As eleições 2026 e o fator Lulinha
Jair Bolsonaro, na contramão de aparente lógica, jogou no ventilador a candidatura de Flávio Bolsonaro, o popular 01

O processo eleitoral de 2026 começou em 2025. Nos 365 dias anteriores, a direita andava desordenada (ou desorientada). Cinco candidatos deste segmento ideológico desfilavam nas passarelas dos institutos de pesquisas: Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Eduardo Leite e Tarcísio de Freitas. Todos entraram no bloco “eu sozinho” e se lançaram na corrida eleitoral prévia, de forma aleatória. A esquerda seguia na raia com concorrente único. Luiz Inácio Lula da Silva sempre foi a carta na manga do campo progressista.
Neste panorama, o petista se apresentava como franco favorito. Os levantamentos também mostravam uma realidade bastante evidente: o governador de São Paulo- Tarcísio de Freitas- era o ator com maior competividade para despejar o inquilino do Palácio da Alvorada. A toada era samba de uma nota só. A princípio, havia remotas possibilidades de alterações nas peças deste tabuleiro.
Mas, de repente, Jair Bolsonaro resolveu “desafinar o coro dos contentes”. Na contramão de aparente lógica, jogou no ventilador a candidatura de Flávio Bolsonaro, o popular 01. O ex-presidente deu o cavalo de pau diretamente da Papudinha. O mundo veio abaixo. A direita esperneou. A esquerda comemorou. O PT vibrou como se fosse gol decisivo de uma final de Copa do Mundo. Tal entusiasmo tinha razão de ser. O confronto seria entre pontapé e cachorro morto.
Com o tempo, a comemoração vermelha se transformou em foguete molhado. No início da trama, nem Flávio parecia levar muito a sério a estratégia paterna. O senador chegou a admitir a possibilidade de abrir mão da “honrosa missão”. Foi precipitado na avaliação. Deveria ter confiado no tino do velho capitão. Aos poucos, o ungido começou a apresentar um desempenho surpreendente nos “datas vidas”. Consequência. O então homem zebra alcançou rapidamente o status de competitivo. Atualmente, em determinados cenários, até já derrota o antigo poli position num provável segundo turno. As projeções indicam a consolidação desta liderança, a partir de abril.
Uma circunstância, porém, promete transformar o processo num espetáculo surrealista. O cúmulo do imponderável. A decisão do pleito poderá acontecer no interior de lar doce lar. Por simples motivo. O resultado derradeiro ficará nas mãos de “ilustres” filhos dos pais mais emblemáticos do país. Esta delonga tem explicação. De um lado, Flávio Bolsonaro terá a chance de premiar a ousadia de Jair Bolsonaro (a aposta 01). Na outra ponta, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, exibe potencial para sepultar o sonho de quarto mandato de Luiz Inácio.
O quadro é muito claro. Enquanto Flavio se movimenta na velocidade de Fórmula 1, Lulinha navega em revolto mar de perigosas suspeições. O primogênito do mandatário maior flerta com lamaçal de propinas. Um exemplo. O nosso personagem teria recebido pequeno mimo mensal de R$ 300 mil – uma gentileza do famigerado Careca do INSS, segundo depoimento de uma testemunha na CPMI. E a encrenca só tende a se agravar. O pequeno Lula é dinamite à procura de um detonador. O sujeito pode implodir tudo. No pôr do sol de 2026, o Brasil descobrirá o verdadeiro nome do filho pródigo: Flávio Bolsonaro ou Fábio da Silva. Vamos aguardar.
P S: Não se espante. O agravamento do fator Lulinha até poderá provocar a desistência de Lula. Seria um cenário extremo, mas possível.
Sobre o colunista
Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.




