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A CPI do INSS volta do recesso, mira Lulinha, mas tem futuro incerto

Prorrogação da CPMI do INSS depende de Davi Alcolumbre, presidente de Senado- Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A CPI do INSS após o recesso parlamentar retoma os trabalhos na próxima quinta-feira (5) com incertezas sobre o seu futuro.

A oposição ao governo Lula tenta prorrogar os trabalhos da comissão por mais dois meses a contar do final de março, quando o prazo regimental de 120 dias é completado.

A ideia é explorar o possível envolvimento de Fábio Lula da Silva (o Lulinha), filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A estratégia pode não dar certo, esbarrando na resistência de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, a quem cabe a decisão final de estendê-la ou não.

A CPI é mista, composta por 16 senadores e 16 deputados. A ideia de estender a CPI desagrada o Palácio do Planalto. Interlocutores do presidente do Senado ouvidos sob anonimato afirmam que Alcolumbre não pretende prorrogar o colegiado, e dois integrantes da comissão admitem o enterro da comissão.

Um aliado de Alcolumbre que acompanha de perto as articulações nos bastidores para o encerramento da comissão, admite que “a CPI vai virar palanque eleitoral se for prorrogada. Todo mundo acha que ela já deu”.

A oposição tenta ouvir em comissão o filho do presidente Lula depois que a Polícia Federal (PF) comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga a possível participação de Lulinha como “sócio oculto” do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, o principal nome do esquema investigado pela PF.

Em 4 de dezembro a comissão já havia rejeitado um requerimento de convocação de Lulinha apresentado pelo deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS),

Outros três pedidos não apreciados foram submetidos às vésperas do recesso, tornando a CPI má recordista em requerimentos apresentados entre as comissões parlamentares de inquérito.

A oposição aposta em desgaste de Lula se houver prorrogação da CPI por mais dois meses, em véspera da eleição presidencial.

“O que preocupa o governo é o INSS, que pode implodir a reeleição de Lula”, afirmou uma fonte.

Alguns integrantes do colegiado admitem que o calendário eleitoral pesa contra a prorrogação, porque o ritmo intenso da CPI leva os deputados e senadores a permanecerem por mais tempo em Brasília no momento em que os parlamentares costumam retornar às suas bases eleitorais em seus estados, em busca de reeleição.

A descrença dos parlamentares em estender a CPI se deve ao alinhamento de Alcolumbre com o governo. Alcolumbre é hoje o principal aliado de Lula no seu partido, o União Brasil, e apadrinha indicações na Esplanada e em diversas agências reguladoras.

O receio do Planalto com a possibilidade da convocação de Lulinha na CPI e ter os sigilos quebrados faz com que o presidente do Senado tenha suas razões para evitar a prorrogação da comissão.

Alcolumbre atuou junto da base do governo para enterrar requerimentos da quebra de sigilo bancário e fiscal do seu chefe de gabinete, Paulo Bodens, que entrou na mira da CPI depois de um relatório do Coaf apontar que ele recebeu R$3 milhões de uma empresa supostamente vinculada ao Careca do INSS, pivô do esquema de fraudes.

Em troca desses favores, Alcolumbre atuou em busca de votos para derrubarem os requerimentos que queriam a convocação de José Ferreira da Silva (Frei Chico), irmão de Lula e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), uma das entidades investigadas pelos descontos indevidos em aposentadorias.

Na representação da PF enviada ao ministro do Supremo, André Mendonça, a PF destaca a possibilidade de um “vínculo indireto” entre o Careca do INSS e Lulinha a partir da relação deste como pivô do esquema e a empresária Roberta Luchsinger.

Mas própria PF ressalta que não há indícios robustos da participação de Lulinha nas condutas relativas aos descontos indevidos das associações fraudulentas.

*Fonte: O Globo

 

 

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