Esta é uma história triste, mas real para muitos brasileiros. Um administrador de empresas, bem-sucedido profissionalmente, que não quis se identificar para proteger seus filhos, conta como foi parar nas ruas.
O homem, de 64 anos, morava no bairro Funcionários, em uma região nobre de Belo Horizonte. Tinha uma vida extremamente confortável e repleta de amigos. Durante muito tempo viveu momentos de destaque na profissão. O executivo tinha um salário de R$ 15 mil. Porém, ele não contava com as surpresas desagradáveis da vida. Foi um pouco antes de iniciar a pandemia que foi demitido. E a partir daí, a vida dele começou a mudar…
Investimento
Logo que recebeu o seu acerto, o administrador de empresas decidiu investir em seu próprio negócio. Assim, abriu sua empresa no setor de bebidas. Com as restrições impostas pela pandemia, a empresa começou a passar por problemas financeiros. Além desse grave problema, o homem passou por um divórcio que também acabou afetando sua vida financeira. “Foi uma grande tragédia“, resumiu.
Sem nenhum recurso, o homem teve que pedir comida e roupas para outras pessoas durante seis meses. Pai de dois filhos, nunca quis pedir ajuda financeira a eles. Sabem que o pai passa por dificuldades, mas nem imaginam que ele mora em um abrigo público. “Saí de uma situação muito boa para uma péssima de repente”, diz. “Se dissessem que isso iria acontecer comigo, eu daria risada na cara da pessoa”, acrescenta.
Ajuda
O homem que chegou a fazer parte da estatística de contingente de pessoas em situação de rua na capital foi em busca de ajuda. Assim, recebeu acolhimento da equipe da Pastoral de Rua. Atualmente, ele vive em um abrigo e já não faz parte de dados oficiais de quem vive nas ruas. “Isso tem acontecido com muita gente. A ausência de perspectiva apavora as pessoas”, diz o homem, em tom de voz sereno.
Ao falar sobre o seus sentimentos ele relembra com muita tristeza no olhar: “Eu sentava sozinho num lugar e chorava”.

