Aliados de Bolsonaro se manifestam durante ato na Avenida Paulista

Nove quarteirões da avenida foram ocupados por Bolsonaristas

Aliados de Bolsonaro se manifestam durante ato na Avenida Paulista
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A manifestação favorável ao presidente Bolsonaro (PL) ocorrida neste domingo (25), na avenida Paulista, centro de São Paulo, reuniu, cerca de 750 mil pessoas, segundo avaliação do governo de São Paulo, com ao menos 9 quarteirões dessa importante avenida da capital ocupados por pessoas trajando camisas nas cores verde-amarela, bandeiras do Brasil e do Estado de Israel.

Embora a oposição tenha tentado ofuscar o brilho do evento, questionando e denegrindo o movimento, era inegável a força política demonstrada na gigantesca aglomeração.

“Essa manifestação demonstra que o futuro da direita no Brasil mantém força bastante sob a liderança de Jair Bolsonaro e foi, sem dúvida, o maior ato político jamais registrado nessa emblemática avenida da capital paulista”.

Aliados de Lula fizeram postagens nas redes sociais com mensagens na tentativa de neutralizar o brilho do evento, mas, a contragosto da ala governista, o movimento, organizado pelo pastor Silas Malafaia, atingiu o objetivo traçado, arrebanhando uma multidão de militantes de direita, quando então, o ex- presidente pode, ao lado de outras autoridades políticas, expor seus pontos de vista sobre a atual situação política do país e a perseguição a quem vem sendo submetido de forma implacável pela Justiça brasileira.

O ato em apoio a Jair Bolsonaro, neste domingo, reuniu deputados estaduais, federais, senadores e governadores, seus aliados. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), contraditoriamente às fotos exibidas em redes sociais, os bolsonaristas reuniram cerca de 600 mil pessoas, espremidas em uma extensão de nove quarteirões da renomada avenida.

Alguns órgãos de imprensa, mesmo a contragosto, creditaram ao menos 1,5 milhão de pessoas ao gigantesco evento, que, já por volta das 9h30 da manhã, demonstrava que a adesão ao movimento seria maciça, apesar de agendado para depois das 15 horas.

Bolsonaro, também pelas redes sociais, convocou simpatizantes à manifestação após se ver investigado pela Polícia Federal (PF), sob alegação de uma suposta participação numa tentativa de golpe de Estado depois das eleições de 2022. Dezenas de parlamentares que fazem oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estiveram no ato, assim como quatro chefes de Executivos estaduais se solidarizando com Bolsonaro.

Os apoiadores do ex-presidente eram identificados por uma pulseira verde, que garantia o acesso de convidado especial ao palanque principal e a outro auxiliar em trios elétricos, disponibilizados pelo pastor Silas Malafaia, idealizador da manifestação. Os discursos, no entanto, foram restritos a somente sete pessoas, incluindo o ex-presidente Bolsonaro.

Participaram do evento os governadores e vices:

Jorginho Mello (PL-SC)
Romeu Zema (Novo-MG)
Ronaldo Caiado (União Brasil-Go)
Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP)
Celina Leão (PP-DF), vice-governadora
Felipe Ramuth (PSD-SP), vice governador

Senadores
Carlos Heinze (PP-RS)

Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro

Cleitinho (Republicanos-MG)
Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
Jorge Seif (PL-SC)
Magno Malta (PL-ES)

Marcos Pontes (PL-SP), ex-ministro de Ciência e Tecnologia de Bolsonaro

Marcos Rogério (PL-RO)
Marcos do Val (Podemos-ES)

Rogério Marinho (PL-RN), ex-ministro do Desenvolvimento Regional de Bolsonaro

Deputados Federais
Alberto Fraga (PL-DF)

Alexandre Ramagem (PL-RJ), pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro

André Fernandes (PL-CE)
Carla Zambelli (PL-SP)

Carlos Jordy (PL-RJ), pré-candidato à prefeitura de Niterói

Carlos Portinho ( PL-RJ)
Caroline de Toni (PL-SC)
Delegado Eder Mauro (PL-PA)
Eduardo Pazuello (PL-RJ)

Gilvan da Federal (PL-ES)

Gustavo Gayer (PL-GO), pré-candidato à prefeitura de Goiânia

Hélio Lopes (PL-RJ)
Marcel Von Hattem (Novo-RS)
Marco Feliciano (PL-SP)
Nikolas Ferreira (PL-MG)

Ricardo Salles (PL-SP) ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro

Sargento Fahur (PSD-PR)
Deputados Estaduais
Caporezzo (PL-MG)
Delegada Sheila (PL-MG)
Lucas Bove (PL-SP)
Tomé Abduch (Republicanos-SP)
Outras autoridades

Ricardo Nunes (MDB) prefeito de São Paulo e pré-candidato à reeleição
Maria Helena (Novo), pré-candidata à Prefeitura de São Paulo
Padre Kelmon (PRD), ex-presidenciável e pré-candidato à prefeitura de São

Paulo

Arthur Virgílio, ex senador e ex-prefeito de Manaus
Deltan Dallagnol (Novo) deputado cassado

João Roma (PL-BA), ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro
Major Vitor Hugo (PL-GO), ex-deputado federal
Marcelo Queiroga (PL-PB), ex-ministro da Saúde de Bolsonaro
Bolsonaro foi o último a se manifestar ao público e, discursaram antes dele, a
primeira-dama Michelle Bolsonaro, os deputados Gustavo Gayer e Nikolas
Ferreira, além do senador Magno Malta, o governador de São Paulo, Tarcísio de

Freitas e o pastor Silas Malafaia.

