Amepi em tempo de fim de crise e luta pela vida
Nozinho, presidente da Amepi, abre a reunião de julho
Na manhã desta sexta-feira, 31 de julho, a Associação Microrregional dos Municípios do Médio Piracicaba (Amepi) recebeu executivos da Vale, Cemig, vereadores e consultores de negócios para a sua reunião ordinária mensal. A melhor notícia do encontro foi o anúncio do diretor de Ferrosos do Sudeste da Vale, Marcelo Guimarães Fenelon, sobre a visão da empresa, que visualisa o fim da chamada crise econômica internacional. Sem saber precisar a data em que a vida estará voltando ao normal, ele adiantou que o mercado está reagindo e a continuidade desse processo é imprevisível, mas palpável. Contudo, Fenelon reclamou da falta de agilidade nos projetos de mineração na região. O recado parece ter sido dirigido diretamente aos representantes dos municípios, embora seja a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Natuais (Ibama) os principais responsáveis por licenciamentos que estariam tornando lenta a caminhada dos investimentos, ao lado da crise econômica mundial.
Durante a reunião, comandada pelo prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo, Raimundo Nonato Barcelos, Nozinho (PDT), presidente da entidade, e secretariada pelo diretor-executivo Eduardo Quaresma, os prefeitos ouviram ainda exposição da empresa atcon.net a respeito de implantação de projetos de portais da internet pelas prefeituras, apresentação de gerentes da Cemig em Itabira e João Monlevade e reestruturação da Associação de Câmaras de Vereadores do Médio Piracicaba (Acavi). As outras etapas dos trabalhos foram divididas entre o tema economia mineral na região e duplicação da BR 381.
Além dos prefeitos que fazem parte da associação, estavam presentes Júlio Nery, gerente-geral de Relações Institucionais e Rodrigo Chaves, gerente-geral das Minas em Itabira, ambos da Vale.
ABERTURA
No início, falou o consultor Breno, da atcon.net, que apresentou proposta de criação de sites para as prefeituras. Ao mostrar a importância e a praticidade das homepages, afirmou: “O veículo mais prático e eficiente de comunicação nos dias de hoje é, sem dúvida, a internet, principalmente para as entidades públicas”. Em seguida, mostrou a multiplicidade de funções de um portal, com a velocidade e grande espaço para informações e a interação de ideias mantidas entre o órgão público e a comunidade.
Na segunda apresentação, fez rápida palestra o vereador Élson Sá, do PMDB de Itabira, que anunciou a reestruturação da Acavi e pediu apoio dos prefeitos na empreitada. Élson listou as vantagens que foram obtidas enquanto existiu a entidade no Médio Piracicaba, informando que na sua volta terá, também, a participação de representantes de câmaras municipais da Zona da Mata. Para reforçar a sua argumentação, chamou o atual secretário de Desenvolvimento Econômico de São Gonçalo do Rio Abaixo e ex-vereador de João Monlevade, Wilson Starling Júnior, que, em seu tempo, presidiu a entidade e a Câmara monlevadense.
Juninho Starling foi veemente em suas palavras ao defender a necessidade de união dos vereadores de todo o Brasil como condição indispensável à defesa dos interesse da sociedade. “Vivemos uma época de total insegurança jurídica”, afirmou o advogado, que atribui o fato ao desinteresse da classe política por temas importantes. Citou o caso em que o vereador Sebastião Eustáquio dos Santos, do PMDB de Barão de Cocais, está sendo processado pelo Ministério Público por razões que considera totalmente inadmissíveis.
FIM DA CRISE?
Marcelo Fenelon abriu sua palestra abordando a mineração como atividade que considera importante no contexto mundial da economia e da sociedade. “Sem a mineração e sem o minério de ferro não teríamos carros, eletrodomésticos e uma série de outros bens indispensáveis ao nosso dia a dia”, afirmou.
“Temos que dizer, infelizmente, que a Vale tem tido problemas com a condução dos projetos”, declarou, dando a entender que a sua fala seria recheada de notícias ruins. Aos, poucos, contudo, foi revelando um certo otimismo, mesmo moderado com relação à retomada do desenvolvimento econômico no mundo. Fenelon fez uma abordagem acerca da história da Vale e da relação com as comunidades — prefeitos, vereadores, entidades organizadas, as populações em geral que residem nas cidades de atuação da empresa ou na sua região de influência — e acrescentou que “a evolução não pode estar baseada apenas em informações históricas, mas também nas perspectivas do futuro”.
