Avanço das forças militares de Israel em Rafah alertam aliados internacionais

Estados Unidos, Egito e África do Sul expressam preocupação; 300 mil pessoas já fugiram de Rafah após ordens de evacuação de Israel

As forças israelenses avançam na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, e mantém forte oposição ao Hamas em partes do norte. Cerca de 300 mil pessoas já fugiram de Rafah após ordens de evacuação de Israel, que afirma que o país deve invadir a região para desmantelar o grupo terrorista e devolver dezenas de reféns feitos nos ataques de 7 de outubro.

Os alertas de aliados internacionais contra a ofensiva, contudo, continuam sendo feitos. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Anthony Blinken, defendeu na manhã deste domingo (12) a retenção do envio de cerca de 3,5 mil bombas a Israel. Ele reforçou que esse foi o único carregamento de armas retido até o momento, mas que a situação pode mudar, caso Israel insista na operação Rafah.

Além de reforçar que Israel ainda não apresentou um plano crível para proteger os civis, o secretário ainda disse que é necessário um plano para quando todo o conflito em Gaza acabar.”E nós ainda não vimos isso, porque o que temos até agora são partes de Gaza que Israel havia recuperado do Hamas, mas onde o Hamas está conseguindo voltar, incluindo Khan Younis”, alertou Blinken.

O conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, conversou por telefone neste domingo, 12, com seu colega israelense Tzachi Hanegbi e reiterou as preocupações dos norte-americanos a respeito de uma ofensiva terrestre de Israel em Rafah, na Faixa de Gaza, onde vivem mais de um milhão de palestinos.

Segundo comunicado divulgado neste domingo pela Casa Branca, Sullivan tratou com Hanegbi sobre “cursos de ação alternativos para garantir a derrota do Hamas em toda a Faixa de Gaza”. O conselheiro israelense afirmou que o país está “levando em consideração” as preocupações dos norte-americanos.

A expansão da operação em Rafah também tem oposição do vizinho Egito, cujo ministério dos Negócios Estrangeiros disse que pretende juntar-se formalmente à ação da África do Sul no Tribunal Internacional de Justiça, que alega que Israel comete genocídio em Gaza.

“Uma ofensiva em grande escala contra Rafah não pode ocorrer”, disse o chefe dos Direitos Humanos das Nações Unidas, Volker Turk.

*Com Estadão Conteúdo