Santuário de fé
“Estou lidando com o campo da
fé, mas também no campo social, porque vai atrair
muita gente”

O Santuário Diocesano de São Geraldo Majela foi anunciado, finalmente, como uma realidade para Itabira. Depois da saída do até então padre, Taumaturgo de Assis Oliveira, responsável pelos primeiros passos na concretização do santuário, em 2000, o projeto não vinha sendo tratado em primeiro plano, mesmo após a entrega da escritura do terreno – doado pela Vale – para a construção da obra, em 2003. À frente do desafio está um jovem padre, recém-ordenado e transferido de Santa Maria de Itabira para Itabira em 31 de janeiro deste ano. Natural de Guarapari, no Espírito Santo, Cléverson Francisco da Silva Pinheiro tem 29 anos e é o quarto sacerdote à frente da Paróquia de Nossa Senhora da Penha e São Geraldo Majela desde o lançamento da ideia do santuário. Resolveu abraçar a causa e levar adiante o projeto de milhares de fieis devotos do santo, coordenando uma comissão técnica de profissionais e voluntários para executá-lo.
Atualmente, o religioso participa de trabalhos pastorais em onze capelas: Nossa Senhora da Penha, na Vila Piedade; São Geraldo Majela, no bairro Caminho Novo; São Vicente de Paulo, no bairro Cônego Guilhermino; São Marcos; São Cristóvão; Sagrado Coração de Jesus, no bairro Praia; Laboreaux / Engenho; Pedros; Ribeirão de Cima; Ribeirão de Baixo e Oliveira Castro. Nessa rotina, de apenas um dia de folga, ainda sobra tempo para não deixar o sonho do santuário morrer entre os fieis. Como ele mesmo define, essa força de manter vivo esse ideal “vem do desejo de Deus manifestado no desejo e no interesse do povo”. Agora, já é pensada a programação do Jubileu de São Geraldo Majela, em outubro, quando será lançada a pedra fundamental da obra. Detalhes da construção e seus reflexos em Itabira, em Minas Gerais e no Brasil foram explicados pelo padre Cléverson, que recebeu DeFato na Paróquia São Geraldo Majela, dia 7 de julho.
Quando o senhor assumiu a paróquia já sabia da situação da construção do Santuário?
O próprio Bispo (Dom Odilon Guimarães Moreira) já havia comentado comigo que eu teria essa tarefa porque o santuário está dentro dos limites geográficos da paróquia, no bairro Esplanada da Estação. Vim para cá sabendo deste grande desafio: levar a construção adiante, uma vez que o pároco anterior preferiu não assumir o projeto. Nós entendemos muito bem. Foi formada, inclusive, uma comissão para dar andamento ao projeto e se chegou até ao estágio de aquisição do terreno na avenida Mauro Ribeiro.
O que o estimulou já que padres anteriores preferiram não dar continuidade?
A minha proposta na paróquia, logo que cheguei, foi saber quais eram as intenções do povo. E fui percebendo durante toda essa caminhada inicial que não era um desejo particular, mas um desejo de Deus manifestado no desejo e no interesse do povo. E se é do povo, recebi uma pressão boa para fazer esse projeto caminhar. Aqui, estou lidando com o campo da fé, de fomentar ainda mais essa devoção a São Geraldo Majela, mas também no campo social, porque vai atrair muita gente. A cidade, que já tem muitos atrativos turísticos, terá ainda o santuário como referência no turismo religioso. E Itabira está mais próxima de Belo Horizonte do que Curvelo, por exemplo, localizada a quase 170 quilômetros da capital e onde há um santuário a São Geraldo.
Como está o andamento do projeto?
Logo que cheguei, observei os trabalhos que já tinham sido feitos. Pedi ao bispo que me desse autonomia. Montei uma comissão com engenheiros, arquiteto, publicitário, advogado e fieis devotos de São Geraldo Majela atuantes nos setores público e privado. Esses, a princípio, são a comissão técnica que está me assessorando na parte da execução do projeto. Temos realizado reuniões periódicas.
