Aplicativos de transporte em BH: dificuldades para motoristas refletem no serviço prestado a usuários

Motoristas e usuários têm relatado queixas sobre as corridas nos aplicativos de transporte na capital mineira

Aplicativos de transporte em BH: dificuldades para motoristas refletem no serviço prestado a usuários
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A dinâmica dos aplicativos de transporte em Belo Horizonte tem sido difícil nos últimos meses. Usuários relatam diversas rejeições nas solicitações de corrida e demoras no atendimento. Já os motoristas reclamam que as plataformas não aumentam o repasse, mesmo com todos os gastos em alta. A DeFato Online procurou os dois lados para entender melhor a situação em BH.

Willer Teixeira é motorista de aplicativo na capital mineira e produz a renda para sustento da casa por meio dos aplicativos de transporte, como Uber e 99Pop.

“Nos dias de hoje, 60% do que nós ganhamos corresponde ao combustível, e a outra parte a gente tem que dividir ali, dividir entre aluguel do carro ou manutenção, pra quem tem carro próprio. O que sobra é pra gente sustentar a casa”, detalha.

Ele explica que a Uber aumentou o valor da corrida, mas somente para o usuário. Esse repassa não chegou para os motoristas. Willer conta que antes os motoristas tinham uma tarifa referente ao trajeto até o local de embarque do passageiro. Porém, essa tarifa foi retirada e a empresa não compensou de outra forma.

O motorista ainda afirma que, em média, a Grande Belo Horizonte tinha por volta de 28 mil motoristas de aplicativo antes da pandemia. Porém, o número aumentou para cerca de 75 mil durante a atual crise de saúde. Willer acredita que pode ser reflexo do desemprego no país e também pelo fato de que se tornar motorista de aplicativo pode ser uma renda fácil e rápida.

“Esse aumento de motoristas trouxe mais concorrência ao nosso mercado, que antes não era tão grande. Então, a concorrência entre motoristas por uma viagem está muito grande. Só que, em contrapartida, as empresas de transporte por aplicativo veem no Brasil uma oportunidade, diferente dos outros países. Com o nosso índice de desemprego grande, automaticamente, mais pessoas começam a entrar desesperadas nos aplicativos para buscar uma forma de sustentar a família”, diz.

Willer contou que a Uber tem realizado reuniões com os motoristas por meio do “Uber Escuta”. Mas, segundo ele, as reuniões não têm tido muitos resultados para os motoristas da capital. “Muitas vezes a gente vê que os representantes que estão lá, em nome da plataforma, não têm esse poderio todo de resolver o problema. Ele pega tudo aquilo que a gente passa e vai levar para um superior para, talvez, conseguir trazer um resultado positivo que a gente ainda não tá vendo”, afirmou.

O motorista relata que percebeu uma melhora na segurança nas plataformas. No entanto, o sistema de tarifas e a transparência com os trabalhadores ainda tem sido falhos. O presidente da Frente de Apoio Nacional dos Motoristas Autônomos (Fanma), Paulo Xavier, confirma que o descaso dessas empresas acaba contribuindo para a atual situação em Belo Horizonte.

“As plataformas são culpadas por deixarem a situação chegar neste ponto e os motoristas e usuários são vítimas da exploração das plataformas. Elas encontraram no Brasil o cenário ideal: mãos de obra farta com muitos desempregos e deficiência na mobilidade pública”, reforça Paulo.

O presidente da Fanma também conta que os custos para os motoristas elevaram muito neste ano, que enfrentam alta no combustível e em insumos. Ele conta que, desde a chegada das plataformas em 2014, não houve reajustes nos repasses e os motoristas precisam arcar com as altas nos preços. Segundo Paulo, o custo hoje é, em média, R$ 1,00 por km rodado, considerando combustível e gastos do carro.

O lado dos usuários

O recepcionista Arthur Emanuel passou a utilizar mais o serviço durante a pandemia, levando em conta a maior segurança sanitária desse transporte. O jovem admite que o serviço passou a ficar ruim para os dois lados.

“Bom, nos últimos meses tem ficado bem ruim. Por causa do preço da gasolina, os motoristas não estão rodando direito, então a experiência está cada vez pior. Dependendo do horário, do dia, quem quiser pedir um carro, você não consegue. Aí vai ficando cada vez mais tarde pra ir embora e os preços só vão aumentando”, explica.

Carol Caputo, que trabalha como editora de vídeos, também é usuária frequente dos aplicativos de transporte em Belo Horizonte, e alega que, apesar de achar um ótimo serviço, tem percebido uma queda na qualidade das plataformas.

“Os serviços estão ficando cada vez mais degradantes. Cada vez está ficando mais caro, o tempo de espera pelo carro é maior e os cancelamentos mais corriqueiros. Às vezes, quando a corrida é aceita, o motorista chega a segurá-la por quase 10 minutos para depois cancelar. Esse tem sido um dos maiores problemas das plataformas de carro.”

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