Água turva em Cocais intriga moradores e levanta suspeitas de intervenção ambiental

Situação foi alertada pelo perfil Cachoeira de Cocais no Instagram e motivou vistoria da Prefeitura de Barão, Defesa Civil e Polícia Militar de Meio Ambiente

Água turva em Cocais intriga moradores e levanta suspeitas de intervenção ambiental
Foto: Reprodução/Vídeo

A alteração na coloração da água nas cachoeiras do distrito de Cocais, em Barão de Cocais, tem mobilizado autoridades e gerado preocupação entre moradores e visitantes. O caso ganhou repercussão após um alerta publicado pelo perfil do Instagram @cachoeiradecocaismg, que relatou um comportamento incomum nas águas da região.

Segundo a nota divulgada pelo perfil, a mudança chamou atenção por fugir completamente do padrão histórico das cachoeiras. “Durante esta semana fomos surpreendidos com uma situação atípica nas cachoeiras de Cocais: as águas passaram a apresentar coloração suja, algo que nunca havia sido registrado antes. Mesmo em períodos de chuvas intensas, as cachoeiras sempre se mantiveram limpas”, informou a publicação.

O relato detalha ainda um padrão considerado suspeito: “De segunda a sexta-feira, as cachoeiras amanhecem com águas limpas, porém, a partir das 8h, começam a ficar turvas e assim permanecem ao longo do dia. Já aos sábados e domingos, o cenário volta completamente ao normal. Esse comportamento indica que pode haver alguma intervenção ocorrendo durante os dias úteis”.

Outro ponto levantado pelo perfil é a localização das nascentes. “Importante ressaltar que a Vale é atualmente proprietária de grande parte das áreas onde estão localizadas as nascentes da região, incluindo terrenos que chegam até a margem do rio na Cachoeira do Chiador”, destacou.

Ainda conforme a publicação, a empresa foi acionada. “Na quarta-feira, notificamos a RC [Relações com a Comunidade] da Vale, Suelen Almeida, que informou não ter conhecimento de nenhuma movimentação, mas que acionaria o setor responsável para apuração. Até o momento, ainda não recebemos retorno”.

A situação também foi comunicada ao poder público municipal. “Também acionamos a Secretaria de Meio Ambiente de Barão de Cocais, que prontamente enviou uma equipe para vistoria na Serra do Garimpo nesta sexta-feira. O laudo técnico deve ser concluído na próxima semana”, acrescenta a nota, que ainda alerta para possíveis impactos no abastecimento: “Além do impacto ambiental, é importante lembrar que essas águas também contribuem para o abastecimento do Distrito de Cocais. Em situações como essa, é inaceitável que essa água chegue até a população”.

Prefeitura aponta possível causa, mas mantém apuração

Em nota, a Prefeitura de Barão de Cocais informou que, ao tomar conhecimento do caso, adotou medidas imediatas para investigar a situação. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente deslocou uma equipe técnica até a região ainda na sexta-feira (17) para realizar vistoria.

De acordo com o município, áreas acima do curso d’água são, em grande parte, de responsabilidade da mineradora Vale. A empresa teria informado que a passagem de veículos off-road — como jipes com tração 4×4 — provocou danos nas vias de acesso, resultando no carreamento de terra para o curso d’água.

Ainda segundo o posicionamento oficial, “foram realizadas intervenções para recuperação do acesso, além do fechamento da área particular”. Em uma análise preliminar, não foram identificados sinais de supressão vegetal ou atividade minerária irregular nas áreas avaliadas.

Apesar disso, a Secretaria de Meio Ambiente informou que segue acompanhando o caso para uma verificação mais detalhada das causas da alteração na água. O município também destacou que, no início desta semana, a situação já apresentava aparente normalização.

A nota da Prefeitura de Barão de Cocais pode ser lida na íntegra no final da matéria.

Autoridades acompanham o caso em campo

A apuração mobilizou diferentes órgãos. O secretário adjunto de Meio Ambiente, Sebastião Eustáquio dos Santos, explicou a atuação conjunta: “Ao recebermos a notícia de possível contaminação das águas aqui da Cachoeira de Cocais, nós viemos aqui juntamente com a Polícia Ambiental, a Defesa Civil, para apurarmos o que realmente aconteceu”.

A coordenadora municipal da Defesa Civil, Helena de Castro, detalhou os próximos passos da investigação: “Estamos programando de irmos até o local onde alguns moradores citaram como possível ponto onde teria ocorrido o deslizamento de terra, que veio a comprometer a qualidade da água aqui da cachoeira”.

Já o sargento Abrantes, da Polícia Militar de Meio Ambiente, reforçou a linha inicial de apuração: “A princípio, hoje, está tudo ok com a água e nós vamos verificar uma possível movimentação de terra na serra que carreou para o rio e sujou a cachoeira”.

Situação segue sem conclusão definitiva

Apesar das hipóteses levantadas e da aparente normalização da água, ainda não há uma conclusão definitiva sobre o que provocou a alteração registrada durante a semana. O caso segue sendo acompanhado por órgãos ambientais e pela administração municipal.

Enquanto isso, o perfil @cachoeiradecocaismg afirma que continuará monitorando a situação e cobrando respostas. “Seguimos sem respostas concretas sobre o que está causando essa alteração na qualidade da água e estamos acompanhando a situação de perto”, informou.

Leia na íntegra a nota da Prefeitura de Barão de Cocais

“A Secretaria Municipal de Meio Ambiente informa que, ao tomar conhecimento da alteração na tonalidade da água na Cachoeira de Cocais, adotou imediatamente medidas para apuração dos fatos.

Ainda na sexta-feira (17/4), uma equipe técnica da pasta foi deslocada até o local para realização de vistoria.

A Vale é responsável por grande parte do território acima do curso d’água. A empresa relatou que veículos off-road (veículos de trilha, como jipes, com tração 4×4) passaram pelo local, o que teria provocado danos nas vias de acesso, carreando terra para o curso d’água. A Vale reportou ainda que foram realizadas intervenções para recuperação do acesso, além do fechamento da área particular.

Em princípio, não foram constatadas evidências de supressão vegetal, nem indícios de atividade minerária irregular nas áreas a montante. Todavia, a Secretaria de Meio Ambiente segue acompanhando o assunto e a verificação detalhada do que causou a sujidade no curso da cachoeira.

Apesar do episódio, a situação da água na Cachoeira de Cocais encontrava-se aparentemente normalizada no início desta semana”.