Após manifestação, Prefeitura de Itabira garante que irá manter o número de alunos da Fazenda da Bethânia
A secretária de Educação, Edna Carvalho, afirmou que não haverá cortes no número de alunos da instituição — desde que eles estejam frequentando a Fazenda da Bethânia de maneira regular
Mães e responsáveis de alunos da Fazenda Bethânia, localizada no bairro Pedreira, foram ontem (16) à Câmara de Itabira, para pedir apoio dos vereadores contra os cortes no convênio da instituição com a Prefeitura de Itabira. De acordo com os manifestantes, a situação poderia diminuir o número de alunos da instituição, reduzindo de 175 crianças e adolescentes, para 100 estudantes. No entanto, a possibilidade foi rechaçada pela gestão municipal, que garantiu a permanência dos alunos.
A informação foi dada após a manifestação na Câmara, durante um encontro organizado pelo vereador Hudson Junio Diogo dos Santos “Yuyu da Pedreira” (PSB) junto a secretária de Educação, Edna Carvalho Silva, onde os familiares foram informados de que não haverá cortes no número de alunos da instituição — desde que eles estejam frequentando a Fazenda da Bethânia de maneira regular. No entanto, Edna teria sinalizado que poderão sim ocorrer demissões em relação a funcionários “que, no momento, não sejam de extrema necessidade”. “Importante reforçar: são 175 alunos matriculados no projeto e, permanecendo com frequência regular, todos seguirão normalmente”, explicou Yuyu, através de um comunicado à imprensa.

Horas antes, os familiares dos alunos estavam desesperados no plenário da Câmara Municipal, erguendo cartazes com os dizeres: “Quem fecha as portas para as crianças abre os caminhos para a violência”, “Educação, acolhimento e esperança não podem ser cortados” e “Não fechem portas para quem só teve uma chance: esse projeto”. O receio dos pais era que o projeto que existe há mais de três décadas fosse descontinuado devido às medidas de contingenciamento que estão sendo promovidas pela Prefeitura de Itabira – e que afetarão o convênio da Fazenda Bethânia.
Antes das mães dos alunos se manifestarem, Geraldo da Cruz Fonseca, coordenador administrativo da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Itabira, também havia pedido apoio dos vereadores para evitar o corte do convênio da Prefeitura de Itabira e o Centro Dia – um eixo da Apae. De acordo com o coordenador da entidade, o Centro Dia atende (de forma mensal) a 190 ex-alunos da entidade. Além da interrupção de atendimento, Geraldo afirmou que as alterações no convênio podem afetar diretamente os serviços e a continuidade das atividades da Apae – que já demitiu 12 funcionários.
“Será que nós vamos ter que fechar as portas mesmo para esses 190 usuários? Essa é a pergunta que eu deixo aqui para vocês. Sinceramente, a gente não está vendo nenhuma luz e, no fim de julho, a gente vai fechar as portas. Só que, a gente fechando porta para esses 190 usuários, a gente vai impactar a Apae como um todo. Não é só o Centro Dia que vai fechar não, porque a gente não sabe até mais quantos dias a Apae aguentaria”, manifestou Geraldo da Cruz.

Outra entidade manifestante na Câmara foi a Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Itabira (APMII), através do presidente Ailton Rodrigues de Oliveira. Assim como Geraldo da Cruz, Ailton estava visivelmente emocionado, explicando que os cortes no convênio da entidade com a Prefeitura de Itabira podem afetar em até metade da capacidade de funcionamento do projeto social. “Hoje tenho 100% das vagas ocupadas pela manhã e 75% à tarde. Como vou decidir quais 50% das crianças não poderão mais vir? Quem vai olhar para elas?”, disse durante seu discurso.

Prefeitura emite comunicado
Em nota enviada ao jornal Diário de Itabira, a Prefeitura Municipal de Itabira afirmou que os repasses destinados à Apae – por meio das secretarias de Saúde e Educação – serão mantidos sem alteração. O governo também disse que a Secretaria de Assistência Social possui um plano para manter o funcionamento do Centro Dia ao longo do mês de junho e tem alinhado conversas para garantir a manutenção do serviço no segundo semestre de 2025.
Em relação à Fazenda Bethânia, a Prefeitura afirmou que não haverá cortes no convênio da creche da instituição, que atende 191 alunos de seis meses a três anos. A mudança nos repasses à instituição se limitaria aos atendimentos extraclasse das crianças entre 7 e 14 anos, mas, segundo a prefeitura, os alunos frequentes continuarão a ser atendidos.
O Executivo itabirano não teria se manifestado sobre a situação da APMII.




