Agora centro universitário, UNIFUNCESI inicia uma nova era em Itabira

Transição poderá trazer diversos impactos na cidade, para além da educação

Agora centro universitário, UNIFUNCESI inicia uma nova era em Itabira
Foto: Divulgação
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Desde fevereiro deste ano, uma das principais instituições de ensino da região vive uma nova fase. O UNIFUNCESI agora é centro universitário. Para além do nome, mudam, também, o patamar de ensino oferecido pelo campus e a percepção de que o local, situado no bairro Major Lage de Cima, tem todos os atributos de um grande centro universitário. E este foi o desafio da comunidade acadêmica junto ao Ministério da Educação (MEC): provar que aquele espaço já era muito mais do que uma faculdade.

A reportagem da DeFato conversou com o presidente do UNIFUNCESI , Maurício Guimarães, e a reitora Flávia Pantuza. Na entrevista, ambos falaram sobre os benefícios que a transição pode trazer a Itabira e região – impactando, inclusive, na tão sonhada diversificação econômica da cidade -, as atividades já desenvolvidas no espaço e a possível chegada de novos cursos. Confira, logo abaixo, o bate-papo completo.

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Reitora e presidente da UNIFUNCESI, respectivamente, Flávia Pantuza e Maurício Guimarães conversaram com a DeFato Online. Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

DeFato: Desde quando vem esse processo de transformação em um centro universitário?

Flávia Pantuza: Esse foi um processo longo, porque antes de iniciarmos a solicitação no MEC, fizemos o planejamento para desenvolver ações que caracterizassem a faculdade como centro universitário. Então investimos em projetos de extensão, os professores participaram e desenvolveram vários projetos de iniciação científica. E, além disso, buscamos apoiar o desenvolvimento dos professores e fomentar a capacitação deles como mestres, doutores, atendendo às exigências necessárias para o processo de pedido de transformação em centro universitário. Esse processo foi iniciado há alguns anos, mas houve uma mudança no sistema do MEC que fechou, momentaneamente, essa oportunidade. Aguardamos o momento certo, entramos com um novo pedido, e aí conseguimos vencer todas as etapas do processo, que foram essas citadas (capacitação dos professores, desenvolvimento de atividades de extensão e pesquisa, avaliação da qualidade dos cursos, infraestrutura…). Por fim, houve a visita da comissão de avaliadores, que verificou essas condições apresentadas, e o parecer foi positivo. E o que isso significa? O UNIFUNCESI comprovou que apresentava todos os requisitos de um centro universitário.

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Atendimento à comunidade: SAJ. Foto: Divulgação

DeFato: Em efeitos práticos, o que muda para a Funcesi com essa transição?

Flávia Pantuza: A gente mudou o patamar, inclusive de qualidade. Agora a instituição também tem maior autonomia sobre a oferta de cursos, registro dos diplomas etc. Da ordem prática interna, isso é bom, pois reduz o prazo de emissão desses documentos. Além disso, fortalecemos o compromisso com a extensão e com a pesquisa.

Maurício Guimarães: Diminui também toda uma burocracia que existe quando se trata de faculdade. Então subiu o patamar, ele te dá mais autonomia, como a Flávia disse, e também de processos no MEC que antes você tinha que emitir, mudança de grade curricular, você passa a ter muito mais autonomia dentro da própria instituição, sem submeter isso ao MEC. Isso faz com que nossa instituição fique muito mais próxima do mercado, você tem mais agilidade para poder analisar, estudar e elaborar programas que atendam às necessidades do mercado, inclusive o local. Isso dá mais liberdade e flexibilidade, o que também vai propiciar melhorias para nossos próprios alunos.

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Instituição de ensino oferece atividades que auxiliam, diretamente, a comunidade. Foto: Divulgação

DeFato: Investimentos em extensão e iniciação científica: o que, de fato, significa à comunidade acadêmica e à comunidade como um todo?

Flávia Pantuza: Para a comunidade acadêmica, é a possibilidade de desenvolvimento. O professor se desenvolve atuando com extensão e pesquisa. O fato dele trabalhar só em sala de aula também é uma oportunidade de crescimento profissional, mas há uma percepção clara de que o desenvolvimento do professor passa por essa atuação em extensão e pesquisa. E isso, consequentemente, gera publicação. Hoje é um indicador que o MEC usa de avaliação o quanto os professores publicam, o quanto ele produz ciência. A extensão, por si, já é uma oportunidade de desenvolvermos algo que é praticado aqui com a comunidade. Imagina: alunos do curso de Enfermagem que estão lá fora numa ação atendendo as pessoas e dando assistência estão levando conhecimento daqui para a comunidade. A vacinação é um exemplo.

Maurício Guimarães: Queria até citar alguns tipos de serviços em relação ao que foi mencionado. Primeiro o curso de Enfermagem, com a Covid-19, foi uma frente de trabalho intensa dos nossos professores e alunos, atuando para o bem da nossa comunidade durante toda a pandemia. Temos outra prestação de serviços oferecida à nossa comunidade: uma Clínica Escola de Fisioterapia. Praticamente 90% dos pacientes são do SUS, pacientes que não tem condições de pagar em clínicas particulares. Vou dar um exemplo extremamente significativo relacionado, também, à Covid-19: a nossa turma de Fisioterapia desenvolveu um trabalho de tratamento pós-covid. Porque antes havia a ideia de que, se você saiu do hospital, já está recuperado. Mas infelizmente não é assim. Também temos um serviço de assistência jurídica a pessoas de baixo poder aquisitivo, principalmente na área cível e criminal. Quanto mais nossos professores pesquisarem, adquirirem conhecimento, mais eles transmitem aos alunos e os alunos repassam à comunidade.

