Itabirano dedica tempo livre à construção de pipas que são verdadeiras obras de arte

Pipa em formato de avião

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Pipas de todos os tamanhos e modelos, com uma variação enorme de cores, desenhos e livres de plástico ou qualquer outro material inorgânico. Na dedicação da composição destes brinquedos de criança, o itabirano Ciro Gomes de Castro ocupa suas tardes e fins de semana desde seus 15 anos, quando arranjou seu primeiro trabalho. Hoje, com 45, ele conta que, assim como os apaixonados por esportes radicais ou por música, que não medem esforços para se autorrealizarem, sua intimidade com a pipa se sobrepõe barreiras e tem fundamento lá na infância, numa época que não haviam muitas condições para o lazer.
 
O trabalho, que antes era só por diversão, passou também a ter um cunho educacional e comercial. Ciro Gomes narra que em 1992 começou a vender as pipas na feira livre – que na época funcionava no Mercado Municipal – e a partir de 1998 iniciou um trabalho junto às escolas, com oficinas e palestras sobre, principalmente, o não uso do cerol. “Às vezes as pessoas criticam e falam: ‘homem velho desses vendendo pipas rua afora’”. Mas os comentários não atingem o artista: “Como que nos Estados Unidos e em outros países, brasileiros fazem trabalhos muito mais difíceis e ninguém fala nada?”, analisa.
 
Modelos
Os modelos das pipas seguem a criatividade do autor. Existem alguns padrões, mas desde que a presilha seja alocada de forma correta, até carros podem voar. Gomes conta que quando não está de férias, seu tempo é reduzido, então, as encomendas são baseadas nos moldes que ele já tem certeza que vai alçar voo. Mas de vez em quando, o artista arrisca modelos ousados. As pipas mais tradicionais são: flecha, pescador, coração de boi, rotete, estrela, caixote, curubim, asa delta, águia e morcego.
 
Festival de Inverno
Ciro, há quatro anos, apresenta sua arte às crianças por meio de oficinas nos festivais de inverno de Itabira. Lá ele ensina, dá dicas de como brincar em segurança e aproveita para divulgar seu trabalho. Nas escolas, ele atua como voluntário desde 2000, sem nenhuma participação política. “Ganho com as pipas que vendo. Já teve ocasiões de conseguir vender até 400 em uma única escola”, lembra, sorrindo e dizendo que os preços são bem acessíveis: variam de R$ 1,00 a R$ 20,00, em média.