Há um valor estimado?
Essa obra está orçada em aproximadamente R$ 2 milhões. Estamos lutando para que seu custo total seja
pago pelo povo. Na Igreja, contamos com as ofertas. O que vai nos impulsionar é a Providência Divina. Todo o povo de Deus é convidado a participar por meio de doações. Temos duas contas bancárias e faremos muitas ações para angariar os fundos.
Como será a estrutura?
O Santuário ocupará uma área total de quatro mil metros quadrados. Haverá um prédio anexo que abrigará o setor administrativo e a secretaria. O templo será no centro do terreno com uma área de mil metros quadrados e, ao redor, uma área para sanitários, salão de eventos e pequenas salas. Será uma arquitetura moderna, com identidade própria. Não haverá inspiração em santuários como o de Curvelo ou de Materdomini, na Itália.
Há previsões de início e término da obra?
Para concluirmos o projeto, vamos dividi-lo em etapas. A primeira será construir a parte administrativa e a secretaria para dar um suporte e, futuramente, passarmos para a construção do templo. Haverá o Jubileu de São Geraldo Majela, de 9 a 18 de outubro, em Itabira. Queremos, nessa data, retomar o projeto com muita força. No dia 18, vamos lançar a pedra fundamental do santuário. É algo inédito para a cidade e para a nossa Diocese. Trata-se de um caixote de pedra, no qual serão depositados vários documentos que ficarão registrados na história. Haverá uma ata assinada pelo Bispo, pelo responsável pela obra e por algumas personalidades e devotos de São Geraldo Majela. Colocaremos, ainda, uma bênção apostólica. Aí, então,vamos aguardar a vontade de Deus. Não há ainda data prevista para o término da obra.
Depois de pronto, como o santuário será mantido?
Precisamos entender que um santuário é como uma igreja comum. Sobrevive com doações, dízimos, ou
seja, participação da comunidade que ali faz suas orações. Além disso, com o Santuário de São Geraldo
Majela pronto em Itabira, já pensamos nas romarias, visitas de turistas e uma circulação impulsionada pelo turismo religioso.
Como o senhor avalia a força do turismo religioso?
Na área comercial, há um aumento significativo da geração de empregos. O comércio ganha, a rede de hotelaria também. Volto a dizer que o primeiro objetivo é lidar com a fé. Mas o consumo aumentará, gerando assim mais receita para a cidade.
Órgãos como a Prefeitura de Itabira e a Câmara de Vereadores já foram procurados para também participarem deste projeto?
Estamos nos reunindo com representantes de entidades aos poucos. Já tivemos um encontro com o prefeito, que se mostrou interessado no projeto. Mas a obra é do povo. Por exemplo, no dia 9 de outubro,
aniversário da cidade, será a abertura do Jubileu de São Geraldo Majela. Aí, sim, entra o papel de parceria da Prefeitura de Itabira. Não é simplesmente dar dinheiro, isso não é nem pedagógico.
O padre Francisco Guerra vinha tendo um papel significativo na construção do Santuário. A sua saída influenciará no andamento das ações?
O padre Francisco teve um ótimo trabalho como pároco da Catedral. Ele foi um dos que não deixou aquele terreno ser tomado da igreja, ajudou a articular toda a documentação para mantê-lo. Indo embora agora, ele vai fazer muita falta. Por diversas vezes, o padre Francisco acreditou neste santuário. Ele quer ver o projeto executado.
Como os fieis podem ajudar? O senhor gostaria de deixar o número das contas?
As doações para o Santuário de São Geraldo Majela em Itabira podem ser feitas na agência 0767-6 do Banco do Brasil, conta corrente 17.965-5, ou na agência 0119 da Caixa Econômica Federal, na conta poupança 3.042.072-4. Informações podem ser obtidas pelos telefones (31) 3831-8146 e 3831-3844, e pelo site www.saogeraldomajela.com.br.