A advogada Amanda Teixeira, especialista em inclusão, fez um alerta contundente durante o seminário “Agosto Lilás”, promovido pela Câmara Municipal de Itabira e pela Escola do Legislativo Professor Paulo Neves, na última sexta-feira (8). Ela ministrou a palestra “Jovens e Mulheres Autistas, Vítimas Invisíveis de uma Sociedade Abusiva” e revelou dados preocupantes sobre a vulnerabilidade desse grupo.
“A palestra foi sobre o tema jovens e mulheres autistas, vítimas invisíveis de uma sociedade abusiva. Por que eu digo isso? Porque na palestra apontei alguns números. De dez mulheres autistas, nove já sofreram algum tipo de abuso sexual. Então, hoje [sexta-feira] foi para chamar a atenção mesmo das pessoas neurodivergentes, mostrar para elas que, devido à camuflagem que elas vivem, a busca do autoconhecimento e o auto aprimoramento é que vai libertá-las mesmo desse ciclo de violência”, afirmou.
Segundo Amanda Teixeira, a dificuldade de compreensão de sinais sutis, como ironia e sarcasmo, aumenta o risco de abusos. Ela enfatizou que as mulheres autistas precisam se unir e fortalecer sua autoestima para se posicionar contra qualquer tipo de desrespeito ou fala capacitista. “As mulheres autistas têm um papel muito importante, que é se unir para mostrar para esses agressores que a neurodivergência não as torna incapaz e nem invisíveis para essa sociedade. Muito pelo contrário. Se você me tratar com desrespeito, com falas capacitistas, você não merece estar na minha vida. E para isso eu tenho que buscar uma ajuda, principalmente com os grupos de apoio”, completou.

