“A responsabilidade é minha”: Artur Jorge assume culpa após derrota do Cruzeiro para o Santos

Treinador reconheceu atuação muito abaixo do esperado no primeiro tempo, reagiu a perguntas na coletiva e viu a Raposa desperdiçar a oportunidade de entrar no G4 do Brasileirão

“A responsabilidade é minha”: Artur Jorge assume culpa após derrota do Cruzeiro para o Santos
Foto: Caique Coufal/Cruzeiro

A derrota para o Santos por 2 a 1, na noite de sábado (12), na Vila Belmiro, em São Paulo, deixou o Cruzeiro com a sensação de uma oportunidade perdida na disputa pelas primeiras posições do Campeonato Brasileiro. A equipe celeste precisava apenas de uma vitória para entrar no G4, ultrapassando o Fluminense, que foi derrotado ontem pelo Atlético. Porém, diante de uma atuação especialmente ruim no primeiro tempo, terminou a 27ª rodada ainda na sexta colocação, com 42 pontos.

Depois da partida, o técnico Artur Jorge não tentou esconder a insatisfação com o desempenho apresentado. Para o português, o problema esteve principalmente na postura competitiva antes do intervalo. O treinador reconheceu que o time permitiu ao Santos criar oportunidades demais e construir uma vantagem que acabou sendo determinante.

“Resumidamente, o que posso dizer em relação ao jogo é que fomos penalizados pela primeira parte fraca que fizemos. Acabamos por permitir a vantagem do adversário. Os jogos têm que ser de uma consistência competitiva mais alta e nós tivemos uma primeira parte bem fraca para o que deveria ser nosso jogo”, avaliou.

A análise do comandante, porém, não ficou restrita ao comportamento coletivo. Ao ser questionado sobre os motivos para uma atuação considerada apática e sobre a responsabilidade pelos resultados negativos, Artur Jorge demonstrou irritação com a formulação da pergunta e assumiu para si a responsabilidade.

“A responsabilidade é minha. Vocês querem encontrar um culpado… quando perdemos, o culpado sou eu. Eu sou a cara dos resultados. Quando ganhamos, ganhamos todos. Quando perdemos, sou eu que perco”, afirmou.

O treinador também foi questionado sobre a manutenção de jogadores entre os titulares mesmo quando apresentam rendimento abaixo do esperado. Artur Jorge defendeu suas escolhas e explicou que a definição da equipe passa pelo trabalho realizado durante os treinamentos.

“O 11 de hoje é exatamente aquele da última vitória. Jogadores que têm entrado bem, continuam a entrar, têm jogado o tempo que é possível. Quem joga e quem não joga é dar seu melhor em treino, para ser opção. No Cruzeiro, como em qualquer outra equipe, existem jogadores mais titulares do que outros. O normal em uma equipe em que não há 25 jogadores iguais”, disse.

Artur Jorge admitiu que houve uma reação do Cruzeiro na etapa final, mas considerou insuficiente para apagar o que havia acontecido anteriormente. “Melhoramos pouco na segunda parte, mas melhoramos um pouco. Tivemos alguma ascendência. O resultado acaba por nos penalizar por aquilo que foi a nossa não capacidade e competitividade na primeira metade”, completou.

Ao final, o português resumiu o sentimento deixado pela noite na Vila Belmiro como frustração, mas evitou tratar o momento como sinal de que todo o trabalho realizado até aqui esteja comprometido. “Sentimento de grande frustração. Meu e dos jogadores, que podem lamentar por todo o desempenho. E obviamente da torcida também. Mas não podemos sacrificar e pensar que está tudo errado”, afirmou.

Santos aproveita primeiro tempo ruim do Cruzeiro

A partida começou com o Santos impondo um ritmo que o Cruzeiro não conseguiu acompanhar. Mesmo sem utilizar todos os seus principais jogadores, já pensando no confronto decisivo contra o Atlético pela Copa Sul-Americana, o time paulista encontrou espaço para atacar desde os primeiros minutos.

O estreante Everton Cebolinha e Gabriel Bontempo participaram dos principais momentos ofensivos do Peixe. Do outro lado, o meio-campo celeste teve dificuldades para controlar a partida. Matheus Henrique e Gerson erraram passes e não conseguiram impedir a progressão dos donos da casa.

O volume santista acabou transformado em vantagem aos 27 minutos. Benjamin Rollheiser recebeu em uma jogada ofensiva e colocou o Santos à frente.

O Cruzeiro não conseguiu reagir e sofreu o segundo golpe apenas quatro minutos depois. Gabriel Bontempo apareceu livre dentro da pequena área, e Fabrício Bruno tentou impedir que a bola chegasse ao jogador. Na tentativa de cortar a jogada, o zagueiro celeste acabou marcando contra.

Com 2 a 0 no placar, o Santos continuou encontrando espaços. O Cruzeiro teve poucas oportunidades para diminuir antes do intervalo. Em uma delas, Kaio Jorge apareceu pelo alto, mas não conseguiu transformar a chance em gol. Rojas também criou perigo em uma jogada individual: o jogador tentou encobrir Gabriel Brazão, mas Luan Peres apareceu sobre a linha para impedir que a bola entrasse.

A diferença poderia ter sido ainda maior. Otávio teve participação decisiva para manter o Cruzeiro vivo na partida e fez grandes defesas em finalizações de Everton Cebolinha, Gabriel Bontempo e João Schmidt.

Mudanças não transformam o jogo imediatamente

O Cruzeiro voltou para o segundo tempo com Wesley no lugar de Lucas Romero, que sentiu um incômodo na panturrilha. A substituição, entretanto, não produziu de imediato a mudança de comportamento que a equipe precisava.

O Santos continuou chegando. Otávio voltou a aparecer em finalizações perigosas de Rony e Rollheiser, enquanto Cebolinha também teve uma oportunidade, mas errou o alvo.

Quando conseguiu construir uma chegada mais clara, o Cruzeiro encontrou Gabriel Brazão pela frente. Matheus Pereira cabeceou em direção ao gol, mas o goleiro santista fez uma defesa importante para evitar a reação celeste.

As alterações demoraram a modificar o cenário da partida. A equipe só ganhou maior capacidade ofensiva depois das entradas de Zé Lucas, Lucas Silva e Lucho Rodríguez.

Foi justamente a participação do uruguaio que ajudou o Cruzeiro a encontrar o caminho do gol. Lucho Rodríguez deu a assistência para Matheus Pereira, que apareceu para diminuir a diferença e colocar a Raposa novamente na disputa nos minutos finais.

O gol, porém, chegou tarde para mudar o resultado. O Santos administrou a vantagem até o apito final e confirmou a vitória por 2 a 1.

Com o resultado, o Cruzeiro permaneceu com 42 pontos e desperdiçou a chance de entrar no G4. O Fluminense tem 45 pontos e ocupa a quarta posição, enquanto o Bahia soma 43 e ainda enfrentaria o Remo neste domingo (13). O Santos, por sua vez, chegou aos 35 pontos e subiu para a 10ª colocação.

O Cruzeiro terá agora uma semana de preparação até o próximo compromisso. A equipe volta a campo no domingo (20), às 16h, contra o Vitória, no Barradão, pelo Brasileirão.