Anemia acadêmica! CFM quer impedir registro 13 mil médicos reprovados no Enamed
A medida é uma resposta do CFM aos resultados divulgados pela Enamed na segunda-feira (19)
O Conselho Federal de Medicina (CFM) avalia elaborar uma norma que impeça, entre outras medidas, o registro profissional no Conselho Regional de Medicina de cerca de 13 mil estudantes que foram reprovados no Exame Nacional de Avaliação de Formação Médica (Enamed).
A medida é uma resposta do CFM aos resultados divulgados pela Enamed na segunda-feira (19), publicada inicialmente na Folha de São Paulo e confirmada ao Portal Terra pelo conselheiro Estevam Rivello Alves, porta-voz e 2º secretário da instituição.
Rivello afirma que o CFM solicitou ao Ministério da Educação os dados detalhados dos estudantes reprovados, para ter acesso aos nomes e respectivos desempenhos na Enamed, papra que esses alunos avaliados com notas 1 e 2 não consigam sua inscrição nos conselhos de medicina, o que impediria que esses médicos reprovados pudessem exercer a profissão.
“Diante desse cenário, a gente aguarda os dados do MEC para que possamos implementar uma resolução no CFM com a possibilidade de proteger aquilo que é o bem maior da nossa sociedade contido na Constituição, que é o direito à vida”.
Rivello também criticou o “excesso” de faculdades de Medicina no Brasil, defendendo que os estudantes sejam avaliados no modelo praticado em comunidades internacionais, como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, onde o acesso ao ensino médico é mais restrito.
“Nos EUA existem três tipos de avaliações que, para o médico poder fazer a medicina, precisa passar. Lá tem 300 milhões de habitantes e 150 escolas médicas. No Canadá, temos 18 escolas, estão inaugurando a 19ª escola 50 anos depois de criada a última. Lá, também é feita a avaliação durante a graduação, e o estudante ainda é submetido a uma avaliação ao fim da graduação. No Brasil não temos hoje um número suficiente de mestres e doutores para atender a esse parque de médico que existe. Se não temos isso, já se começam a criar penduricalhos, profissionais de outras áreas ensinando temas relacionados genuinamente à área médica. E ao estudante não está sendo permitido treinar no ambiente ambulatorial e hospitalar o que é visto na sala de aula e nos livros”.
O conselheiro acrescenta: “A gente vê que é um exame que precisa de melhorias, precisa de uma estação prática, porque é assim que é feito no mundo como melhor forma de avaliação no ensino médico. Também defendemos que ao final da graduação, se tenha o Exame Nacional da Proficiência em Medicina (Profimed), nos moldes do que já é aplicado nos cursos de Direito e Contabilidade“.
O Enamed é a modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de Medicina e permite o aproveitamento de seus resultados nos processos seletivos de programas de residência médica. A nota varia de 1 a 5, sendo que as notas 1 e 2 são consideradas não proficientes pelo MEC.
De acordo com o MEC, 351 cursos participaram do exame, inclusive universidades públicas, federais, estaduais e municipais, além de privadas.
Os resultados alcançados foram os seguintes:
Conceito 1: 24 cursos – 7,1%
Conceito 2: 83 cursos – 23,6%
Conceito 3: 80 cursos – 22,7%
Conceito 4: 114 cursos – 33%
Conceito 5: 49 cursos – 13,6%.
1 curso ficou sem conceito por ter menos de 10 alunos avaliados.
O pior desempenho no Enamed ficou com as universidades municipais – 87,5% dos cursos tiveram notas 1 e 2. Essas instituições não estão soob regulação do MEC.
Os dados de proficiência dos estudantes indicaram que 67% dos 39.258 estudantes que estão se formando me Medicina e foram avaliados, têm um desempenho desejável. Já o público geral (49.766), que inclui médicos formados e inscritos no Exame Nacional de Residência (Enare), teve 81% dos participantes com proficiência.
O Enamed é uma prova anual aplicada pelo MEC que avalia o desempenho dos estudantes de Medicina e dos cursos de formação médica. O exame foi criado em 2025 e substitui o Enade para Medicina, servindo como acesso a residências.
A prova e aplicada a todos os estudantes em final de curso na área e pode também ser feito por médicos que queiram se especializar. A avaliação conta com 100 questões em áreas básicas da Medicina.
*Fonte: Portal Terra/CNN