Affonso Penna volta à Santa Bárbara. Prefeitura realiza translado do mausoléu do ex-presidente santabarbarense
O bom filho à casa retorna. Esse famoso ditado popular vai expressar mais uma vez a volta de um filho à sua terra natal. Desta vez, o retorno é de uma personalidade ilustre, o ex-presidente Affonso Penna, que volta à Santa Bárbara.O regresso acontece hoje (13), quando a Prefeitura de Santa Bárbara, com ajuda de […]
O bom filho à casa retorna. Esse famoso ditado popular vai expressar mais uma vez a volta de um filho à sua terra natal. Desta vez, o retorno é de uma personalidade ilustre, o ex-presidente Affonso Penna, que volta à Santa Bárbara.O regresso acontece hoje (13), quando a Prefeitura de Santa Bárbara, com ajuda de diversos parceiros, entre eles, Associação dos Amigos de Santa Bárbara, Fundação Banco do Brasil, AngloGold Ashanti, Instituto dos Advogados de Minas Gerais e família de Affonso Penna, realiza o translado da urna funerária com os restos mortais deste que foi o primeiro mineiro a assumir a Presidência do Brasil, eleito por voto direto. O mausoléu chegou à cidade na quarta-feira (11) à noite.
O túmulo, onde também estão enterrados a esposa de Affonso Penna, Maria Guilhermina de Oliveira Penna, e seus filhos, Álvaro Augusto Moreira Penna, Olga Affonso Penna e Dorah Moreira Penna, deixou o cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, e será instalado na casa onde nasceu e viveu o santabarbarense, em Santa Bárbara.
No local, que está passando por um amplo processo de restauração, funcionará o Memorial Affonso Penna. A inauguração está prevista para 14 de junho, quando se completam cem anos da morte do ex-presidente.
O monumento onde estão os restos mortais de Affonso Penna foi inaugurado em 1912, três anos após a sua morte, e, provavelmente, esculpido na Itália. Ele foi confeccionado em mármore de Carrara por José Maria Oscar Rodolfo Bernardelli, famoso artista mexicano, radicado no Brasil em fins do século XIX. O tumulo é formado por quatro colunas arcádicas. Na cobertura encontra-se um vitral com a bandeira do Brasil. A figura, uma mulher chorando sobre a lápide de 3000 Kg, representa a República. O estilo do mausoléu é eclético, misturando Néo Clássico com Art Noveau.
De acordo com o bisneto do Presidente, o advogado Luiz Fernando Raja Gabaglia Moreira Penna, a família está muito grata e honrada com a iniciativa da preservação da história nacional e da memória de Affonso Penna, através da restauração da casa onde ele nasceu, transformando-a no Memorial, da conservação dos seus móveis, documentos e do túmulo com seus restos mortais.
Memorial – Localizada no complexo do Centro Histórico de Santa Bárbara, a Casa Grande, como é conhecida, além de ser um exemplar da arquitetura colonial, possui uma grande relevância histórica e simbólica para os santabarbarenses, pois nela nasceu, em 30 de novembro de 1847, o presidente Affonso Augusto Moreira Penna.
A casa mostra-se como uma evolução das típicas residências do período colonial, ainda não sendo encontrada uma data precisa de construção. Através das características de sua tipologia arquitetônica, supõe-se tratar de uma casa do final do séc. XVIII, com características marcantes do início do séc. XIX, como: janelas com vergas em madeira alteadas, porão habitável, janelas em guilhotina e vidro, um número considerável de aberturas, pé direito alto e uma solução mais complicada de telhado em quatro águas.
Por toda essa importância, a Prefeitura de Santa Bárbara deu início em 2007 à restauração do Prédio, que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA), estadual, propondo a reconstituição das características de sua tipologia arquitetônica original para abrigar o Memorial Affonso Penna.
A restauração do casarão e a construção do Memorial deverão custar cerca de R$ 1,5 milhão, sendo R$ 1 milhão do Ministério do Turismo e R$ 500 mil através de orçamento da Prefeitura.
O Memorial, conforme apresentado pela Museóloga Inês Coutinho, está sendo idealizado utilizando-se de padrões internacionais, através do resgate dos aspectos biográficos da personalidade. As salas serão tratadas museograficamente por temas que abordam as formas de vida, as características urbanas e arquitetônicas coloniais, a história política de Affonso Penna e a educação que recebeu no Colégio do Caraça, dentro de um contexto histórico e regional.
A proposta impõe um circuito cujos temas irão se sucedendo, de acordo com o conceito elencado. Entrando na casa, gratuitamente o visitante será introduzido a uma fascinante viagem que o transportará ao passado, através da arquitetura de época e da vida resgatada de Affonso Penna.
O acesso principal se dará pelo andar superior, visto que a edificação localiza-se em dois pavimentos. Será evidenciado o contexto regional, o traçado urbano com outras referências coloniais e a questão da arquitetura de época. Detalhes da edificação, característicos do estilo arquitetônico, serão destacados. Isto posto como base, será abordada a parte artística identificada na casa e na malha urbana. É o estilo barroco presente na cidade por intermédio dos mais legítimos representantes da arte mineira, que traduz a época.
Painel – Uma das grandes descobertas neste pavimento, após a sua restauração, e que fará parte deste acervo histórico, é um painel pintado em estilo rococó, com cenas profanas representando alegoricamente os quatro continentes até então conhecidos no século XVIII, sendo África, Europa, Ásia e América.
A pintura, encoberta há mais de cem anos sob o forro da sala principal do antigo casarão de Affonso Penna, contém elementos típicos dos quatro continentes. Na África, destaca-se animais característicos como o leão e o elefante. Na Ásia, a valorização dos aromas, com presença do incenso e ervas. Na Europa, valorização da ciência, das conquistas e o domínio do mundo no período, com destaque para bandeiras, globo terrestre e instrumentos científicos. Já na América, predomina-se a valorização do tropical, com presença de animais silvestres, como arara vermelha e macaco, e coqueiros com frutos.
Já no andar térreo (porão) da casa será abordada a origem do município e os aspectos econômicos, destacando, principalmente, a história da mineração, já que o memorial abrigará a Mostra da Mineração Regional. O objetivo será homenagear os feitos do ex-presidente que, em seu governo, incentivou o desenvolvimento ferroviário e a interligação dos estados através da ferrovia, sem a qual não seria possível o progresso da mineração, fonte de desenvolvimento da região. A área de acervo, também prevista para o mesmo pavimento, cumprirá papel de uma pequena biblioteca pública.