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Sala destinada ao curso de Fisioterapia do centro universitário. Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

DeFato: Em quanto tempo essa mudança poderá ser sentida?

Flávia Pantuza: De imediato. Percebo que a gente já vem ampliando (atividades e serviços) e nós estamos trabalhando em novos projetos. Acredito que essas mudanças terão uma ordem crescente. Até para nos tornarmos centro universitário, tivemos que comprovar antes que já estávamos qualificados como centro. Se você fizer uma avaliação, o UNIFUNCESI está em um campus que já é de um centro universitário. Se pensarmos em faculdade, o que vem à cabeça é um prédio. E o que temos é muito mais do que isso. Temos um campus com espaço para conveniência, locais de oração e lazer, refeitórios, um auditório sensacional, teatro de arena, vinte laboratórios muito bem equipados, a própria Clínica Escola. É uma Clínica Escola diferenciada, com atendimento especializado, não é uma clínica em que o mesmo profissional trabalha em todas as áreas. Então a pessoa que está atendendo a neurologia, ela é especialista em neurologia, e os alunos que estão ali são conduzidos por uma pessoa com vivência e experiência na área. E isso faz diferença na formação do profissional e no atendimento ao paciente. Temos neurologia, traumatologia, ginecologia, cardiorrespiratória e oncologia, uma área nova que implementamos. E também estamos oferecendo tratamento para AVC e Parkinson.

DeFato: Mudança pode atrair novas áreas de conhecimento?

Flávia Pantuza: A autonomia dada a um centro universitário gera essa oportunidade. A gente agiliza um processo, pode estar mais próximo do mercado porque temos a autonomia de, através de um projeto construído, oferecer novos cursos e áreas de conhecimento.

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Foto: Reprodução/Facebook UNIFUNCESI

DeFato: E os cursos EAD?

Flávia Pantuza: Buscamos credenciamento para ensino à distância, entendendo que é possível trabalhar com um modelo de qualidade, e não dispensando a vivência do aluno e a oportunidade dele se desenvolver nessas áreas que criamos. Como a gente vai pensar em um profissional de saúde que não teve oportunidade de atuar durante a aprendizagem com uma situação real? Então é este modelo que a gente acredita, não muito distante do que é a realidade. Hoje você tem tecnologia pra trabalhar algumas áreas em alguns cursos, mas não é só isso que forma o profissional. Vamos pegar o exemplo do Direito. Em alguns momentos, você tem a oportunidade de se desenvolver com o que a gente chama hoje de EAD, mas existe uma variedade enorme de metodologias de ensino à distância. Então queremos, sim, oferecer ensino à distância. até porque, durante a pandemia, crescemos no uso dos recursos para as aulas que ocorreram de forma remota, mas de maneira diferenciada.

Maurício Guimarães: Sem prescindir da qualidade, por isso nós temos hoje um grupo de estudo, com professores trabalhando no novo modelo EAD que siga o que a Flávia disse. Onde pudermos introduzir a tecnologia, faremos, mas sem nenhum prejuízo na qualidade do que nos propomos a fazer.

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Foto: Victor Eduardo/DeFato Online

DeFato: O UNIFUNCESI realmente terá um curso de Medicina?

Maurício Guimarães: Sim, estamos no processo junto ao MEC para autorização do nosso curso de Medicina. Não é um processo fácil ou rápido, há várias etapas. Algumas delas já superamos, mas ainda tem um caminho que a gente precisa seguir para chegarmos no sonho que não é só do UNIFUNCESI, mas também da cidade e toda a região. Estamos trabalhando arduamente em várias frentes para que possamos conseguir. Está no nosso radar e esperamos conseguir a autorização para que tenhamos, quem sabe num futuro próximo, a abertura e o funcionamento do curso de Medicina na nossa cidade.

Flávia Pantuza: A única coisa que Maurício já disse e vou reforçar, é que estamos trabalhando todos os dias, sem horário, e o nosso objetivo é trazer um curso de alta qualidade. Estamos trabalhando para que seja o melhor. E o nosso objetivo, com a Medicina, é que nossos cursos da área da saúde também cresçam, porque eles terão a mesma condição ofertada na Medicina. Quando pensamos em Medicina, o médico, em sua formação, tem um pouco da parte de gestão, então o nosso curso de administração também está contribuindo.

Maurício Guimarães: Para isso estamos buscando uma assessoria de uma instituição extremamente séria que é a Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), que coordena o curso de Ciências Médicas em Belo Horizonte e sempre teve notas máximas nos requisitos do MEC.

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Laboratório de Anatomia do centro universitário. Foto: Divulgação

DeFato: A chegada do curso também poderá impedir a evasão dos alunos para outras cidades?

Flávia Pantuza: Itabira passaria a ser referência na região. Ao invés de perder estudantes para outras cidades, vamos recebê-los em Itabira.

Maurício Guimarães: Além desse aspecto educacional, isso também será um grande impulso para a busca do desenvolvimento econômico de Itabira. Às vezes, penso que as pessoas não têm a percepção do que isso pode propiciar à cidade, como você ganha em outras áreas, como o setor comercial, hoteleiro, de alimentação, virão muitos alunos. E o curso de Medicina terá uma característica diferente dos demais, porque nossos alunos são do período noturno, e o curso de Medicina será durante todo o dia. E acho que também é uma preparação para a futura saída da nossa mineradora (Vale).