Anglo American projeta expansão de R$ 1 bi e indica medida como vital para continuar em Conceição

Coordenador de Licenciamento Ambiental da Anglo, Felipe Werneck, mostrou detalhes da ampliação da mina em Conceição do Mato Dentro

Anglo American projeta expansão de R$ 1 bi e indica medida como vital para continuar em Conceição

O projeto Minas-Rio, que reúne a mineração em Conceição do Mato Dentro, o maior mineroduto do mundo e um porto no litoral fluminense, chega a uma fase decisiva, que pode representar a expansão das atividades ou até mesmo o fim das operações. Controladora desse sistema vultuoso, a Anglo American busca junto aos órgãos estaduais as licenças necessárias para dar início à terceira fase do empreendimento. Detalhes da ampliação e dos procedimentos burocráticos foram informados à imprensa nessa quarta-feira, 22 de março, durante visita às instalações da empresa, em Conceição, quando diretores enfatizaram a importância vital da nova fase para a permanência da mineradora inglesa na região do Médio Espinhaço.

Os números da expansão são grandiosos. A Anglo American espera investir até R$ 1 bilhão em quatro anos. De acordo com informações repassadas pela empresa, serão gerados até 800 empregos no pico das obras e mais 100 depois que a ampliação estiver concluída. Para Conceição do Mato Dentro, a expectativa é de que haja um incremento de 9% na Compensação Financeira por Exploração de Recursos Minerais (Cfem), algo em torno de R$ 3,2 milhões ao ano.

Com a capacidade de exploração da segunda fase chegando ao limite, a empresa condiciona a continuidade do Minas-Rio à obtenção das licenças prévia (LP) e de instalação (LI) junto à Câmara de Atividades Minerárias (CMI), ligada ao Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). Antes, porém, os estudos de impactos ambientais precisam receber a anuência da Superintendência Regional de Meio Ambiente (Supram) do Jequitinhonha, sediada em Diamantina.

Com tantas etapas burocráticas, o diretor de Saúde, Segurança e Sustentabilidade da Anglo American, Aldo Souza, afirma que a empresa “não tem mais margem de manobra”. Ele afirma que a mineradora perdeu toda folga que tinha na obtenção dos licenciamentos por causa de entraves no Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema) e devido a uma greve na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) no ano passado. “O ano de 2018 é o nosso limite. Se atrasarmos um mês já teremos problemas. Se não tivermos a licença de operação (LO) para a terceira fase teremos que parar a produção em Conceição do Mato Dentro”, frisou.


Diretor de Saúde, Segurança e Sustentabilidade da Anglo American, Aldo Souza                                            Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

A expansão

Por já manter atividades na região do Médio Espinhaço, a Anglo American pode requerer a LP e a LI de uma só vez. O processo para pedir as licenças foi aberto em janeiro de 2015, mas só chegou à Supram dez meses depois, segundo explicou o coordenador de Licenciamento Ambiental da Anglo, Felipe Weneck. De acordo com ele, a empresa espera ter a liberação para iniciar as instalações da terceira fase em julho deste ano. A partir daí, inicia-se um período de 50 meses para as obras necessárias. No decorrer desse tempo, na segunda metade de 2018, a Anglo iniciará o processo para ter a LO.

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A expansão das atividades garantirá mais 28 anos de exploração mineral em Conceição do Mato Dentro, segundo a empresa. O projeto inclui a extensão da área de lavra até bem próximo da MG-010, aumento da pilha de estéreo, construção de novos diques de contenção, uma nova linha de flotação e o alteamento da barragem em 20 metros. Segundo diretores da Anglo, toda a planta do Minas-Rio já é planejada para receber essa suplementação de produção. O mineroduto e o porto de Açu, no litoral fluminense, não precisarão ser ampliados.

No dia 11 de abril, uma audiência pública irá debater a expansão da mina em Conceição do Mato Dentro. A reunião acontece no Ginásio Poliesportivo da cidade. No encontro, diretores da empresa irão mostrar números e demais informações sobre o projeto e a comunidade poderá se manifestar, além de fazer questionamentos. Essa audiência é uma das etapas do processo de licenciamento.


Diretor de Operações do Minas-Rio, José Flavio Gouveia                                                                        Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

O diretor de Operações do Minas-Rio, José Flávio Gouveia, destaca que, durante o planejamento das estruturas do projeto, foram levadas em consideração algumas premissas, como evitar grandes intervenções em área de vegetação nativa, utilizar áreas e vias que já existem, apenas com melhorias e readequações, caso necessário, e dar continuidade às atividades operacionais realizadas atualmente, sempre cumprindo os respectivos programas socioambientais.

A exemplo de Aldo Souza, José Flávio também destaca a importância da ampliação para a continuidade do empreendimento. “A Fase 3 é fundamental para que o Minas-Rio continue suas operações em Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas e também alcance a capacidade de produção nominal do projeto, de forma a obter viabilidade econômica necessária ao negócio e manter a geração empregos e riquezas na região”, afirma. 

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