Ativistas do barco Madleen são transferidos para Tel Aviv após interceptação por Israel

A deportação do ativista Thiago Ávila está sendo supervisionada pelo governo brasileiro, que confirmou ontem seu retorno ao Brasil

Ativistas do barco Madleen são transferidos para Tel Aviv após interceptação por Israel
Foto: Reprodução Instagram/@gazafreedomflorilla

Os 12 ativistas a bordo do veleiro Madleen, interceptado por Israel na madrugada da última segunda-feira (9), foram transferidos nesta terça-feira (10) para o aeroporto Ben Gurion, próximo a Tel Aviv, com a maior parte já iniciando o processo de repatriação. O barco, que navegava em direção à Faixa de Gaza com ajuda humanitária simbólica, foi escoltado por embarcações da Marinha israelense até o porto de Ashdod, após ser interceptado em águas internacionais.

Entre os passageiros estavam cidadãos do Brasil, França, Alemanha, Turquia, Suécia, Espanha e Holanda. O grupo, ligado à Coalizão Flotilha da Liberdade (FFC), pretendia romper o bloqueio imposto por Israel ao território palestino. A embarcação levava arroz e leite em pó para Gaza.

A ativista sueca Greta Thunberg, uma das principais figuras do movimento ambientalista global, foi uma das detidas. Ela já deixou Israel em um voo com destino à Suécia, com escala na França, conforme anunciou o Ministério das Relações Exteriores de Israel em publicação na rede X. Uma imagem divulgada mostra Greta sentada dentro do avião. Já o brasileiro Thiago Ávila será interrogado e possivelmente retornará para o Brasil sob acompanhamento do governo brasileiro. O Itamaraty cobrou Israel a libertação e o fim imediato das restrições à entrada de ajuda humanitária em Gaza.

Cinco cidadãos franceses, incluindo a deputada francesa Rima Hassan, recusaram-se a deixar voluntariamente o território israelense e aguardam decisão judicial sobre sua eventual expulsão. O chanceler francês, Jean-Noël Barrot, afirmou que acompanha a situação e pediu que os direitos de seus compatriotas sejam respeitados.

Israel acusou os ativistas de promover uma “provocação midiática”, alegando que o grupo buscava publicidade e que transportava menos do que um caminhão de ajuda. Já organizações internacionais e governos como Irã e Turquia classificaram a ação israelense como ilegal e uma violação do direito internacional. O episódio reacende críticas sobre o bloqueio a Gaza, imposto desde 2007, e amplia a pressão internacional por soluções diplomáticas e humanitárias para a população palestina.