Apac será inaugurada em março e internos são selecionados no presídio de Itabira
Gestores e apoiadores da Apac acompanham o projeto de edificação da unidade

O centro de reintegração social da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) de Itabira deverá ser inaugurado no mês de março deste ano. As obras estão em fase de conclusão em Córrego do Meio, na zona rural do município. Inicialmente, 32 detentos, com autorização judicial, vão migrar para o cumprimento da pena no método apaquiano.
Segundo o presidente da Apac, Danilo Alvarenga, as obras estão próximas do fim e faltam o acabamento dos banheiros e a construção da laje. A unidade prisional em Córrego do Meio tem 1.200 m².
Os diretores da associação tentam agora um convênio com o governo estadual. Os custos e a manutenção da unidade precisarão de apoio do poder público, haja vista que os integrantes e gestores da Apac são voluntários e a entidade não tem fins lucrativos. “Estamos com 1.200 m² de obra sem um centavo de recurso público até agora”, citou Alvarenga.
A Apac tem uma política diferenciada de recuperação de presos. Não há superlotação e os chamados recuperandos têm acesso a cursos profissionalizantes e trabalho. O método têm índice baixíssimo de reincidência no crime, o oposto do sistema prisional comum. Nesta semana, a Revista Veja destacou o sistema e mostrou como é a vida do goleiro Bruno na Apac de Santa Luzia, onde ele carrega as chaves da própria cela.
Os condenados que irão para a unidade em Córrego do Meio passam por um rigoroso processo de avaliação, que atesta o bom comportamento. Os indisciplinados, violentos e líderes de grupos criminosos dificilmente têm acesso a essa metodologia.
Danilo Alvarenga citou que entrevistas já foram feitas com os internos do presídio de Itabira. Os que estarão aptos a irem para a Apac passarão, sobretudo, pelo crivo do Judiciário da Comarca. Em até um ano de funcionamento, a meta é atender 64 pessoas no centro de reintegração, capacidade do lugar.
Desafios
O terreno na zona rural de Itabira foi doado à Apac pela União em 2009 e a obra demorou a sair do papel. Um primeiro desafio foi arrecadar recursos à construção. Mas, vieram outros obstáculos: a comunidade no entorno não aceitou a instalação do programa e o empresariado local também criou barreiras ao projeto, argumentando não ser interessante ter a Apac em um território que poderá receber, futuramente, o Parque Científico e Tecnológico de Itabira. Os voluntários da Apac, no entanto, não recuaram.




