A delação de Daniel Vorcaro necessita ser ampla, geral e irrestrita
A cafajestada política e policial não precisa acabar em saborosa pizza

O Brasil ficará devendo “impagável” obrigação a Daniel Bueno Vorcaro, o mineirinho come quieto. Claro. Se o ex-banqueiro falastrão der incondicionalmente com a língua nos dentes. Resta, no entanto, uma exigência capital. A mega traição não pode se transformar em sonho de uma noite de verão. E, aqui, neste ponto, migro de Shakespeare para conversas de boleiros do esporte bretão. Veja bem. A cafajestada política e policial não precisa acabar em saborosa pizza.
Neste ponto, a minha desconfiança de caipira montanhês entra em campo. O nosso olhar de soslaio não dissimula estranho pressentimento. Tudo vai dar em nada. Ando andando com uma preocupação com razão de ser. Segundo pornográficos burburinhos de bastidores, o santo da Lagoinha topou fazer colaboração premiada com ressalvas. E quais seriam as honrosas exceções do mais intenso dedurismo de todos os tempos? As fofocas intramuros vazaram que o arruaceiro das Alterosas não estaria disposto a apontar o dedo indicador na direção de membros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O astro belorizontino toparia- em troca da preservação do seu cintilante pescoço- botar na frigideira ilustres políticos, grandes empresários, artistas de renome e até porta-vozes de Deus, os homens das sacolinhas. Os supostos guardiões da Constituição, no entanto, não entrariam na equação vorcariana. Assim, a dantesca barca do Caronte tupiniquim não transportaria os nossos imponentes “capas pretas”.
E por que a “nobre” turma dos penduricalhos ficaria fora de tão escandalosa enrascada? Acaso, os magistrados do andar superior se situam também acima do bem e do mal? Estes atores- e como representam bem – são entidades divinas enviadas ao bananal para resgatar das brasas do inferno o mais sublime exemplar do espécime humano, o brasileiro? Brincadeiras têm hora! A terra dos papagaios é paraíso de uma vastidão de pecadores. Nestas bandas do planeta, os hereges são maioria. Esta é a principal causa da proliferação de espeluncas- em forma de igrejas- em todo o território nacional.
Mas, convenhamos. A delação de Vorcaro é oportunidade única de resgaste moral e ético. Este é o momento exato para se estancar a hemorrágica corrupção tapuia. E preste a atenção. A língua solta do “anjo” Daniel só terá eficiência sob condição exponencial: o tão aguardado matraquear obrigatoriamente necessita ser amplo, geral e irrestrito. Todo o mundo que se meteu na máster bandalheira tem o seu respectivo pato a pagar. Haja bandejas de São João para tantas cabeças.
Sobre o colunista
Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.




