Até defesa quer condenação do borracheiro que matou a cabeleireira de São Sebastião do Rio Preto

Fábio William, de 31 anos, pode pegar de 12 a 30 anos de cadeia

Até defesa quer condenação do borracheiro que matou a cabeleireira de São Sebastião do Rio Preto
O borracheiro Fábio William Silva Soares, de 31 anos, acusado de matar a ex-mulher, a cabeleireira Maria Islaine Pereira, de 31, natural de São Sebastião do Rio Preto, tem a condenação defendida pelo próprio advogado de defesa, Ércio Quaresma, que chegou a trabalhar no caso do goleiro Bruno. Ele será julgado sexta-feira, pelo 1º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette, em BH, e pode pegar de 12 a 30 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe.
 
“A condenação dele é merecida e justa. Nada justifica o crime. Agora, o que vamos buscar é justiça com relação à aplicação da pena. Vamos buscar tirar as duas qualificadoras e talvez uma terceira tese no plenário”, disse Quaresma. Segundo ele, seu cliente se arrepende do que fez a cada manhã. “Conversei com ele, que admite o desatino. Há gravações feitas pela Islaine que denotam o destempero e o inconformismo dele com o rompimento da relação, seu ciúme doentio em relação a ela, o que nos leva a crer que o motivo torpe não prospera”, disse o advogado, que também vai tentar derrubar a qualificadora do recurso que impossibilitou a defesa da vítima. “Por incontáveis vezes, Maria Islaine desafiou meu cliente a matá-la. Foram quatro ou cinco diálogos e tenho tudo gravado”, disse Quaresma.
O defensor também considera que a questão financeira foi pano de fundo para o ciúme. “Ela queria um patrimônio que ele edificou sozinho”, sustenta o advogado, que entrou com dois habeas corpus na Justiça para soltar seu cliente e não conseguiu. O assistente de acusação contratado pela família da vítima, advogado Marco Antônio Siqueira, não foi localizado pelo Estado de Minas.
 
O Ministério Público e assistentes de acusação têm várias provas contra Fábio para pedir a condenação. Uma funcionária e duas clientes do salão testemunharam o homicídio, conforme mostram as imagens registradas pelas câmeras de segurança instaladas pela própria vítima, diante das ameaças que vinha sofrendo. Maria Islaine morava nos fundos do salão.

O crime
Fábio levou apenas 48 segundos para invadir o salão de beleza de Maria Islaine e matá-la com oito tiros (quatro no peito, três nas costas e um na cabeça). Estava inconformado com o fim da relação e com a partilha dos bens. O crime, registrado pelas câmeras de segurança do salão, ocorreu às 8h40 de 10 de janeiro do ano passado, no Bairro Santa Mônica, Região de Venda Nova.
 
A cabeleireira havia registrado diversos boletins de ocorrência denunciando as ameaças. Quando ela morreu, a família entregou cópias das queixas à polícia, alegando que a tragédia já era anunciada e que nenhuma providência havia sido tomada. Em abril de 2009, Fábio foi enquadrado na Lei Maria da Penha e havia, inclusive, uma ordem judicial para ele não se aproximar de Maria Islaine.