Aumentando um pouco o grau de otimismo em relação à moderação inicial, o diretor afirmou com todas as letras que a recuperação econômica já começou. “As perspectivas, hoje, são melhores que as de há três meses atrás”, salientou. “A Vale, em momento algum, adiou ou alterou os seus projetos de investimentos”, disse ainda; “apenas estamos reduziu a velocidade desses investimentos em virtude das dificuldades que enfrentamos no mercado internacional. A produção global começou a se recuperar”, registrou em sua fala, mas não deixou de mostrar que o lucro caiu. Nesta semana, a direção da empresa informou que ele foi menor em 81,5% no segundo trimestre deste ano.
Não só a crise econômica mundial segura o retorno da Vale à normalidade econômica. De acordo com o diretor de Ferrosos do Sudeste há uma lentidão que incomoda na aprovação de projetos ambientais. “O que discutimos é se vamos minerar ou não, porque estamos enfrentando uma dificuldade enorme para condução dos projetos em Minas Gerais”, denunciou, acrescentando que outras empresas também se defrontam com as mesmas questões.
Nos momentos mais interessantes de sua palestra, Marcelo Fenelon deu atenção à participação dos prefeitos: Wanderlei Ribeiro (DEM), de Bom Jesus do Amparo, além de focalizar o aspecto propriamente dito, o econômico, que motivou a presença de executivos da Vale na reunião, não se curvou em pedir apoio da Vale na maior reivindicação dos prefeitos e da comunidade atualmente: para a duplicação da BR 381, de Governador Valadares a Belo Horizonte; em seguida, o prefeito de Santa Bárbara, Antônio Eduardo Martins, Timbira (PTB), presidente da Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais, fez eloquente pronunciamento, com ar de um “mea culpa” dos políticos da região — “O tempo passa e as lideranças seguem perdendo terreno”, bradou em bom tom — em relação à principal rodovia de Minas Gerais; João Izael Querino Coelho, de Itabira, ex-presidente da Amepi, ressaltou os pontos positivos e os resultados obtidos na parceria da Vale com as prefeituras e enalteceu a legislação ambiental, elaborada e aplicada por setores competentes.
NEIDSON DE FREITAS
O presidente da Câmara Municipal de Itabira, Neidson Dias de Freitas (PP), foi convidado a falar sobre o movimento liderado por sua cidade de paralisação da BR 381, mas não quis perder a oportunidade e resolveu fazer os seus questionamentos à Vale acerca da crise. Pediu que Marcelo Fenelon precisasse a data de retorno da Vale “a dias normais”, mas não conseguiu o seu intento. Fenelon limitou-se a repetir que a empresa vê fortes sinais de recuperação, mas que a plena concretização de todas as esperanças depende da reação dos mercados.
Ao falar sobre o movimento que Itabira lidera, ao lado do prefeito João Izael explicou que a medida, tomada por várias lideranças políticas, sociais e econômicas de cidades que se localizam ao longo da BR 381, de Governador Valadares a Belo Horizonte, não é a mais adequada, ou a melhor possível. “Mas o estado das populações é preocupante, todas as medidas em busca de sensibilizar o governo federal têm sido tomadas e ainda não surtiram os resultados esperados”, explicou.
A data marcada para o movimento de paralisação do tráfego está confirmada: na quinta-feira, 13 de agosto. O local também escolhido e decidido: Trevo de Itabira, no município de Bom Jesus do Amparo. Esse trevo tem sido um tema repetido nas palestras, movimentos e reuniões, como exemplo da inércia do governo federal em relação à BR 381: nele o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) iniciou um projeto para melhorar o tráfego, acabou abandonando as obras no meio de seu cronograma e deixando o trecho em estado precário. Outros alvos de ataques dos usuários da rodovia tem sido as pontes inacabadas, cujos alargamentos tinham o objetivo de reduzir acidentes, mas os está facilitando, de acordo com as opiniões dos prefeitos.
No final da reunião, falou ainda o prefeito de São José do Goiabal, Weber Americano (PMDB), que faz parte de praticamente todas as comissões de trabalho que atuam em prol da duplicação da “Rodovia da Morte”. Ele mostrou como seguem as providências das lideranças regionais na busca de solucionar o cruciante problema, eleito como a principal meta dos prefeitos do Médio Piracicaba. As perspectivas de soluções do impasse da liberação de verbas não são as melhores. Para não dizer que em toda reunião há sempre um comentário considerado mais interessante, no final do encontro desta sexta-feira, em João Monlevade, a notícia mais badalada foi a transmitida por Wanderlei Ribeiro sobre a rodovia que liga Belo Horizonte a Pará de Minas. Ela está em obras aceleradas de duplicação, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Estamos numa região muito mais rica e a nossa verba foi retirada do PAC”, comentaram os presentes.