Em seu discurso, o primeiro do evento, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro permeou sua fala com orações e citações bíblicas, seguida por Gustavo Gayer e Nikolas Ferreira. Gayer enfatizou o grande número de presentes à avenida Paulista e disse: “Hoje o recado está sendo dado, e o recado é; nós não vamos parar, não vamos desistir”, enfatizou.

Nikolas Ferreira conclamou um possível retorno de Jair Bolsonaro à Presidência do país, “Ainda que nossos filhos e os filhos dos nossos filhos possam ver um Brasil verde e amarelo”.

Fechando o núcleo duro dos parlamentares bolsonaristas, o senador Magno Malta, evangélico, fez um discurso com referências cristãs, assim como Michelle Bolsonaro e fez uma analogia: “A diferença entre nós e eles é que o Mar Vermelho (referência bíblica) fica revolto a nós. A diferença é que Jesus está no nosso barco”, pontuou.

Na sequência, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, fez efusivos elogios a Bolsonaro, seu padrinho político e disse: “Bolsonaro não é mais um CPF, não é mais uma pessoa. Ele passa a representar um movimento”. Silas Malafaia, coordenador do evento e sem cargo eletivo, fez o discurso mais contundente, com constantes ressalvas de que não discursava em ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas, apesar disso, fez sérios ataques à Corte.

Veja a síntese do discurso de Malafaia

“Alexandre de Moraes disse que a extrema direita tem que ser combatida na América Latina. Como um ministro do STF tem um lado”? Criticou o pastor, que também se dirigiu ao ministro Luís Roberto Barroso, hoje presidente do Supremo. Ministro Barroso disse: “Nós derrotamos o bolsonarismo. Isso é uma vergonha, é uma afronta ao povo”, afirmou Malafaia.

Segundo Malafaia, se Bolsonaro for preso, o destruído não será ele; ele vai sair exaltado. “Se eles te prenderem, não vai ser para a sua destruição, mas a destruição deles. Você vai sair de lá exaltado”, reafirmou.

Fechando o ato, Bolsonaro foi enfático em negar uma articulação golpista depois da derrota nas eleições. “Golpe é tanque nas ruas, é arma, é conspiração. Nada disso foi feito no Brasil. Porque continuam me acusando de golpe? Golpe usando a Constituição? Deixo claro que o estado de sítio começa com o presidente convocando o conselho da República. Isso foi feito? Não!”

O jornalista português, Sérgio Tavares, divulgou nas redes sociais que foi detido no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A situação ocorreu após ele chegar ao Brasil para cobrir o ato na avenida Paulista. Segundo Sérgio, ele foi o único passageiro retido.

Entretanto, a PF esclareceu que o jornalista não apresentou o visto de trabalho, obrigatório para que ele pudesse trabalhar no evento.
Vejam a manifestação do jornalista português “Estou retido no aeroporto de São Paulo, todos os passageiros tiveram autorização para sair, menos eu. A Polícia Federal tem o meu passaporte retido e dizem-me que o superior me quer fazer questões. Tudo porque vim divulgar a manifestação pela democracia convocada por Bolsonaro”.

Desabafou o jornalista em seu perfil no X (ex-Twitter), na manhã do domingo. Em vídeo publicado, ele diz que teve o passaporte retido e não teve autorização para entrar no país. “Eu vim apenas fazer imagens do evento de Bolsonaro para mostrar ao mundo esta demonstração pela democracia, mas estou detido nas instalações da Polícia Federal. {…} dizem que querem me questionar”. ]

Mais tarde o jornalista fez outra publicação, dizendo que foi interrogado pela PF sobre “urnas, fraude eleitoral, ditadura do judiciário e vacinas”. Sérgio, entretanto, explicou que ficou em silêncio por orientação de seu advogado.

Antes do embarque para o Brasil, o jornalista disse que mostraria à Europa, “um gigantesco grito de revolta do povo brasileiro contra a ditadura em que o país mergulhou” e que “iria denunciar ao mundo a atrocidade da vacinação obrigatória da Covid em bebês e crianças”.
Sérgio foi liberado pela PF por volta das 11h30.

Ao jornal Poder360, Sérgio Tavares afirmou que o ex-presidente Bolsonaro (PL) ofereceu apoio jurídico depois de ele ter sido detido por 4 horas pela Polícia Federal, Sérgio foi então convidado a participar no trio principal do ato em São Paulo.

O jornalista garantiu ter sido questionado pela PF sobre Alexandre de Moraes, Flávio Dino, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), urnas, fraude eleitoral, ditadura do judiciário, 8 de janeiro e vacinas.

Segundo ele, os agentes, embora educados, alegaram que a “ordem para o parar teria “vindo de Brasília”.

O jornalista é um comunicador e ativista de direita, e tem um canal no You Tube desde julho de 2022 com mais de 160 mil inscritos e 2,5 milhões de visualizações, no qual realiza entrevistas e mantém programas noticiosos sobre política e conjuntura contemporânea.

Em 3 de fevereiro de 2024, o jornalista entrevistou Jair Bolsonaro, ocasião em que o ex-presidente afirmou que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) atuou contra sua reeleição.

O ex-presidente afirmou que a Justiça brasileira faz de tudo para condená-lo. “Perseguição em cima de perseguição. Tudo fazem para achar uma maneira de me condenar, mas não acham nada, porque não tem nada. Fiz um governo limpo no Brasil”, declarou.

Sérgio Tavares disse que “vai mostrar ao mundo o que se passa no Brasil”.