Uma mulher entre os bombeiros enfrenta o perigo em São Sebastião do Rio Preto

Patrícia Alves Carvalho, de 35 anos, é 2º sargento do 3º BBM de Belo Horizonte

Uma mulher, entre 22 homens, mergulha nas águas turvas do agora caudaloso rio Preto. O extenso percurso fluvial inicia-se na localidade de Cabeça de Boi, em Itambé do Mato Dentro, e deságua no Santo Antônio, dentro do município de São Sebastião do Rio Preto. Quem não tem medo do desafio de mergulhos, enfiadas em tocas de pedra e outros riscos chama-se Patrícia Alves Carvalho, tem 35 anos de idade, é 2º sargento do 3º BBM de Belo Horizonte e, por cima, ministra aulas de natação no seu agrupamento de bombeiros.
 
DeFato flagrou a nadadora entre outros, uma “bendito o fruto”, de rosto alegre, mas compenetrada no trabalho que está dedicando no momento. “Pedi para fazer parte deste grupo que aqui está e esta é uma das mais arrojadas experiências de minha vida profissional, e nunca vi nada igual”, disse a sargento.
 
Patrícia, ao descer de uma caminhonete para o horário de almoço, na localidade de Rio Preto, confessou e mostrou-se emocionada. “Os bombeiros aprendem muitas técnicas de trabalho, mas nem sempre têm a oportunidade de praticar todas. Aqui, neste trabalho, estamos diante de surpreendentes desafios”, confidenciou à reportagem.
 
A tarefa do grupo era encontrar cinco pessoas, que foram arrastadas de dois córregos, localizados no arraial de Rio Preto, município de São Sebastião do Rio Preto, no leito de um dos três rios que banham o município — Preto, Peixe e Santo Antônio. A tarefa tinha sido cumprida, em parte, até a noite deste sábado, 28 de março. Faltava um corpo, o de uma criança, a ser resgatado.
 
Era meio-dia. Poucos minutos foram reservados para o almoço. O retorno à atividade, tão rápido, talvez não necessitasse da retirada dos equipamentos do corpo. Os companheiros de trabalho de Patrícia informavam que sobrou, como última empreitada, encontrar o corpo de Kely Marly, de 12 anos. Um dos colegas de Patrícia comentou: “Por ser mais novo e mais frágil, esse corpo demora a aparecer no teto das águas, mas esperamos resolver essa questão o mais rápido possível para aliviar a tensão dessa numerosa família”.
 
A reportagem insistiu: “Você veio por que foi escalada ou por que se ofereceu?” E a jovem sacerdote da salvação humana, que vive sempre perigosamente, repetiu a reposta: “Pedi que fosse escalada e consegui a tarefa”.