Bethânia e Caetano brilham, The Cure faz história, Dalai Lama surpreende e Spielberg alcança marca rara no Grammy
Premiação reúne música brasileira, rock alternativo, espiritualidade e cinema em noite de conquistas inéditas e discursos marcantes
A cerimônia do Grammy, no último domingo (1º), reuniu trajetórias de peso e momentos simbólicos que cruzaram diferentes linguagens artísticas. Entre os destaques da noite estiveram a consagração de Maria Bethânia e Caetano Veloso, a vitória histórica do The Cure após cinco décadas de carreira, o reconhecimento ao Dalai Lama e a conquista de Steven Spielberg, que alcançou um feito raro na indústria do entretenimento.
A música brasileira ganhou protagonismo com os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia, vencedores do prêmio de “Melhor Álbum de Música Global”. O trabalho “CAE ⟷ BTH – Caetano e Bethânia ao vivo”, registro da turnê iniciada em 2024, garantiu à cantora sua primeira estatueta na premiação e marcou a terceira vitória de Caetano, que já havia vencido em 2000 e 2001. O álbum superou nomes como Burna Boy, Siddhant Bhatia, Youssou N’Dour, Shakti e Anoushka Shankar com Alam Khan e Sarathy Korwar.
Reconhecimento
Outro momento de forte repercussão foi a conquista do The Cure. Fundada em 1976, na cidade inglesa de Crawley, a banda liderada por Robert Smith venceu pela primeira vez um Grammy, levando os troféus de “Melhor Álbum de Música Alternativa” e “Melhor Performance de Música Alternativa” por “Songs of a Lost World”. O grupo já havia sido indicado em 1993 e 2001, mas nunca havia triunfado.
Em comunicado lido no palco, Smith declarou: “Simon, Jason, Roger, Reeves e eu gostaríamos de agradecer ao Grammy por este prêmio maravilhoso. Estamos muito honrados em recebê-lo. Também gostaríamos de agradecer a todos que ajudaram na criação do nosso álbum Songs of a Lost World”. A vitória ocorreu pouco tempo após a morte de Perry Bamonte, guitarrista e tecladista da banda, aos 65 anos.
Espiritualidade
O Grammy também reconheceu uma produção ligada à espiritualidade. Tenzin Gyatso, o Dalai Lama, venceu na categoria “Melhor Gravação de Audiolivro, Narração e Storytelling” com “Meditations: The Reflections Of His Holiness The Dalai Lama”. Aos 90 anos, ele disputou o prêmio pela primeira vez. O álbum reúne reflexões registradas ao longo de 75 anos de dedicação ao Budismo e foi produzido por Kabir Sehgal.
A obra mescla influências clássicas hindustanis com elementos pop e conta com participações vocais de Rufus Wainwright, Maggie Rogers e Andra Day, além do sarod tocado por Ayaan Ali Bangash. Sehgal explicou: “A escolha dos convidados foi extremamente intencional. Buscamos por estrelas pop que tivessem alguma ligação com a filosofia religiosa. Maggie Rogers estudou na Harvard Divinity School, onde fez mestrado em Religião e Vida Pública”.
Cinema e música
No campo do audiovisual, Steven Spielberg venceu o Grammy de “Melhor Filme Musical” pelo documentário “A Música de John Williams”. Com isso, passou a integrar a lista de artistas que alcançaram o EGOT — grupo de profissionais que conquistaram Emmy, Grammy, Oscar e Tony. Spielberg já acumulava três Oscars, quatro Emmys e um Tony.
Em nota divulgada por sua assessoria, afirmou: “Este reconhecimento é obviamente muito significativo para mim, pois valida o que eu sei há mais de 50 anos: a influência de John Williams na cultura e na música é imensurável, e sua arte e legado são incomparáveis”. O documentário está disponível no Disney+.




