Apac dá prazo de dois meses para viabilização de novo terreno
Reunião sobre o impasse Apac/Parque Tecnológico foi realizada na Acita
Uma reunião na noite dessa sexta-feira, 29 de abril, marcou a decisão da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) de aceitar um novo terreno para construir o Centro de Reintegração Social (CRS). O encontro ocorreu na sede da Acita e contou com a participação de nomes importantes, como o diretor da Fiat, Marco Antonio Lage, o engenheiro Kleber Guerra, o prefeito Damon Lázaro de Sena, o diretor do campus da Unifei Itabira, Dair José de Oliveira, e a juíza Cibele Mourão.
A reunião foi exatamente como pediu o presidente da Apac, Danilo Alvarenga, quando esteve na Câmara de Itabira, na última terça-feira, 26, e foi bombardeado pelos vereadores. Encontro fechado, sem “espetacularização”, e que chegou a uma definição. A associação, representada por seu presidente e por Marco Antonio Lage (que é presidente do Instituto Minas Pela Paz, que chancela Apacs em todo estado), deu um prazo de dois meses para que seja encontrada uma nova área que atenda aos requisitos da instituição.
Foi a primeira vez que a Apac sinalizou abertamente que pode construir o CRS em outro local que não seja a área doada pela União na comunidade de Córrego do Meio. Os moradores são contra a instalação e preferem que o terreno seja destinado para o Parque Científico Tecnológico, projeto defendido pela Acita, Unifei e Câmara de Vereadores. Marco Antonio Lage, no entanto, falando em nome da Apac, deixou claro que, passado o prazo de dois meses, se não tiver uma área que atenda aos critérios da associação, o CRS será, sim, construído em Córrego do Meio.
Os participantes da reunião montara uma comissão técnica, com engenheiros indicados pela Apac, pela Prefeitura de Itabira e pela Vale, além de representantes da Acita e da Câmara, que vão fazer a avaliação de uma área na às margens da rodovia que segue para o distrito de Senhora do Carmo. O terreno pertence à Cenibra e foi indicado à associação pelo procurador jurídico do município, Alfredo Drummond. Os estudos já começam na segunda-feira, 2 de maio.

Prazos e exigências
Durante toda reunião, todos puderam falar. O engenheiro Kleber Guerra, o presidente da Acita, Eugênio Muller, e o diretor da Unifei, Dair Oliveira, argumentaram que o projeto do Parque Científico Tecnológico fica comprometido com a instalação da Apac em Córrego do Meio. “Empresas do exterior, por causa da cultura dos países, têm aversão ao sistema prisional. Na China, por exemplo, eles têm até pena de morte. Não acho que irão trazer a empresa para ficar ao lado de uma Apac”, defendeu Kleber Guerra.
A Apac concordou em aceitar novo terreno, mas deixou claro que tudo precisa ter prazo. A instituição já tem dinheiro disponível para a primeira fase do CRS e as obras em Córrego do Meio até já começaram. Por isso a exigência dos dois meses. Ficou combinado que nesta segunda-feira o presidente Danilo Alvarenga entregaria à comissão montada um documento com as exigências técnicas e de metodologia da Apac. A nova área terá que atender as determinações.
“Ao final desses dois meses, se não tivermos encontrado essa área, chegaremos ao ponto de que teremos que seguir com a construção onde já estamos. O nosso plano A é encontrar a área. O B é construir em Córrego do Meio, ao lado do Parque Científico Tecnológico. O C é não construir a Apac e neste eu não participo, seria um fracasso para todos nós”, afirmou Marco Antonio Lage.
O prefeito Damon Lázaro de Sena voltou a afirmar que o município se compromete a arcar financeiramente se houver a necessidade de desafetar alguma área e também compensar a Apac pelo que já investiram em Córrego do Meio. Outra necessidade é deixar o provável novo terreno em ponto de iniciar a construção.