Campus Avançado da Unifei. Quem está preparado para a revolução cultural?

Explicações sobre o projeto da universidade

Nesta quinta-feira, 5 de março, DeFato, em companhia do assessor de Comunicação Social da Prefeitura de Itabira, jornalista Fernando Silva, teve uma aula interessante sobre a Unifei e sua proposta para Itabira, com duração de três horas. Iniciadas e comandadas pelo professor Ademyr Gonçalves de Oliveira, coordenador do novo curso a ser implantado, de Engenharia Ferroviária, das explanações e explicações participaram também os professores Gustavo Salgado e Fabiana Souza Guedes.
 
No primeiro contato com o professor Ademyr, um jovem de 28 anos, casado, pai de dois filhos, percebe-se, na fala técnica, a preocupação concentrada nesse aspecto, deixando de lado o fator emocional, que norteia o ineditismo da Unifei em Itabira. “A comunidade itabirana jamais pode sonhar com a mudança que representará a consolidação desta universidade aqui”, disse logo no início de sua aula. Ademyr esteve na Europa, mais precisamente na Alemanha, onde fez curso de pós-graduação em sua área específica.
 
Uma pergunta constante, que DeFato fizera ao prefeito, foi repetida ao professor: “Por que a demora da Unifei em liberar o projeto arquitetônico da obra?” A resposta de ambos resumiu-se numa só conclusão: o projeto de Itabira não se assemelha a nenhum outro; quem fez o primeiro esboço é um especialista em campus tradicionais; agora, contudo, a ideia não é mais a mesma de outros tempos. Os traçados virão da Bélgica, deu para entender, ou de algum especialista europeu, daqueles que conhecem a cultura do Velho Mundo.
 
ENGENHARIA NATURAL
 
As palavras de Ademyr soaram com a preocupação de mostrar o que será o Campus Avançado da Unifei de Itabira. “A nossa filosofia tem como princípio tornar o ensino de engenharia uma prática natural”. Como? É uma pergunta que tinha e tem que ser feita imediatamente, sem nenhum receio de se tornar inoportuna. Para exemplificar a sua definição da nova universidade, todos os recursos foram usados.
 
Um deles foi apresentar à reportagem um piano Friz Dobbert, ainda embalado. “Ninguém poderia imaginar que teremos cursos de música dentro do currículo de engenharia, não é?” — disse o professor que, todavia, deu como facultativo o aprendizado para alunos da universidade. Mas ele estendeu a sua explicação, mostrando que a peça, como outras similares que chegaram, junto de equipamentos de jogos eletrônicos, tem, ainda, o objetivo de atender a comunidade.
 
A demonstração de que o Campus da Unifei avança para os mais diferentes segmentos da sociedade, é, então, uma das características da proposta tratada com todos os cuidados possíveis pelo grupo de professores. “É a vontade de um europeu, o reitor Renato Aquino”, esclareceu em seguida. Renato Aquino Faria Nunes nasceu na Ilha da Madeira, em Portugal e adquiriu a sua formação técnica e acadêmica na Europa.
 
PRÁTICA E TEORIA
 
Haverá uma revolução no ensino de Itabira? — pergunta dirigida ao mestre que proferiu a importante aula mais prática que explicativa.  A resposta, sem vacilar: “Não apenas no ensino, mas haverá uma mudança radical na cultura da cidade e da região”, eis o posicionamento do mestre. Em quê, por exemplo? — novo questionamento. “Em tudo, dos costumes ao modo de vida, dos pensamentos à aplicação de aprendizagem”, uma nova resposta que enche de alegria todo aquele que anseia por mudanças positivas e definidas na vida social de uma cidade.
 
O ensino no Brasil vem sofrendo constantes e frequentes críticas de especialistas. O que vem ocorrendo? Fuga de alunos da sala de aula, repetência obrigatória, desinteresse geral. Qual o motivo? Até os mais antigos na tarefa de ensinar já sabem: os métodos continuam estacionários, imutáveis, intocáveis. Mas o Campus Avançado da Unifei de Itabira tem uma proposta que é solene e faz parte de sua filosofia de trabalho: primeiro a prática, depois a teoria, o contrário do que se fez até agora no ensino brasileiro.
 
Como? O exemplo foi arrancado da própria reportagem que sugeriu uma explicação para uma série de programas dos ensinos fundamental e médio, nos quais se “ensina” álgebra, teoremas e outras funções matemáticas e geométricas sem que o aluno entenda o seu significado e a sua utilidade. “Agora é assim: o laboratório se junta à sala de aula, primeiro praticamos e, depois, ensinamos o porquê”, resumiu em sua participação o professor Gustavo Salgado.
 
Na apresentação dos equipamentos que chegam às instalações do Itec, Ademyr e Gustavo mostraram um contêiner, uma espécie de mini sala de aula. "Teremos agora pelo menos quatro desses espaços, além de pequenas tendas que serão montadas em pontos diferentes da cidade para as nossas aulas itinerantes", explicou o futuro coordenador de Engenharia Ferroviária.
 
Computadores de todas os tamanhos para uso de todos, equipamentos de registros para aulas e uma lousa interativa fizeram parte da nova exposição, agora com a participação também da professora Fabiana Souza Guedes. Em poucos minutos, numa espécie de aula simulada, Fabiana mostrou como o professor trabalha, o aluno acompanha, destacando a possibilidade de gravação da aula que acaba de ocorrer. “Nós, professores, tivemos que nos preparar para esse novo método, arrojado e prático”, comentou a professora, que é itabirana e há pouco se ingressou nos quadros da Unifei.
 
REVOLUÇÃO CULTURAL
 
Até dezembro precisa estar pronto o primeiro núcleo componente da grande cidade universitária que nascerá no antigo Distrito Industrial 2 de Itabira. Ele terá 3.500 m², num espaço de 40 mil metros quadrados finais. Deverá abrigar o conjunto dos novos cursos, cujas aulas são realizadas em salas-laboratórios. O motivo que nos impõe a saída imediata do espaço da Funcesi está aí: as aulas são práticas e só se tornam teóricas na motivação levantada pelo aluno. "Sabemos que a terça-feira vem depois da segunda porque assim praticamos desde criança; somente depois é que explicamos, teoricamente, esta colocação, não é isso?" – Ademyr usa o exemplo para se tornar entendido.
 
"Muitas e muitas transformações ocorrerão em Itabira nos próximos anos, incluindo a implantação de um centro de pesquisa da Vale. Os ensinos de primeiro e segundo grau sofrerão substancial mudança. Enfim, haverá uma revolução não só nesta cidade, mas em toda a região com um impacto social positivo de grandeza inimaginável", concluiu o professor Ademyr Gonçalves de Oliveira para uma conclusão de DeFato, que pede desculpas ao leitor se ainda restaram dúvidas.
 
Na mais pessimista hipótese, em 2014 a Unifei de Itabira terá cinco mil alunos, prevê o professor. “No ápice, chegaremos a dez mil, isso não será tão significativo quando a proposta é envolver Itabira como um todo na filosofia de ensino, totalmente voltada para uma nova cultura que passará a comandar toda a cidade e a região. As cabeças vão ter que mudar, ninguém pode fugir desta realidade, a menos que queira ficar de fora. E tem mais: sem humildade nada se fará, entende-se a mensagem dos professores.
 
Afinal, a imprensa também necessitará de plena adequação às mudanças para entender e saber explicar a grande cidade educativa que começa a ser criada em Itabira. Finalmente, a terra montanhosa e empoeirada encontra a sua verdadeira vocação, que substituirá, em breve, a velha cultura extrativista mineral, dominadora do ambiente desde o século XVIII.