APAE leva debate sobre inclusão à Câmara e destaca desafios das famílias atípicas: “Nenhuma autonomia nasce no abandono”
Psicóloga da APAE e vereadores destacam desafios da inclusão e cobram avanços no apoio às famílias atípicas

Durante o uso da tribuna na reunião ordinária da Câmara Municipal de Itabira, realizada nesta terça-feira (7), representantes da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Itabira (Apae), levaram reflexões importantes sobre inclusão, autonomia e os desafios enfrentados por pessoas com deficiência e suas famílias.
A psicóloga France Jane Leandro, com anos de atuação na instituição — sendo 18 deles dedicados diretamente ao atendimento de pessoas que fazem parte do espectro autista — destacou a vivência ao lado das famílias e os desafios enfrentados diariamente. Segundo ela, mais do que dificuldades, é possível enxergar a força e a dedicação de pais e mães que não desistem de seus filhos.
France ressaltou que o tema deste ano reforça uma ideia central: a autonomia não acontece de forma isolada. “A autonomia se constrói com apoio. Nenhuma autonomia nasce no abandono. Ela nasce quando há família orientada, escola preparada, profissionais capacitados e uma sociedade disposta a incluir de verdade”, afirmou.
A psicóloga também chamou a atenção para a necessidade de transformação social, com menos preconceito e mais informação. Para ela, o momento vai além de celebração, sendo também um convite à reflexão. “É um compromisso de construir uma cidade mais humana, mais sensível e mais inclusiva. Que esse dia nos tire da zona de conforto e nos faça olhar para aquilo que ainda não fizemos”, disse.
Mudanças efetivas
O vereador Rodrigo Assis, o Diguere (MDB), também destacou a importância do trabalho desenvolvido pela APAE e reforçou a necessidade de ampliar o debate sobre inclusão. Segundo ele, a data deve servir não apenas para conscientizar, mas para provocar mudanças concretas. “Ainda não é o suficiente”, afirmou. “É uma data que precisa nos incomodar enquanto sociedade e enquanto poder público, porque, por mais que se faça, ainda há muito a avançar”, completou.
Já o vereador Bernardo Rosa (PSB) classificou como “imensurável” o valor da APAE para a sociedade, especialmente para as famílias atípicas. Em sua fala, ele criticou a dificuldade da gestão pública em promover inclusão e citou iniciativas legislativas voltadas à causa, como a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea) e propostas para adaptação de ambientes escolares.
Bernardo também destacou a necessidade de uma mudança cultural. Para ele, mais do que leis punitivas, é preciso investir em educação e conscientização. “A sociedade ainda não é acolhedora. Muitas pessoas só passam a entender quando a realidade atinge alguém próximo”, afirmou.




