Depredadores que atacam praças em Itabira podem estar na rota de serem desmascarados
O secretário de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de Itabira, Rodrigo Zeferino Gomes, tem encontro, nesta terça-feira, em Belo Horizonte, com representante de fornecedores de câmeras de vídeo. É mais uma tentativa de importar equipamentos para instalação nos pontos mais atacados por marginais ou vândalos, como a praça do Areão e o Parque da Água Santa, […]
O secretário de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de Itabira, Rodrigo Zeferino Gomes, tem encontro, nesta terça-feira, em Belo Horizonte, com representante de fornecedores de câmeras de vídeo. É mais uma tentativa de importar equipamentos para instalação nos pontos mais atacados por marginais ou vândalos, como a praça do Areão e o Parque da Água Santa, na cidade.
A comunidade itabirana, por meio de e-mails, telefonemas e comentários na coluna de Bernardo Mucida (ver “A cidade e os símbolos”, nos colunistas), tem pedido socorro para a praça do Areão e outros pontos constantemente depredados na cidade. A reportagem procurou chegar à causa, em busca de soluções para o problema.
PRAÇA DO AREÃO
Em visita à praça do Areão, DeFato constatou, mais uma vez, como é a educação de muitos jovens itabiranos, até mesmo da alta sociedade. Quem quiser ver é só ir lá. Pelo menos, em dois dias da semana passada, à tarde, a reportagem flagrou rapazes e moças, adolescentes, em pleno ato sexual. DeFato chegou a fotografar um rapaz de “calças arreadas” ao lado de sua parceira. Isto na sexta-feira, dia 8 de maio, às 16h40.
Naquele momento, outros casais estavam, também, muito à vontade no espaço, que pertencia à Vale, foi entregue à Prefeitura, tornando-se, a partir daí, praça pública e aberto ao povo.
A praça é um dos pontos dos Caminhos Drummondianos, onde está o poema “O maior trem do mundo”. Devido à sua localização, é um dos mais visitados por turistas. E que boa impressão levam de Itabira, imaginem!
Segundo o secretário Rodrigo Zeferino, em 2007/2008, seriam instaladas câmeras do programa Olhar Atento nesse local. Contudo, quando estava sendo montada a licitação para aquisição de equipamentos, que são importados, houve uma supervalorização do dólar. O fato impediu a realização do investimento. Agora, porém, diante da extrema necessidade, a Prefeitura está tentando, de novo, viabilizar concretização do programa.
Já existe um ronda fazendo vigilância no local. Mas como se vê, é ineficiente o seu trabalho porque, especificamente nesse local, os vândalos atacam durante o dia, enquanto o vigia trabalha à noite. O local já contou, também, com vigilância diurna. Na época, o funcionário da Itaurb informou a DeFato que os “filhos de papais faziam suas atrapalhadas e corriam”, ou nem ligavam para admoestações.
PARQUE DA ÁGUA SANTA
Outro problema para a cidade é o Parque da Água Santa, onde um vagão de ferro foi incendiado, há algum tempo e o mato faz medo “até em cobra”, como definem alguns motoristas de táxis que atuam na Rodoviária Genaro Mafra, vizinha do espaço construído pela Vale como condicionante da Licença Operacional Corretiva (LOC). A negociação ocorreu durante o governo de Jackson Alberto de Pinho Tavares, do PT (1997-2000). No governo seguinte, de Ronaldo Magalhães, quando a maior parte das condicionantes foi executada, a comunidade, que representou entidades itabiranas, não abriu mão de espaços de lazer e esporte.
O Parque da Água Santa também é visitado por marginais ou cidadãos que procuram lugares “reservados” para suas relações sexuais, sejam casais ou homossexuais. Num dos pontos do parque, na subida da antiga rua Caminho do Poço, alguém com espírito irônico pintou a palavra “Matel”. A interpretação é “mato e motel”, duas expressões que parecem combinar, pelo menos naquele local central de Itabira.
A Secretaria de Desenvolvimento Urbano informa que está negociando com ONGs que pretendem assumir o projeto, além de empresas que estariam em condições de manter a vigilância do local com a sua manutenção. O secretário Rodrigo Zeferino disse, ainda, que foi contratada a empresa Nova Luz, que está fazendo o trabalho de limpeza das praças e dos parques, com corte ou poda de matos e gramas.
CONCLUSÃO
Em entrevista a DeFato, Rodrigo Zeferino acabou despertando na reportagem a idéia de ser feita uma investigação mais aprofundada. A reportagem confirmou com alguns líderes comunitários que informaram que a exigência de que algumas condicionantes fossem representadas por praças de esporte, áreas de lazer e parques teve muita radicalização. Para Zeferino, muita coisa não deu certo. É o caso, por exemplo do Parque BelaCamp, situado entre os bairros Campestre e Bela Vista.
Local de prostituição, tráfico de drogas, encontros suspeitos, até mesmo os vigilantes que lá atuam sabem disso. E mais: espaços saqueados, pichados e destruídos, como o foi, anteriormente, nas proximidades, o Parque das Acácias.
Apesar de tudo, alguns parques ou praças construídos pela Vale continuam sendo bem aproveitados. É o caso, por exemplo, do Centro de Esportes e Lazer do Gabiroba, administrado pela associação comunitária da região, e pelo campo de futebol e ginásio da Vila Paciência/Penha, entregue ao clube de futebol Ivipa. Ao todo, foram construídas praças e parques nos seguintes bairros: Nova Vista (Parque das Acácias), Bela Vista/Campestre (BelaCamp), Bethânia/Madre Maria de Jesus, Juca Batista, Gabiroba, Praia e Centro (Parque da Água Santa).