Adolescente paraibana abre mão de festa de 15 anos, pede um notebook para estudar e conquista ouro na maior olimpíada de matemática

Adrielly completou 15 anos em 21 de setembro de 2022, e os pais a indagaram se ela queria uma festa ou uma viagem

Adolescente paraibana abre mão de festa de 15 anos, pede um notebook para estudar e conquista ouro na maior olimpíada de matemática
Miriam trocou a festa de aniversário por uma medalha de ouro- Foto: Reprodução/Instagram/Via Terra

Ao invés da tradicional festa de 15 anos, com salão vestido e convidados, uma jovem do interior da Paraíba fez um pedido diferente à família. queria um notebook e um curso online, numa tentativa concreta de se preparar melhor para a OBMEP, a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas.

Para Miriam Adrielly Silva de Brito, aluna do 9º ano da escola pública, aquele presente era a ferramenta que poderia aproximá-la do seu objetivo: conquistar uma medalha em uma das maiores competições estudantis do país.

Adrielly completou 15 anos em 21 de setembro de 2022, e os pais a indagaram se ela queria uma festa ou uma viagem, segundo o IMPA, instituto responsável pelo OBMEP. A resposta surpreendeu aos pais: ela preferiu investir nos estudos.

Mesmo assim, a família preparou uma pequena festa surpresa com cerca de 15 familiares, com o tema voltado para a OBMEP, com bolo personalizado e clima de incentivo.

Por trás dessa simplicidade havia uma decisão incomum. Adrielly conquistou menção honrosa na 16ª edição da olimpíada e percebeu que podia ir além, e que a medalha era uma sinalização dessa possibilidade.

Antes, a adolescente contou ao IMPA que passou para a segunda fase sem saber exatamente o tamanho da OBMEP, mas, depois da menção honrosa, a relação com a matemática mudou.

Em 2022, a preparação ganhou método, quando passou a estudar provas antigas, acompanhar o curso online e enfrentar o banco de questões. Não havia glamour na rotina, era repetição, tentativa, erro e persistência.

A dificuldade não era apenas o conteúdo. Estudar para uma olimpíada científica exige tempo, orientação e acesso a materiais, uma distância que, para muitos alunos começa antes mesmo da prova, com a falta de computador, internet de qualidade, alguém dizendo que a disputa é também para eles.

O esforço apareceu na 17ª OBMEP, quando Adrielly conquistou a medalha de bronze, resultado confirmado na lista de premiados da olimpíada, numa competição que naquele ano havia alcançado 18,1 milhões de alunos na primeira fase, segundo o IMPA.

O número ajuda a entender a grandeza da conquista. A OBMEP chegou a mais de 54 mil instituições e a quase todos os municípios brasileiros naquela edição.

Para uma estudante de Conceição, no Alto Sertão da Paraíba, no Vale do Piancó, aparecer entre os medalhistas nacionais significava mais que um certificado. Era um aprova de que a escolha feita no aniversário tinha produzido consequência real.

Na 18ª OBMEP, já como estudante da EEEFM Maestro José Siqueira, em sua cidade, ela apareceu na lista oficial com medalha de prata, repetida na 19ª edição.

O percurso ganhou nova dimensão na 20ª OBMEP 2025, com Miriam Adrielly Silva de Brito conquistando a medalha de ouro.

*Fonte: CPG