“Bandido bom é bandido morto”, exclama delegado em debate sobre segurança pública

Delegado Paulo Tavares foi enfático e não economizou em declaração polêmica

“Bandido bom é bandido morto”, exclama delegado em debate sobre segurança pública

Discussões sobre segurança dominaram, pela terceira semana seguida, a reunião da Câmara de Vereadores de Itabira. Nessa terça-feira, 10 de março, o que se viu foi uma verdadeira audiência pública, com falas de vereadores e autoridades da área. Entre os argumentos, questionamentos e discursos, chamou atenção o pronunciamento do delegado regional Paulo Tavares. Enfático, o representante da Polícia Civil exclamou que para ele “bandido bom é bandido morto”.

O debate, mais uma vez, foi iniciado pelo vereador Paulo Soares (PSB). O socialista fez uso da tribuna e apresentou percepções de sua visita técnica à Delegacia de Polícia Civil. Disse que a PC trabalha com um déficit de 60% no efetivo, entre delegados, escrivães e investigadores, e que a parte estrutural também está bastante comprometida. Ao falar da cela que fica na sede da corporação, no bairro Campestre, o legislador se mostrou perplexo. “É desumano. É um lugar que não desejo nem para os homens que atiraram em mim”, disse.

Paulo Soares pediu ações imediatas em prol da Polícia Civil. Para o vereador, o diálogo com deputados e com o Governo do Estado é importante, mas é preciso que projetos imediatos aconteçam em âmbito municipal. “O que faremos para ajudar enquanto esperamos o estado?”, questionou. “Isso não é uma questão partidária, é uma discussão importante que deve acontecer”, completou o socialista.

A fala de Paulo Soares foi repercutida pelo delegado Paulo Tavares. O chefe da PC concordou que a situação é péssima e cobrou uma reforma na delegacia que, segundo ele, foi aprovada pela Câmara ainda no governo anterior. “Já recebemos a visita de engenheiros, foram feitos três orçamentos e até hoje nada. Esse processo está agarrado na Prefeitura”, reclamou.

Sobre as condições da cela, o delegado não fez questão de ser político. “Não tenho dó de vagabundo. Lugar de vagabundo é na cadeia. Bandido bom é bandido morto. E de preferência enterrado de pé, que é para ocupar menos espaço”, exclamou. Depois, Paulo Tavares foi enfático ao apontar o principal problema: “Nossa lei é ridícula. Eu digo aos senhores, não adianta ter cercas, grades e alarmes se os bandidos estão nas ruas. A gente prende e daí a trinta dias o vagabundo está solto. E não é problema do Judiciário. A gente tem que cobrar é de quem faz as leis”.

Âmbito municipal

Questionado sobre o que a Prefeitura poderia fazer para ajudar na redução da criminalidade em Itabira, o delegado apontou algumas reivindicações. Falou sobre o centro de internação para menores, que “sem ele estaremos ainda pior no ano que vem”, e sobre a possibilidade de o Executivo emprestar servidores tanto para a PM quanto para a PC.

“Isso já está sendo estudado. A Prefeitura cederia servidores para que a gente pudesse colocar policiais nas ruas. A PM tiraria militares do administrativo e colocaria nas ruas. Da mesma forma a Polícia Civil. Representaria mais policiais atuando”, comentou.

O secretário municipal de Ordem Pública, coronel Júlio Maria Abílio, também participou do debate. O ex-PM disse que hoje “está conhecendo o outro lado da moeda”, referindo-se às burocracias e exigências do serviço público. Ele afirmou que está 24h à disposição de Itabira e que vai pessoalmente se inteirar sobre o convênio assinado entre a Prefeitura e a PC que até hoje não foi pago.

Sobre o a cessão de servidores para as polícias, o secretário contou que a PM já estuda quantos policiais poderão ser substituídos. Em relação ao centro de internação, ele pediu ajuda para indicação de áreas longe do perímetro urbano do município.