Alta temporada de pipas exige atenção redobrada com cerol e linha chilena

Em Itabira, Ciro Gomes se destaca como figura importante na conscientização de crianças e adultos sobre o uso responsável da pipa

Alta temporada de pipas exige atenção redobrada com cerol e linha chilena
Foto: Sheilby Macena/Stock
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Com a chegada dos ventos mais fortes, típicos dos meses de junho, julho e agosto, Itabira entra oficialmente na alta temporada de pipas. A brincadeira, que atravessa gerações e encanta crianças e adultos, ganha ainda mais força nas férias escolares. Mas, junto com a diversão, surgem os perigos, principalmente quando a atividade envolve o uso de cerol ou da linha chilena, materiais proibidos por lei.

A combinação de vidro moído, cola e outros compostos cortantes usados para “turbinar” as linhas pode causar ferimentos graves e até fatais em pedestres, motociclistas, ciclistas e animais. 

Segundo Ciro Gomes, nome tradicional e premiado na cena em Itabira, existe uma diferença clara entre os dois tipos de linha. “O cerol é caseiro, feito com vidro moído e cola. Já a linha chilena é produzida em máquina, com pó de quartzo e óxido de alumínio, o que a torna ainda mais cortante e resistente”, explica.

Enquanto o cerol é aplicado em uma quantidade limitada de linha e perde a força com o tempo, a linha chilena é vendida pronta em carretéis com até dois mil metros de linha cortante. “O menino compra pela internet uma carretilha com a linha já preparada. Não tem controle”, lamenta Ciro.

A recomendação é que se use a chamada “linha 10”, feita de algodão. Dentre as orientações para brincar com segurança, Ciro também orienta que nunca soltem pipas em ruas, lajes, telhados ou locais próximos à rede elétrica. “A pipa mexe com a imaginação, distrai, e o perigo vem quando a criança tenta recuperar a linha presa ou corre atrás da pipa em locais impróprios. Criança se empolga, se esquece do que está ao redor. Já vi muitos casos de quedas feias de lajes ou acidentes em rede elétrica”, afirma. Ele reforça que a brincadeira deve acontecer em locais abertos e longe da rede elétrica, como campos de futebol, parques e praças. Em Itabira, ele cita como bons pontos o Pico do Amor e a Pracinha do Areão.

Alta temporada de pipas exige atenção redobrada com segurança e alerta para o perigo do cerol e da linha chilena
Foto: Ramon Agostinho/DeFato Online

A Polícia Militar reforça que o uso de cerol e linha chilena representa um risco grave à integridade física e à vida. Além de causar cortes profundos, essas linhas podem romper cabos elétricos e provocar curtos-circuitos, incêndios e quedas de energia.

“De acordo com a Lei Estadual nº 23.515/2019 e a Lei Estadual nº 14.349/2015, é proibida a fabricação, venda e utilização dessas linhas cortantes. As penalidades para quem for flagrado incluem multa administrativa, além do recolhimento e destruição imediata do material apreendido”, alerta a corporação.

Ciro Gomes, além de ser figura constante em festivais de pipas desde 1997, sendo premiado diversas vezes pelas criações elaboradas e gigantes, também é conhecido pelo trabalho educativo que realiza com escolas da cidade. Ele ministra palestras e oficinas sobre segurança na prática da soltura de pipas e sobre o uso correto dos materiais.

“Brincar de pipa é a melhor terapia que existe, tanto pra criança quanto pra adulto. Mas tem que ser com responsabilidade. Eu falo isso há mais de 30 anos”, relata Ciro.