou da reconstrução do Poço da Água Santa, que faz parte do hino da cidade e é patrimônio histórico.
 
Laz Muniz disse que é preciso incentivar o artista itabirano, pois recursos o município tem.
 
O presidente Neidson Freitas sugeriu que uma audiência pública seja realizada para discutir melhor o segmento e a implementação do Fundo Municipal de Cultura, e levantar sugestões para resolver as questões citadas durante o encontro.
 
Para finalizar, o compositor Newton Baiandeira, que se emocionou ao falar de sua trajetória e luta pela cultura em Itabira, agradeceu a oportunidade que a Câmara de Itabira proporcionou e homenageou o cartunista Laz Muniz.
 
Laz vive na cidade há seis anos, mas conhece muito da história itabirana e acredita que é um município que pode colher muitos frutos com o desenvolvimento cultural.