Ao menos 100 prefeitos já foram cassados desde as eleições de 2008
Em Fronteira dos Vales, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais, Francisco Alves (PSDB) usou dinheiro público para promover um churrascão antes das eleições com direito a quatro bois no rolete. No Sudoeste da Bahia, em Jussiape, Vagner Neves Freitas (PTB) foi algemado e preso depois de um ataque de fúria contra o vice-governador do […]
Nos casos de cassação pelos vereadores, vários processos instaurados têm como pano de fundo rixas políticas locais. Sem influência sobre o Legislativo, os prefeitos perdem o cargo por questões administrativas consideradas banais e sanáveis. Indignados com esse tipo de desfecho, eles entopem o poder Judiciário com uma enxurrada de recursos na tentativa de voltar ao poder. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou não ter levantamento de prefeitos depostos por vereadores, pois o sistema de consulta é restrito ao número de processo ou ao nome das partes envolvidas. Estado com maior número de municípios – 853 ao todo – Minas também lidera com folga o ranking das cassações do TSE, com 21 prefeitos fora das vagas que conquistaram nas urnas em 2008.
Agilidade
O desembargador Kildare Gonçalves Carvalho, presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), diz que o número de afastados reflete o rigor das apurações. O magistrado atribui as cassações à significativa quantidade de cidades no estado, a celeridade das apurações dos processos e, principalmente, ao leque de opções de linhas de investigação proporcionado pela legislação eleitoral. “Não é um número desprezível. Estamos dentro da normalidade se for levado em consideração o baixo percentual em comparação com o número de cidades”, avalia.
Pela legislação, em caso de cassação, os votos dados ao vencedor são anulados. Sendo assim, se o candidato conquistou mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno, são convocadas novas eleições. Foi justamente isso que ocorreu em cidades mineiras, onde 20 eleições fora de época foram realizadas em virtude de prefeitos que perderam o cargo. Além dessas, a população de Campo Florido, no Triângulo, terá de voltar às urnas em 5 de dezembro para escolher o novo governante colocando um ponto final na crise política do município.