“A vida não acabou”: sobrevivente de tentativa de feminicídio relata recuperação e faz apelo às mulheres

A entrevista completa, com o relato de Luciara sobre o crime, a recuperação e o alerta para outras mulheres, está disponível no canal do portal DeFato no YouTube

“A vida não acabou”: sobrevivente de tentativa de feminicídio relata recuperação e faz apelo às mulheres
Foto: Ricardo Guerra

Após sobreviver a uma brutal tentativa de feminicídio em Morro do Pilar, Luciara Fernandes dos Santos decidiu transformar a própria dor em alerta para outras mulheres. Em entrevista exclusiva ao portal DeFato Online, ela relembra os momentos de terror vividos na madrugada de fevereiro deste ano, fala sobre o processo de recuperação física e psicológica e faz um apelo por mais união entre as mulheres e por medidas mais rígidas contra agressores.

Moradora conhecida na cidade, ela conta que levava uma rotina intensa de trabalho e convivência com a comunidade antes do crime. O relacionamento com o suspeito durou cerca de seis meses e, segundo ela, terminou após atitudes e comportamentos que passaram a gerar preocupação. Depois do fim da relação, começaram as ameaças. “Ele falou que podia até ficar preso, mas que um dia sairia”, relembra.

Ela terminou o relacionamento em outubro do ano passado, após um história de ameaçar. ela registrou boletim de ocorrência, no entanto, tudo aconteceu tão rápido que não deu tempo de solicitar a medida protetiva. Poucos meses depois, em fevereiro deste ano, durante o Carnaval, o homem a atacou enquanto ela entrava em um carro acompanhada de outra pessoa. Segundo o relato, ela foi atropelada e arrastada por quase 500 de metros. “Eu só pensava no meu filho. Na hora, você pensa que vai morrer”, contou.

Luciara sofreu ferimentos graves, passou por cirurgia, ficou internada no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte e enfrenta um longo processo de recuperação, incluindo fisioterapia diária. Apesar das dores e das marcas deixadas pelo crime, ela afirma que encontrou forças no apoio da família, dos amigos e da comunidade.

Durante a entrevista, ela também faz um alerta sobre os primeiros sinais de violência em relacionamentos abusivos

“Não existe isso de ele bater porque estava nervoso. Se aconteceu uma vez, pode acontecer pior depois”, afirmou. Ela ainda defende leis mais rigorosas contra autores de violência doméstica e feminicídio, além de reforçar a importância de denunciar ameaças e agressões. “Hoje a mulher tem que ser forte. Tem que falar, denunciar e sair enquanto há tempo.”

Em abril, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou um homem de 37 anos por tentativa de feminicídio. Desde então, ele permanece preso enquanto aguarda julgamento.

A entrevista completa, com o relato de Luciara sobre o crime, a recuperação e o alerta para outras mulheres, está disponível no canal do portal DeFato no YouTube: