Dnit promete obras na rodovia da morte

Pistas estreitas, curvas em demasia e excesso de caminhões levam motorista a dirigir com impaciência e a fazer manobras radicais

Em meio à repetição de tragédias e à lentidão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), usuários da Rodovia do Morte podem ver de longe a luz no fim do túnel. Depois de tanto esperar pela duplicação e modernização do trecho de 316 quilômetros entre Belo Horizonte e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, o primeiro passo para a sonhada obra deve ser dado nos próximos 15 dias, com a assinatura de convênio para contratação das empresas vencedoras do edital de elaboração do projeto executivo. Cobrar sua transformação em realidade deve ser a meta do estado, do Legislativo, prefeitos e comunidade, uma vez que a verba para início do trabalho não está no Orçamento da União.
 
O projeto executivo é dividido em 10 lotes e, por enquanto, apenas oito devem ter a contratação garantida, pois durante o processo de licitação nenhuma empresa se interessou por dois deles. Até o mês que vem, devem ser contratadas empreiteiras sem licitação para cuidar desses trechos, considerados os mais complicados, porque exigem obras mais complexas, como abertura de variantes.
O prazo para desenvolvimento do trabalho é de até um ano, mas, segundo o engenheiro-supervisor do Dnit em Minas, Alexandre Oliveira, será pedida às empresas antecipação do cronograma. Passado esse período, se o Ministério dos Transportes liberar recursos, deve ser lançado o edital para contratação de empreiteiras e, em seguida, iniciada a busca de recursos para a duplicação. O sonho, no entanto, só será concretizado em pelo menos seis anos, tempo necessário para a conclusão de toda a obra. “Se não houver atraso e entraves burocráticos, na melhor das hipóteses podemos começar a executar o projeto em um ano e meio”, afirma. Caso até lá as estatísticas do último ano se repitam, mais 900 vidas serão perdidas por causa da lentidão do poder público. Somente em 2008, foram 138 mortes no trecho até Valadares.
Apesar de a medida ser uma esperança para motoristas e pedestres no trecho que registrou mais de 8 mil acidentes no ano passado, dois órgãos do governo federal divergem sobre o destino da Rodovia da Morte. Enquanto o Dnit segue o processo para duplicação, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) elabora estudos para concessão da rodovia à iniciativa privada. A estimativa do estudo de viabilidade é de que a reforma custe mais de R$ 3,1 bilhões, o equivalente a R$ 10 milhões por quilômetro.

Paliativos

Diante do longo período até a conclusão das obras, deputados estaduais e prefeitos, pressionados pela comunidade, encabeçam a frente por um novo rótulo para o trecho: Rodovia da Vida. Na manhã de segunda-feira, representantes da Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e membros da Frente Parlamentar em Defesa da Duplicação da BR-381, acompanhados de técnicos e especialistas, visitaram os trechos com maiores índices de acidentes para propor paliativos que possam reduzir o número de acidentes, enquanto não é decidida a duplicação

No mês que vem, 43 radares devem ser instalados na rodovia como medida emergencial para coibir abusos, como alta velocidade e ultrapassagens em pontos proibidos. Além disso, estudo feito a pedido dos técnicos deve ser encaminhado ao Dnit, com outras propostas que podem ajudar na redução de acidentes. A instalação de sonorizadores e o reforço na sinalização são medidas que também podem ser adotadas.