Assassinatos em janeiro já superam média de 2013
Morte de Vagner Junior de Azevedo, no dia 19 de janeiro, desencadeou “praça de guerra” no aglomerado São Bento, segundo moradores
O ano de 2013 foi o mais violento da história de Itabira, com o índice de crimes violentos em franca ascensão. Roubos, tentativas de assassinato e mortes consumadas: tudo subiu. Foram 36 homicídios, o que causou espanto na população. Veio 2014 e a criminalidade continua causando medo. Só em janeiro foram quatro pessoas executadas, número já superior à média de três mortes por mês registrada no ano passado.
Em janeiro de 2013, um homicídio foi registrado em Itabira. O primeiro mês do ano foi o que menos teve crimes violentos no ano passado. A situação é diferente em 2014. Em um espaço de nove dias, quatro pessoas foram mortas a tiros. A suspeita é de que todos estejam envolvidos, de alguma maneira, com o tráfico de drogas.
O primeiro homicídio foi no dia 16. Cristiano Rodrigo Santos, conhecido como Kim, 30 anos, foi executado no cruzamento das ruas Ouro Preto e Congonhas, no bairro Jardim das Oliveiras. No dia 19, Vagner Junior de Azevedo, 25, foi executado com seis disparos depois de uma confusão no bairro São Bento. No dia 22 morreu no Hospital Nossa Senhora das Dores Júlio César de Souza (Negão), baleado no bairro Pedreira no dia anterior. A última morte foi a de Bruno Henrique da Silva, 17, nesse sábado, 25, novamente no bairro São Bento.
As duas mortes deixaram os moradores do São Bento assustados. Vizinhos comentam que desde o homicídio registrado no dia 19, o aglomerado virou uma “praça de guerra”, com brigas, ameaças e outras ocorrências. Amedrontados, vários disseram que pretendem deixar o local.
Polícia Militar
Para vencer a sensação de insegurança, a Polícia Militar aposta em aparelhamento. No fim do ano passado, o 26º Batalhão recebeu veículos do Governo do Estado, inclusive uma van Ducato, usada como Base Comunitária Móvel. Esse novo modelo de atuação permite que a PM se desloque e permaneça pelo tempo que for necessário em determinada localidade, ocupando o lugar de bases fixas. A PM também firmou convênio com a Prefeitura de Itabira e com a Vale para receber, ainda neste início de ano, mais viaturas.
Mas só viaturas não são o bastante. A PM de Itabira hoje conta com cerca de 250 policiais e, de acordo com cálculos do comandante tenente-coronel Júlio Maria Abílio, seriam necessários, pelo menos, mais 50 cabos e soldados. O militar espera para este início de ano a chegada de 13 civis concursados que vão trabalhar na administração do Batalhão. Dessa forma, os policiais que fazem esse serviço poderão ir para as ruas, o que amenizaria, um pouco, a situação.
Na prefeitura
O prefeito de Itabira, Damon Lázaro de Sena, esteve em Belo Horizonte em novembro do ano passado e se reuniu com o chefe da Assessoria Institucional da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), coronel Marco Antônio Badaró Bianchini. Ele levou ao comando da polícia informações e números referentes à criminalidade e a preocupação com a sensação de insegurança dos itabiranos.
Em entrevista publicada na edição 251 da Revista DeFato, Damon explicou a necessidade urgente de incrementar o serviço de segurança pública realizado no município. Uma das ações imediatas, de acordo com o prefeito, é o aumento no número de câmeras no projeto “Olhar Atento”. Segundo o chefe do Executivo, serão 28 novos equipamentos, sendo 14 na primeira etapa e mais 14 na segunda. Damon ainda planeja a criação de uma Secretaria Municipal de Segurança Pública e da Guarda Municipal.
“São ações que podem acontecer a curto, médio e longo prazo. A Guarda Municipal é um projeto nosso, um compromisso de campanha. Já tivemos contato com o vice-prefeito de Ipatinga, que é um coronel reformado, e ele já formatou todo processo de administração da secretaria de Segurança Pública daquela cidade. Além disso, eu discuti também com pessoas da Polícia Federal para nos assessorar na implantação da Guarda Municipal. Mas, antes da guarda, devemos criar a Secretaria de Segurança Pública”, explica o prefeito de Itabira.