Reitor da Unifei: “Vai nascer em Itabira o maior complexo universitário do Brasil na área de engenharia”
Reitor Renato de Aquino Faria Nunes
Mais um passo decisivo e efetivo aconteceu na manhã desta terça-feira, 10 de março, no Gabinete do Prefeito, com referência à implantação do Campus Avançado da Unifei, em Itabira. Os projetos conceitual e arquitetônico, finalmente, estarão prontos em de uma semana, para apresentação, a um mês. A obra será licitada pela Prefeitura, a responsável pela edificação da obra, que investirá cerca de R$ 6 milhões; terá 3.500 m² de área construída e representará apenas um núcleo a ser utilizado, paulatinamente, por alunos, empresas parceiras e consultores. As informações são do reitor Renato de Aquino Faria Nunes.
“Não rejeitamos o projeto feito pela Prefeitura, apenas o redimensionamos. Vai nascer nesta cidade o maior centro universitário do país na área de engenharia tecnológica. Na verdade, não vamos construir uma universidade, mas um grande complexo universitário, que abrigará, inicialmente, de 30 a 50 incubadoras de empresas. Vamos construir em Itabira um modelo para o futuro e rompendo definitivamente com o passado”. Estas umas das palavras do reitor, que acabou citando a entrevista do professor Ademyr Gonçalves de Oliveira, coordenador do curso de Engenharia Ferroviária, a DeFato, como exemplo de que o seu discurso é coletivo, geral, do conjunto e não de Renato de Aquino.
O reitor emendou: “Itabira não tem tradição universitária; Itabira carrega tradição industrial. Vamos mudar isso, sabendo, de antemão, que a nova proposta rejeita o modelo do passado e adota o do presente com olhares no futuro”. Alguns exemplos ele citou, como o encaminhamento da prática paralelamente à teoria e a aplicação do trabalho do funcionário que lava o banheiro, por ele chamado de encarregado da higiene. “Esta figura participa ativamente da vida universitária; ele vai estar numa mesa de discussões de propostas do campus”, garantiu.
ITABIRA FRANCESA
“Quinze por cento de Itabira será composta de cidadãos envolvidos com a universidade. A cidade terá de 100 a 150 empresas incubadoras, no final, gerando no mínimo, cada uma, uma empresa de tecnologia por mês. Está sendo criada uma universidade auto-sustentável, que não sai de pires na mão procurando ajuda do poder público. A Vale vai criar três centros de tecnologia no mundo: um no Canadá, outro no Pará e o terceiro aqui em Itabira, dentro de nosso complexo universitário”. A equipe de Renato de Aquino e ele próprio proclamam assim, abertamente, essas máximas que ele reafirmou à imprensa na saída da reunião desta manhã.
E mais: “Não procurei somente pelo Brasil um modelo de complexo universitário, mas, sim, viajei pelo mundo. Aqui estamos sempre rediscutindo um novo processo pedagógico. Daí a pequena demora. Alguns outros pequenos percalços poderão surgir daqui para a frente, mas o nosso cálculo é inaugurar a primeira obra, o primeiro núcleo na área cedida pela Prefeitura, em março de 2010. Levaremos para o espaço os nossos alunos, incluindo dos novos cursos que serão implantados”. São também palavras ditas pelo reitor.
Alguma referência? Sim. Renato de Aquino Faria Nunes cita a cidade de Sophia Antipolis, localizada no sul da França, proximidade de Cannes como uma das principais referências que ele visitou, estudou, e adotou, finalmente como modelo. Itabira se moldando na França. Sonho? Diz ele que, mais do que tudo, é o que se planeja com segurança e consistência. “O complexo universitário que planejamos não pode ter menos de 100 empresas de tecnologia em sua volta. É um caminho plenamente viável. E posso dizer que a universidade já é realidade aqui, nada que está no papel apenas, pois ela saiu do papel e foi para o campo da realidade”, reafirmou.
Shophia Antipolis, vizinha de Cannes, cidade turística, foi criada no final da década de 1969 e hoje tem os seguintes números fornecidos pelo reitor: 130 mil habitantes; 1.400 empresas de tecnologia que faturam, anualmente, 6 bilhões de euros. Chamada também de Technopolis, a nova inspiração itabirana situa-se nas colinas além de Cannes.
PRÓXIMAS ETAPAS
“Até sexta-feira, 20 de março, o projeto arquitetônico estará pronto para ser executado. Em seguida, a Prefeitura abre processo de licitação para contratação de empresa que assumirá a construção do campus. Calcula-se que até março de 2010 seja concluída a obra. Esperamos que, em 2012, alcancemos o ápice do projeto universitário”, afirmou Renato de Aquino.
O professor Renato de Aquino, português da Ilha da Madeira, está entusiasmado e não deixa por menos: “Não faria alguma coisa que não fosse algo inédito, já disse isso”, garantiu. DeFato vem seguindo os seus passos desde 2005, quando o entrevistou em Itajubá. E ele informou o que acabara de ocorrer na reunião de trabalho: “Já avisei ao prefeito que os cerca de 600 mil metros quadrados que foram reservados para a construção do complexo universitário são insuficientes. Antes eram cerca de 400 mil, que a Prefeitura ampliou. Agora necessitamos de muito mais espaço”.
Itabira já tem os cursos de Engenharia de Materiais, Engenharia Elétrica e Engenharia de Computação e terá mais seis: Engenharia de Controle e Automação, Engenharia de Produção, Engenharia Mecânica, Engenharia Ferroviária, Engenharia de Gestão Ambiental e Energética e Engenharia de Saúde e Segurança Industrial. O próximo vestibular está agendado para dezembro deste ano.
Após a reunião da Prefeitura, o reitor e sua comitiva seguiram para o Sebrae, onde foram discutir uma das etapas de trabalho do dia-a-dia universitário, o Programa de Geração de Empreendedores.
Participaram da reunião desta manhã, na Prefeitura, além do prefeito João Izael Querino Coelho e do reitor Renato de Aquino Faria Nunes, o pró-reitor Luiz Gonzaga Mariano, os assessores diretos do prefeito Cândida Isabel Campos Morais (Gabinete), Raimundo Nonato Moreira (Desenvolvimento Econômico e Turismo), José Arimatéia (Obras) e Elaine Campos (Auditoria) e Roberta Mathias, Luiz Henrique Duarte e Cláudio Cabral (representando a Vale).