Barragens da Vale retiram 1.105 pessoas de suas casas em Minas, 41,3% delas em Barão de Cocais
Em todo o estado de Minas Gerais, 1.105 pessoas estão sem acesso às suas residências devido ao risco de rompimento de barragens da mineradora Vale. Grande parte, 457, ou 41,3%, é morador de Barão de Cocais (Região Central). As demais são de Brumadinho (Grande BH), Nova Lima (Grande BH), Ouro Preto (Região Central) e Rio […]

Em todo o estado de Minas Gerais, 1.105 pessoas estão sem acesso às suas residências devido ao risco de rompimento de barragens da mineradora Vale. Grande parte, 457, ou 41,3%, é morador de Barão de Cocais (Região Central). As demais são de Brumadinho (Grande BH), Nova Lima (Grande BH), Ouro Preto (Região Central) e Rio Preto (Zona da Mata). O dado atualizado foi informado hoje pela empresa.
Decisões da Agência Nacional de Mineração (ANM), da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais e até mesmo da própria Vale culminaram em interdições de estruturas. Em diversos casos, a interrupção das atividades tem sido acompanhadas pela evacuação de comunidades do entorno. Isso ocorre quando o nível de segurança da estrutura alcança 2 ou 3, índices associados ao risco de rompimento.
Barão de Cocais
Em Barão de Cocais, as 457 pessoas foram evacuadas no dia 8 de fevereiro, quando o nível de alerta foi elevado para 2. Desde então estão impedidas de retornar às suas casas por tempo indeterminado, devido ao risco de ruptura da barragem Sul Superior da Mina de Gongo Soco. No dia 22 de março, o nível de alerta subiu para o máximo (3).
Se a estrutura entrar em colapso, a lama de rejeitos chegará em poucos minutos às comunidades de Socorro Socorro, Tabuleiro, Piteiras e Vila do Gongo. Para atingir a área urbana, o tempo previsto é de uma hora e 12 minutos.
A Vale vem realizando obras para minimizar os efeitos do possível rompimento. Vias estão sendo abertas para criar novas rotas de fuga e evitar que a população de alguns bairros fique ilhada. Também está em construção um muro de 35 metros de altura e 307 metros de comprimento para conter os rejeitos que eventualmente vazem da estrutura.
Além disso, em julho devem ser concluídas obras de contenção em blocos de granito. Em outubro, devem ser entregues uma bacia de retenção com capacidade para 3 milhões de metros cúbicos que está sendo escavada e um canal que conduzirá a lama até esse reservatório.
Para esta última intervenção, a Justiça autorizou no fim do mês passado que a mineradora ocupe terrenos particulares na cidade por entender que trata-se de medida importante para proteger a população. Para garantir indenização de eventuais prejuízos absorvidos pelos proprietários, foram bloqueados R$ 50 milhões da mineradora.
Brumadinho
Na última terça-feira (25), completaram-se cinco meses do rompimento da barragem Córrego do Feijão, em 25 de janeiro, que deixou até agora 246 mortos e 24 pessoas desaparecidas em Brumadinho. O município contabiliza atualmente 287 pessoas fora de suas casas.
Esse número inclui tanto moradores que deixaram seus lares por questões de segurança, como aqueles que tiveram seus imóveis destruídos pela força dos rejeitos que vazaram. Mas mesmo na cidade atingida pela lama, o alcance da evacuação ainda é inferior ao que se observa em Barão de Cocais.
Isso ocorre devido às informações acerca da mancha de inundação da barragem Sul Superior: a área que seria afetada pela onda de rejeitos em caso de ruptura abrange áreas não apenas rurais, como também urbanas.
A mineradora informa que o retorno ocorrerá assim que forem concluídos reparos nos imóveis e nos acessos, uma vez que o local está inacessível há mais de quatro meses. A evacuação na região ocorreu em 20 de fevereiro.
Outros municípios onde foi feita a evacuação de moradores são Ouro Preto e Rio Preto, sendo este último devido ao risco de rompimento de uma barragem de água. Nos outros quatro, as represas são de rejeitos de minério. (Agência Brasil)