Comissão discute moradia dos bairros Vila Paciência e Drummond

Audiência pública prossegue durante todo o dia

Moradores dos bairros Vila Paciência e Drummond (Sem-Teto) lotaram a Câmara Municipal de Itabira na manhã desta quarta-feira, 3 de junho, na audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O objetivo do encontro é discutir a atual situação dos dois bairros, que se veem diante da possibilidade de deixarem suas casas.
 
A audiência foi requerida pelo deputado Durval Ângelo (PT) e acompanhada pelo deputado Ronaldo Magalhães (PSDB), representantes de associações das duas comunidades, do executivo e do legislativo municipal. O bairro Drummond, ocupado por cerca de 300 famílias, enfrenta uma causa judicial de reintegração de posse à família Rosa, proprietária do terreno. A Vila Paciência é um bairro vizinho à área operacional da Vale, onde moradores estão negociando a venda de suas casas com a mineradora.
 
Drummond
O presidente da associação dos moradores do bairro Drummond, Adilson Gualberto Campos, disse que “a situação é de miséria e não é cena de filme”. Ele acusou o município de não dispor de políticas públicas que atendam à necessidade de moradia do bairro. “Não estamos pedindo cesta básica. Queremos o direito de ter onde morar”.
 
Ao lado dele, a secretária de ação social, Maria das Graças de Carvalho Lima, confirmou que grande parte das referidas famílias não se encaixa no programa do governo – 85 do total de 300 são compatíveis –, mas ressaltou que os critérios seguem as regras do Ministério do Desenvolvimento e Combate à Fome. “Participo de causas sociais e sou muito solidária a estas manifestações”, disse a secretária, ao citar o Programa Minha Casa, Minha Vida como uma possibilidade de solução para o déficit habitacional no município.
 
Vila Paciência
O caso da Vila Paciência, apesar de ser diferente, teve a mesma importância na audiência. O advogado e morador do bairro, Marcial Antônio Peixoto de Mello, foi o primeiro a se pronunciar e se revelou como autor da denúncia de constrangimento, por parte da Vale, à comissão de Direitos Humanos. “A Vale negocia com quem ela quer e como quer. Estamos ameaçados”, afirmou.
 
A filha do advogado, também especialista da área de direito, Sabrina Torres Peixoto de Mello, também se apresentou e faz críticas ferrenhas à mineradora. “Uma casa com as condições que temos custa hoje, em Itabira, mais de R$ 1 milhão. A Vale está querendo nos pagar R$ 100 mil ou R$ 200 mil”, pontuou Sabrina. As discussões sobre a causa social prosseguem o dia todo e contam com depoimentos de diversos representantes políticos e comunitários.