Algumas peças publicitárias se transformaram em obras-primas da MPB

Alguns jingles caíram literalmente na boca e imaginário da massa. Os exemplos são inúmeros

Algumas peças publicitárias se transformaram em obras-primas da MPB
Foto: Maria Bethânia/Facebook

O objetivo da publicidade é a venda do peixe. A atividade funciona desta forma, na iniciativa privada e esfera pública. As estratégias de convencimento servem para negociar de picanhas a imagens de governos. A política – em algumas ocasiões – foi a fonte de inspiração para autênticas obras de arte da propaganda. Certas canções do processo eleitoral encantaram pela melodia e teor da mensagem. Alguns jingles caíram literalmente na boca e imaginário da massa. Os exemplos são inúmeros.

Criações publicitárias também já se transformaram em obras-primas da Música Popular Brasileira (MPB). Veja dois exemplos marcantes.  

Corria o ano da graça de 1979. A cantora Maria Bethânia, em companhia de uma amiga, embarcou num taxi, em Salvador. No mesmo instante, no interior do automóvel, uma estação de rádio começou a tocar uma propaganda do Motel Le Royale. A sonoridade fascinou a irmã de Caetano. De cara, Bethânia saiu à cata do autor da “magia”. E bingo! O sujeito tinha nome e sobrenome: Duda Mendonça (1944-2021), que tempos depois se transformaria num dos gênios da publicidade brasileira.  Duda, claro, deu o seu aval e Bethânia gravou “Cheiro de Amor”, uma das faixas do consagrado LP “Mel”. A canção estourou nas paradas de sucesso. 

Confira uma síntese do reclamo de motel que virou um fenômeno da MPB: 

“De repente fico rindo à toa

Sem saber por quê

E vem a vontade de sonhar

De novo te encontrar

Mas o seu jeito de me olhar

A fala mansa, meio rouca

Foi me deixando quase louca

Eu não podia mais pensar

Eu me dei toda para você”

As comemorações de final de ano também foram responsáveis por outra elaboração sublime da MPB. A rádio Bandeirantes FM de São Paulo tem o costume de oferecer música exclusiva para os seus ouvintes no período de Natal e Ano Novo. Para as festas de 1984, a emissora encomendou uma cantiga aos compositores Michaell Sullivan e Paulo Massadas. Valeu a pena. Pintou algo tão maravilhoso que sensibilizou até o exigente Tim Maia, que decidiu gravar a criação publicitária. O cantor usou o encantamento da sua incomparável voz e transformou “Leva” num momento inesquecível. 

“Observe como a rádio paulista se declarou para o público na ocasião:

Foi bom eu ficar com você o ano inteiro

Pode crer, foi legal te encontrar

Foi amor verdadeiro

É bom acordar com você quando amanhece o dia

Leva o meu som contigo leva

E me faz a sua festa

Quero ver você feliz”

Então, aproveite. Ouça “Cheiro de Amor” na voz de Maria Bethânia e curta “Leva” na interpretação de Tim Maia. Sinta as letras.

E, neste embalo, desejo a todos um Feliz Natal e próspero 2026.  Como o tempo passa! 

 

Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.

O conteúdo expresso é de total responsabilidade do colunista e não representa a opinião da DeFato

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