Acidentes com caminhões quase quadruplicam no Anel Rodoviário
Levantamento aponta salto de 322 para 1.268 ocorrências entre 2017 e 2025; Prefeitura abriu licitação de R$ 137,1 milhões para recuperar trecho municipalizado da via
O número de acidentes envolvendo caminhões e tratores no Anel Rodoviário de Belo Horizonte quase quadruplicou em oito anos. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública mostram que as ocorrências passaram de 322, em 2017, para 1.268, em 2025. A média atual é de quase quatro casos por dia em uma via usada por cerca de 120 mil motoristas diariamente.
O crescimento dos registros ocorre em um trecho que combina tráfego urbano e circulação de veículos pesados. O Anel Rodoviário conecta rodovias federais, como BR-381, BR-040 e BR-262, mas também atravessa áreas de deslocamento diário dentro de Belo Horizonte. Essa mistura aumenta os riscos, sobretudo em pontos de descida, retenção e redução de faixas.
Desde junho de 2025, a Prefeitura de Belo Horizonte administra 22,4 quilômetros do Anel, entre o bairro Olhos d’Água e a Avenida Cristiano Machado. O restante segue sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. Nesta quarta-feira (13), o município publicou edital para obras de recuperação e reabilitação do trecho municipalizado, com investimento estimado em R$137,1 milhões.
A licitação prevê serviços de restauração do pavimento, drenagem, contenções, fresagem, recapeamento, reconstrução localizada e implantação de sinalização horizontal. As intervenções poderão ocorrer tanto na pista principal quanto nas vias marginais, conforme a necessidade identificada ao longo do contrato.
Um dos pontos considerados críticos fica na região do Betânia. Após uma longa descida, caminhões chegam ao trecho com o sistema de frenagem exigido e encontram retenção provocada pelo estreitamento da pista no viaduto sobre a Avenida Tereza Cristina. A Prefeitura afirma que estuda intervenções estruturais na área e mantém conversas sobre alternativas para reduzir o afunilamento.
A área de escape instalada no bairro Olhos d’Água também aparece como parte das medidas de segurança já existentes. Inaugurada em 2022, a estrutura foi usada 20 vezes por veículos pesados com problemas de frenagem. O município não descarta avaliar a implantação de outro dispositivo, mas técnicos apontam que a medida reduz consequências e não elimina a origem dos riscos.
Além das obras, a fiscalização também foi ampliada no trecho municipalizado. Segundo a Prefeitura, há 22 pontos de controle eletrônico de velocidade, com monitoramento de 62 faixas de circulação. Especialistas defendem que a redução dos acidentes depende de um conjunto de medidas, incluindo melhoria estrutural da via, controle de velocidade, respeito às regras de circulação e retirada de parte do tráfego pesado da área urbana.




