Mulher guardava lixo em casa há 25 anos em São Sebastião do Rio Preto
Casa em que mora Maria Salomé da Cruz: telhado teve que ser arrancado
Um fato inusitado acaba de acontecer em São Sebastião do Rio Preto, cidade de 1.700 habitantes, localizada a 60 quilômetros de Itabira e a 160 de Belo Horizonte. Uma mulher, solteirona, de 79 anos, carregava e guardava lixo dentro de casa há pelo menos 25 anos, calculam moradores locais. Embora resida no centro, ninguém tinha descoberto a façanha de Maria Salomé da Cruz, conhecida como Maria Branca, de 79 anos, senão recentemente. Ela mora em casa própria, construída por ela mesma na rua São Vicente, a cerca de 100 metros da Igreja Matriz de São Sebastião.
Não há quem dê notícia de quem foi o autor da denúncia à Justiça. Supõe-se apenas que seja o setor de saúde pública municipal. A ordem de recolhimento dos detritos partiu do juiz da Comarca de Conceição do Mato Dentro, Sérgio Sanches. Ele determinou mandado de busca e apreensão do lixo, ação executada por funcionários da Prefeitura sob a escolta da Polícia Militar.
Maria Branca, que é muito exaltada — fala palavrões impublicáveis e não gosta de assim ser chamada — deu muito trabalho para aceitar a invasão de seu domicílio, mesmo sendo o ato legal e tomado pela Justiça para proteger não só a sua saúde como de outras pessoas. Um cidadão que ligou a DeFato para comunicar detalhes do acontecimento, contou que foram retirados, durante uma semana, nove caminhões de “porcarias”. As “porcarias” eram compostas de lixo reciclável, nada que exalasse mau cheiro forte. “Tinha pneu velho, cuecas, soutiens, vasilhas, latas, garrafas, papeis e material plástico”, entre tantas bugigangas catadas principalmente durante a madrugada, contou.
Segundo disseram outras fontes — várias pessoas ligaram à redação e disseram que não foram feitas fotos — Maria Salomé não contraiu doença alguma na convivência com o lixo. “Pelo contrário — informou uma pessoa que pediu para não ser citado seu nome “pois ela é brava demais e pode me matar” — Salomé parece ter contraído anti-corpos contra doenças; vou dizer uma coisa: ela parece imunizada”, ironizou.
Maria Salomé, segundo mais informações, nada comia em casa, a não ser pequenos lanches, e dormia assentada em cima do lixo, já que, como ficou comprovado, não havia lugar para camas e sequer espaço para relaxar o corpo. "Eita mulher forte!" — comentou também um conterrâneo dela.
Na verdade, a mulher lixeira, que continua cada vez mais zangada com a ação que lhe tirou o lixo guardado, tem uma ferida na perna há anos e esteve, duas semanas, internada no hospital da vizinha cidade de Passabém. “Da cabeça ela é normal”, avaliou um informante, mesmo chacoteando. E complementou: “Ela é assim desde quando nasceu”. E disse mais: "Ela vai continuar fazendo a mesma coisa, já disse isso".