Backer terá que recolher todas as cervejas comercializadas desde outubro de 2019

Determinação é do Ministério da Agricultura e mira todos os rótulos produzidos pela cervejaria mineira

Backer terá que recolher todas as cervejas comercializadas desde outubro de 2019
Técnicos do Ministério da Agricultura interditaram a fábrica da Backer – Foto: Divulgação Mapa

O Ministério da Agricultura, Pesca e Agropecuária (Mapa) determinou, nesta segunda-feira, 13 de janeiro, que a cervejaria Backer recolha todas as cervejas comercializadas por ela desde outubro de 2019. O “recall” vale para todos os 21 rótulos produzidos pela empresa mineira, incluindo a Belorizontina, marca que está relacionada ao surgimento de uma síndrome nefroneural que já matou uma pessoa no estado.

A determinação ocorre após a interdição da fábrica da cervejaria, no bairro Olhos D’Água, em Belo Horizonte, na última sexta-feira (10), pelo próprio Ministério da Agricultura. Segundo o Mapa, auditores fiscais federais agropecuários – nas especialidades farmacêutica, química e de engenharia agronômica – prosseguem apurando as circunstâncias em que ocorreram a contaminação verificada pelas autoridades policiais em lotes da Belorizontina, “a fim de dar pleno esclarecimento à população dos fatos”.

Nesta segunda-feira, em nova coletiva de imprensa, a Polícia Civil informou que um terceiro lote da Belorizontina, de código L2 1354, também apresenta substância tóxica, o monoetilenoglicol. Esse lote se junta a outros dois da mesma bebida, L1 1348 e L2 1348, nos quais laudos já haviam apontado a presença do dietilenoglicol, substância também presente em exames de pacientes internados com sintomas da síndrome nefroneural.

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Segundo o delegado Flávio Grossi, responsável pelo inquérito policial, embora trate-se da mesma Belorizontina, o terceiro lote contaminado foi distribuído para o Espírito Santo, onde a cerveja é comercializada com o rótulo Capixaba.

Ainda de acordo com o delegado, entre os documentos que investigadores recolheram na fábrica da Backer há notas fiscais da compra de monoetilenoglicol. Também foram encontrados vestígios das duas substâncias tóxicas nos equipamentos de resfriamento usados na produção da cerveja. “Foi coletada uma amostra no tanque de chiller, um equipamento de refrigeração, e a perícia prévia desta amostra evidenciou a positividade tanto do monoetilenoglicol, quanto do dietilenoglicol”, comentou o superintendente de Polícia Técnico-Científica da Polícia Civil, Thales Bittencourt. “Porque havia estas substâncias no tanque de refrigeração nós não podemos ainda manifestar e vamos continuar investigando”, acrescentou o superintendente.

Em nota divulgada à imprensa nesta segunda, na mesma em que informa a determinação das cervejas da Backer, o Ministério da Agricultura afirma, embora a medida valha para todos os rótulos da cervejaria, não há resultado laboratorial que confirme a presença de derivados do etilenoglicol nas demais marcas da empresa. “Os produtos estão sendo analisados e, caso existam resultados positivos, novas medidas serão adotadas”, diz a nota.

A Backer ainda não se pronunciou sobre as informações divulgadas hoje pela Polícia Civil e nem sobre a determinação do Mapa. Desde o surgimento das suspeitas de que a ingestão de cervejas da marca podem ter provocado a síndrome nefroneural, a empresa tem afirmado não utilizar o etilenoglicol em nenhuma das fases de produção.

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