Secretarias andando na linha
Henrique Duarte Carvalho, secretário da Gerência de Programas Especiais de Trabalho da Prefeitura Municipal de Itabira, conta, em entrevista a seguir, que o desafio de coordenar as demais secretarias é grande, mas também é uma escola. Em sua primeira experiência na área pública, Henrique afirma que seu papel é manter na linha do plano de […]
Henrique Duarte Carvalho, secretário da Gerência de Programas Especiais de Trabalho da Prefeitura Municipal de Itabira, conta, em entrevista a seguir, que o desafio de coordenar as demais secretarias é grande, mas também é uma escola. Em sua primeira experiência na área pública, Henrique afirma que seu papel é manter na linha do plano de governo os secretários e fazer com que as ações aconteçam de maneira integrada e permanente. Por enquanto, um trabalho intensivo está sendo feito na estrutura interna, o que ele chamou de “trabalho dentro de casa”. Henrique Duarte é graduado, mestre e doutorando em economia.
Como será o trabalho de Gerência de Programas a partir desta gestão?
Essa é uma secretaria que já existiu. Inicialmente ela ficou a cargo de um planejamento, quando foi criada no governo Ronaldo [Magalhães], para acompanhamento do governo. Hoje, ampliamos o escopo de atuação dessa secretaria e ela ficou como principal responsável pelo planejamento e gestão executiva da prefeitura. Ou seja, fica a cargo dela, não só o planejamento das ações, mas o acompanhamento de todas as secretarias executivas. Poucas são excluídas, como a auditoria, a procuradoria jurídica, a ouvidoria, a assessoria, o gabinete e o governo. Todas as outras estão sujeitas à coordenação.
Como é este funcionamento?
Os secretários são os gestores de suas secretarias. Nós não estamos envolvidos com a rotina de cada secretaria. Na verdade estamos envolvidos com metas e planos macros. É muito comum que, no andar da carruagem, a rotina tome conta dos secretários. A demanda é muito alta. Nosso papel é fazer com eles não percam a linha do papel macro que é tão importante como suas rotinas. Um exemplo é o próprio direcionamento do plano de governo que é composto por ações. Nosso papel é planejar e acompanhar o resultado dessas ações.
Como você encara este desafio?
Essa é minha primeira experiência no setor público e encaro como um grande desafio. Nesse pouco tempo que estou aqui, deu para perceber que a responsabilidade é muito grande. Todo momento devemos nos lembrar disso, da responsabilidade que é gerir uma cidade. Então, de um lado temos a responsabilidade e do outro o desafio. Estou considerando isso como uma faculdade. A capacidade que a gestão pública tem de nos ensinar todo dia. É o tipo de trabalho que a gente não desprende dele quando vai pra casa.
E a crise?
A crise é algo que afetou nosso município. Itabira não é uma ilha isolada no mar revolto, como muitos pensavam. Durante um tempo, até representantes do Governo Federal acreditavam que o Brasil seria essa ilha. No caso de Itabira, temos de colocar alguns pontos importantes por causa de algumas características do nosso município. Ele tem sua principal base econômica a indústria extrativa mineral, representada pela Vale. E nesse sentido nós já sabíamos que íamos sentir os impactos.
A secretaria já tinha em mente estratégias e projetos com vistas à turbulência?
Interessante essa pergunta, porque não conseguimos responder até onde a crise vai. Essa resposta não tem pra gente e pra ninguém. O pior é que temos que fazer planejamento a curto prazo. E trabalhar no curto prazo causa uma série de problemas, porque não conseguimos fazer um planejamento maior, devido às perspectivas do mercado. Não temos uma segurança a respeito de como o mercado vai reagir. Aqui em Itabira temos uma base tributária muito ligada aos royalties do minério. O próprio FPM [Fundo de Participação dos Municípios] está sofrendo por parte da crise. Então o município não pode ser irresponsável quanto a seus recursos e orçamento.
Eu diria que a palavra de ordem da secretaria e austeridade. Nosso objetivo é buscar uma base, não estamos deixando de trabalhar por causa da crise. Se amanhã a prefeitura voltar a sua normalidade, em captação de recursos, estaremos preparados para isso.
Em termos de projetos e programas, o que já está sendo feito?
Já temos diversos programas em andamento, mas estamos num momento de planejamento interno. Não gostaria de usar o termo choque de gestão, mas estamos trabalhando dentro de casa, cuidando da nossa estrutura. Temos um prazo curto para fazer isso, mas esse trabalho já está bem avançado, formatado pela parceria de várias secretarias.
O que se espera como resultado é a criação de um grupo de confiança. É a metodologia para o nosso trabalho. Queremos formar relações entre as secretarias e a partir daí estaremos trabalhando num plano de ação para que os projetos sejam executados, baseados na questão orçamentária e na capacidade executiva de cada secretaria.