No dia 13 de junho, comemora-se o Dia Mundial do Rock, celebrado na mesma data em que foi realizado o Live Aid, histórico show que reuniu bandas e artistas como Queen, Eric Clapton, U2 e Phil Collins, em 1985.
Quase 40 anos depois, o gênero musical já não ocupa o mesmo espaço no mainstream, mas continua relevante. É o que garante o itabirano Júlio Mengueles, integrante da banda “Rivotrio sem Receita” e responsável pelo canal do YouTube “Prosa Musical”, cujo objetivo é divulgar, por meio de entrevistas, grupos e músicos da região. Em 2022, o Prosa Musical completou quatro anos.
Baixista, Júlio foi um dos fundadores, em 1997, da banda “Os Amantes de Juanita”. Desde então, participou de diversos outros projetos e hoje se dedica aos palcos e ao trabalho na internet.
Em conversa com a DeFato, o itabirano expôs um pouco do seu conhecimento sobre o rock. Para ele, embora o estilo musical tenha atingido seu ápice no país durante os anos 70, ainda há um papel a ser cumprido.
“Sempre (continua relevante). As músicas possuem conteúdos, críticas gerais do mundo em que vivemos. O rock é um estilo de vida voltado à percepção do mundo, crítica e a política. Nos anos 80, o rock realmente ficou marcado no cenário nacional, com grandes nomes como Legião Urbana, Titãs, Barão Vermelho, Os Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Blitz, Ira, Engenheiros do Hawaii, dentre outros que fizeram e ainda marcam com muitos sucessos. Para mim, o melhor do rock nacional está nos anos 70, fase marcada pela força das letras, em que alguns artistas e compositores, como Ney Matogrosso, faziam a chamada ‘poesia musicada’. Surge também Raul Seixas, que passaria a ser um ícone do rock brasileiro com vários sucessos. Neste mesmo período, surge o Hollywood Rock, festival pioneiro do rock no Brasil. No circuito underground, bandas como O Terço, Made in Brazil, Sá, Roudrix e Guarabira e Casa das Máquinas”, relata.
Também professor, Júlio ressalta que o gênero tem, por missão, dar voz a alguns dos problemas mais graves da sociedade brasileira. “O rock brasileiro passa a mensagem progressista. Expõe a fala brasileira, dá voz ao povo ao expor os problemas de uma sociedade hipócrita, revolta à desigualdade e discriminação social, racial, homossexual, falta de liberdade, entre outros”.
A importância do underground
Na música, o termo “underground” se refere a músicas e artistas que não chegam a fazer sucesso comercial. É o caso da maior parte das bandas de Itabira e região, que, segundo Júlio Mengueles, têm o dever de serem apoiados por entidades como a Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA). Para o baixista, apesar de não estarem no auge, os protagonistas deste movimento são fundamentais para manter o rock vivo.
“As bandas underground são de extrema importância para que a chama do rock não se apague. Nos últimos anos, o rock foi praticamente chutado para fora do circuito musical. Existem várias bandas da cidade e região fazendo um som extraordinário, e que precisam ser mais valorizadas e levadas ao conhecimento do público. Hoje, a preferência musical dos jovens são o sertanejo, funk da pior qualidade possível e outros ritmos também de qualidade muito questionável. É difícil você gostar de algo que não lhe foi apresentado. Penso que, para um adolescente gostar de rock hoje, é por influência de alguém próximo que curte, porque com o som tão longe da mídia é complicado a galera conhecer. E o resultado disso é a diminuição de fãs do gênero no país. As bandas menores, pouco conhecidas, precisam ser mais fomentadas para que o som chegue em mais pessoas difundindo o rock”, afirma.
Prosa Musical
Parte deste planejamento de difundir artistas da região, o Prosa Musical completou, recentemente, quatro anos. A celebração do dia 11 de junho resultou, segundo Mengueles, organizador da ação, em um festival que “há tempos não se via” na cidade. Na programação, foram incluídos artistas itabiranos e de outras cidades. Confira fotos da comemoração, de autoria da fotógrafa Cris Guerra, logo abaixo!
“Foi um festival de rock daqueles que há tempos não se via por aqui. Cinco bandas agraciaram o evento, sendo duas delas de Itabira: ‘Rivotrio sem Receita’ e ‘Solos de Metais’, que convidaram Daniele Furst para o show. Também houve a participação de Yago Rios, e outra banda Itabirana foi a ‘Jack no Bico’, que trouxe em seu repertório clássicos do heavy metal/hard rock de bandas como Kiss, Iron Maiden, Dio, Manowar, Metallica etc, além de composições próprias. Já as bandas de BH foram ‘Os Leviatãs’, cover do Led Zeppelin, Banda Carne Nua – que mandou muito rock nacional e internacional de artistas como Cazuza, Raul Seixas, Rita Lee, Beatles, The Doors e AC/DC – e para fechar a noite o trio mineiro ‘Loss’, formado por Marcelo Loss (vocal e baixo), Adriano Avelar (guitarra e backing vocals) e Teddy Bronsk (bateria)”, relembra.

