A tragédia em Tenerife e as perguntas que o futebol moderno deve se fazer
Para muitos, futebol é entretenimento. Para outros milhares, é trabalho. E, assim como toda atividade laboral, seus riscos físicos devem ser avaliados diariamente
O que parecia um lance de jogo virou luto na Espanha. Após se chocar com o goleiro Jesús Owono, do FC Andorra, o atacante Jesús de Miguel, do CD Tenerife, morreu nesta terça-feira (3), aos 30 anos. A partida, válida pela segunda divisão espanhola, aconteceu na segunda-feira (2).
Ainda dentro de campo, o experiente jogador sofreu uma parada cardiorrespiratória. Mesmo socorrido e levado ao Hospital Universitário Nossa Senhora de Candelária, nas Ilhas Canárias, não resistiu e faleceu.
BREAKING: Spanish football club CD Tenerife confirms that forward Jesus de Miguel has died after a hard tackle by FC Andorra’s goalkeeper during yesterday’s match https://t.co/3WYdQJIjIz
— WBC24 (@WBC24News) November 3, 2026
De imediato, diversas reações tomaram conta das redes sociais, muitas delas já criminalizando o goleiro, devidamente expulso após a pancada. Mas o foco deve ser outro.
Enfatizamos, até com certo orgulho, o quanto o futebol está cada vez mais físico. São 20 jogadores distribuídos em 30 ou 40 metros se chocando durante 90 minutos, pelo alto e pelo chão. Se antigamente a avaliação sobre um atleta era puramente técnica, hoje o aspecto físico se sobrepõe até ao talento. Quem não ganha massa, não joga.
Recentemente, até foram implementadas algumas medidas para conter os danos deste cenário, como o protocolo da concussão criado pela International Football Association Board (IFAB). Mas é preciso mais.
É necessário aumentar o rigor da arbitragem? Ou a solução passa por conversas junto aos protagonistas das partidas (técnicos, jogadores etc.)? Essas são algumas das várias perguntas que devem ser feitas de forma firme por quem comanda o esporte.
Para muitos, futebol é entretenimento. Para outros milhares, é trabalho. E, assim como toda atividade laboral, seus riscos físicos devem ser avaliados diariamente. Não há evolução do jogo que resista à tristeza de uma família.
Sobre o colunista
Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.
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